A “Pequena enciclopédia sociopolítica ilustrada do Brasil contemporâneo” é uma proposta artística realizada com a colaboração de pesquisadores de diferentes áreas. Reúne fotografias de objetos, gestos e elementos do cotidiano brasileiro que receberam conotações políticas ao longo de dez anos (2013- 2023). É o caso, por exemplo, da coxinha, da mortadela e da camisa da seleção brasileira de futebol. As fotografias são acompanhadas por textos reunidos com o objetivo comum de construir uma história política a partir de imagens.

O trabalho já foi exposto em diferentes ocasiões. Em 2021, ainda em andamento, integrou o festival Fictions Documentaires, em Carcassone, na França. Em 2023, foi apresentado pela Associação Iandé no Festival Internacional de fotografia e artes visuais de Covilhã, em Portugal. Em 2025, fez parte da programação do festival FestFoto, em Porto Alegre, e do festival Photaumnales, em Noyon, no contexto da temporada cultural do Brasil na França.
No mês de março de 2025, a Aliança Francesa de Botafogo me convidava a expor o trabalho. Cinco anos depois da exposição “O espaço da alteridade”, de curadoria de Teresa Bastos, que apresentava parte do meu percurso, eu voltaria à Aliança Francesa, dando assim continuidade a uma bela parceria com a instituição. A nova exposição iniciaria no Rio de Janeiro e, posteriormente, circularia por diferentes Alianças Francesas do Brasil, durante um período de três anos. O projeto recebeu o apoio da Embaixada da França no Brasil, da Air France e de Diaphane (Centro de Arte de Interesse Nacional em Clermont-de l’Oise, na região de Hauts-de-France).
A abertura da exposição em Botafogo, que contou com a curadoria de Emmanuelle Halkin, curadora associada de Diaphane, foi marcada para o dia 14 de maio de 2026. Nos dias 15 e 16, estavam previstos um encontro-debate organizado pela professora Teresa Bastos, em parceria com a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e uma visita guiada para os alunos da Aliança Francesa.
Os preparativos exigiram certo tempo. Conversas com a curadora, pesquisas e reflexões para a adaptação da obra ao espaço expositivo, trocas com a equipe da Aliança Francesa de Botafogo envolvida com a montagem da exposição: entre essas e outras demandas, trabalhei intensamente nos dois últimos meses. Além disso, realizei a viagem da França, onde resido, ao Brasil, para estar presente na abertura da exposição.
Cheguei no Rio de Janeiro no dia 13 de maio, véspera da abertura, quando fui surpreendida por uma mensagem de WhatsApp enviada por Nathalie Lacoste-Yebra, diretora geral das Alianças Francesas no Brasil. Na mensagem, dizia:
“Ao analisar mais atentamente algumas das obras em exposição, percebo que elas contêm posicionamentos políticos explícitos sobre a vida política brasileira e nomes de figuras políticas. No entanto, a Aliança Francesa, como instituição e associação cultural brasileira, está vinculada a uma estrita neutralidade política, especialmente no contexto atual. Portanto, infelizmente, não poderemos prosseguir com a exposição nem com a inauguração prevista para amanhã”.
Tentei negociar, propondo que colocassem na entrada do espaço expositivo uma mensagem advertindo que os conteúdos eram de inteira responsabilidade de seus autores e que a Aliança Francesa não tomava nenhum posicionamento quanto a eles. Mas não adiantou… Segundo a diretora geral, ao conversar com sua governança na manhã do dia 14 de maio, recebeu a confirmação de que a Aliança Francesa “está vinculada a uma estrita neutralidade política, e o descumprimento desse requisito pode acarretar consequências significativas”. Sendo assim, não seria possível prosseguir com a abertura da exposição.
Na mesma manhã, a galeria foi esvaziada: obras recolhidas, adesivos arrancados das paredes, horas de trabalho de diversos profissionais jogadas no lixo. Sobre a arte do cartaz que anunciava o vernissage da exposição, foram colocadas duas faixas formando um “X”, sobre as quais se repetia a palavra “cancelado”. Colado no muro de vidro que protege o espaço, foi o que restou ao público que se dirigiu a Botafogo para a abertura da exposição.
O choque foi tão grande que não consegui reagir prontamente. Levei alguns dias para me reerguer. Estou ainda tentando digerir o que aconteceu, talvez leve tempo. No entanto, era hora de me pronunciar, mesmo que brevemente.
Gostaria de agradecer a todas as pessoas que me acolheram, que estiveram por perto, que me enviaram palavras de apoio, que partilharam suas reações. O movimento que se formou em decorrência do episódio foi muito potente. Mostra o quanto as pessoas estão preocupadas com a liberdade e a democracia e, ao mesmo tempo, o quanto a solidariedade está presente entre nós.
Quanto ao cancelamento da exposição 24 horas antes de sua abertura, sigo chocada com o ato de extrema violência e desrespeito. Não somente com uma artista, mas com um grupo mais amplo, formado por intelectuais preocupados em compartilhar seu pensamento sobre a história recente do Brasil. Uma história que precisa ser continuamente revisitada e discutida, sobretudo neste momento tão delicado, em que o obscurantismo persiste em nos rondar.
Sem nenhuma correspondência formal até o momento, estou no aguardo de maiores esclarecimentos por parte da Aliança Francesa e de um posicionamento que busque reparar os danos causados.
Andrea Eichenberger
Paris, 24/05/2026
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Nota: Gostaria de manifestar minha solidariedade às artistas Marina Alves e Patrícia Paixão, que tiveram experiências parecidas na semana seguinte ao episódio da Aliança Francesa. Marina Alves teve sua obra “Mãe Preta Erveira” vandalizada na exposição da qual participava, no Saguão da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Patrícia Paixão teve sua exposição ”Dada a natureza das imagens não se exibem fotos” cancelada na véspera da abertura que deveria acontecer no Instituto Goethe, em Salvador.
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Colaboraram com a realização da “Pequena enciclopédia sociopolítica ilustrada do Brasil contemporâneo”:
Adair Bonini, Aline Iubel, Amanda de Freitas Coelho, Armelle Enders, Ana Cecilia Impellizieri Martins, Ana Rita Vidica, Anelise Fróes, Antoine Acker, Bruno Zorzal, Camila Gui Rosatti, Carlos Alberto Franzoi, Carlos Barradas, Carmen Silvia Rial, Cláudia Pereira Vianna, Cornélia Eckert, Cristianne Rodrigues, Dagoberto Bordin, Daniela Labra, Denise Pinheiro, Diogo Cunha, Eduardo Victorio Morettin, Érico Andrade, Felipe Tuxá, Fernando Boppré, Gustavo Andrade, Hernandez Vivan Eichenberger, Ildo Francisco Golfetto, Isabella Valle, Marcella Marer, Marcelo R. S. Ribeiro, Marcia Tiburi, Mariana Thorstensen Possas, Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho, Maria Salete Borba, Marlene Rodrigues, Marta Magda Antunes Machado, Murilo Duarte Costa Correa, Néri Pedroso, Patricia Smaniotto, Paulino Motter, Rafael Castanheira, Raquel Wandelli, Rita Lenira de Freitas Bittencourt, Rosangela Malachias, Sandra Rubia Silva, Sandra Unbehaum, Silvana Mariani, Silvia Capanema, Sinara Sandri, Sônia Maluf.
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Andrea Eichenberger
Instagram: @eichenberger.andrea
www.andreaeichenberger.com
REAÇ?ES
Reações dos pesquisadores que participaram do projeto
“Que vergonha. De Veneza até ao Rio de Janeiro a busca absurda de uma neutralidade inexistente e, portanto, complacente com os mecanismos opressores”.
Carlos Barradas, fotógrafo e antropólogo
“Lamentável! Tempos de reflexão. Censura às Artes, Nunca Mais!”
Rosangela Malachias, jornalista e professora na UERJ
“Neutralidade???! Diante de fascismo não há neutralidade, há luta. Isso é uma vergonha para a França e suas tradições”.
Carmen Rial, antropóloga e professora na UFSC
“Lamento muito pelo ocorrido e quero registrar aqui a imensa satisfação e honra em ter participado (e seguir acompanhando os desenvolvimentos) do teu importantíssimo e atualíssimo projeto”. Murilo Duarte Costa Corrêa, professor na UEPG
“A reação da AF demonstra que a exposição pode mexer numa ferida que ainda está viva e em tempos de eleições a instituição preferiu se preservar. No entanto, esse trabalho é de extrema importância para manter viva a memória dessa “página infeliz da nossa história”, como diz Chico Buarque. Tenho certeza que a exposição encontrará novos caminhos de visibilidade. Quando um muro separa, uma ponte une”. Silvana Mariani, musicista e documentarista
“Junto o meu aos votos de que este belo projeto seja muito bem sucedido, circulando muito em breve, com todo o valor de coletividade que ele carrega! Esta tomada clara de posição simbolizada pelo cancelamento da exposição é realmente um pacto de desaliança da entidade francesa. Ou de uma aliança perigosa com a desinformação e o silêncio em um momento em que se deveria privilegiar o contrário. Força ao projeto e toda minha solidariedade a você, Andrea!”
Bruno Zorzal, artista e pesquisador
“Esse projeto fotográfico se debruça sobre imagens do Brasil que, nos últimos dez anos, se tornaram campos de batalha simbólicos. Focalizar e nomear esses conflitos é a força desse projeto. A quem interessa silenciá-lo?”
Camila Gui Rosatti, pesquisadora associada do Centro de Pesquisas sobre o Brasil Colonial e Contemporâneo (CRBC-EHESS)
“A defesa da democracia exige posicionamento. Não existe neutralidade diante do autoritarismo, assim como a arte não nasceu para ser omissa nem complacente. Tenho certeza de que o trabalho de Andrea Eichenberger encontrará o reconhecimento que merece entre as produções contemporâneas que enfrentam criticamente este momento histórico tão sombrio”.
Gustavo Andrade, arquiteto e urbanista, professor na UDESC
Inacreditável, que uma instituição educacional seja protagonista da censura a uma exposição artística. O cancelamento da exposição, no dia da sua inauguração, foi também um ato de desrespeito para com a fotógrafa Andrea Eichenberger e demais co-autores(as) dos verbetes. Em resposta, afirmamos: o Brasil não sucumbirá a golpes antidemocráticos!
Rosangela Malachias, professora associada da UERJ
“Situação complexa e inaceitável. Em um período em que é necessário um posicionamento explícito a favor da arte, da humanidade e da democracia, a neutralidade reivindicada pela diretora geral da Aliança Francesa no Brasil, via mensagem de WhatsApp, é deselegante e enfatiza não somente o desrespeito com a Andrea, mas também com todos envolvidos neste projeto que defende a democracia, algo que nos é tão caro enquanto sociedade, especialmente em tempos sombrios”.
Maria Salete Borba, artista e professora
“É triste ver que uma produção artística que se propõe a pensar a realidade, a dialogar diretamente com o contexto social e político brasileiro, foi censurada pela Aliança Francesa, ou seja, foi calada sem explicações minimamente convincentes. A instituição, ao se dizer neutra, elegeu um lado, optou pelo pior dos discursos: o da mentira e da farsa.”
Adair Bonini, linguista aplicado e professor na UFSC
“Minha compaixão pela grande artista e intelectual que és diante do apequenamento e da cumplicidade da Aliança Francesa com o fascismo. Lamentável”.
Dagoberto Bordin, jornalista e antropólogo
“Manifesto minha solidariedade à fotógrafa Andrea Eichenberger que teve sua exposição fotográfica cancelada nas vésperas da abertura, na sede da Aliança Francesa, no bairro Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro. De forma incompreensível, a direção da AF no Brasil argumenta conteúdo político e reza pela neutralidade da instituição. Político é este posicionamento absurdo que não reconhece o valor social, cultural e científico desta exposição apoiada por ampla rede de artistas e intelectuais no Brasil e na França. Certamente não houve unanimidade nesta decisão da direção. Seria de bom tom revê-la, permitindo a expressão artística democrática e respeitosa da artista. Andrea, receba meu apoio e solidariedade. Tive a honra de participar de sua conferência em Porto Alegre e atuar como uma das debatedoras. Gratidão”.
Cornelia Eckert, professora titular aposentada do departamento de antropologia na UFRGS, coordenadora projeto BIEV
“É inaceitável que uma exposição elaborada com base no diálogo e em uma diversidade de perspectivas sobre o presente, que convergem no questionamento do fascismo e de suas manifestações atuais, seja censurada em nome de uma suposta ‘neutralidade’ da Aliança Francesa. Essa noção de ‘neutralidade’ não passa de uma ideia enganosa, que dissimula um alinhamento com as perspectivas confrontadas diretamente pelas vozes polifônicas que contribuíram para a exposição. Minha solidariedade à fotógrafa Andrea Eichenberger.”
Marcelo R. S. Ribeiro, professor da Universidade Federal da Bahia
“Censura: restrição da liberdade de expressão; controle da circulação pública, usada sob justificativa moral; Neutralidade: postura de isenção de julgamentos morais; imparcialidade. A Neutralidade abre espaço para diferentes vozes. A Censura cala algumas. O que a Aliança Francesa exerceu foi censura, um gesto nada neutro de silenciamento. Normalmente, a censura se aplica sem profissionalismo, sem compromisso e sem reconhecimento de direitos. Foi o que aconteceu. Meu lamento ao prejuízo público causado e minha solidariedade e respeito a Andrea e toda equipe trabalhadora envolvida. Que a obra possa se vincular a espaços mais democráticos e que reparação e justiça sejam feitas.” Isabella Valle, fotógrafa, jornalista, pesquisadora e professora associada da Universidade Federal da Paraíba.
“A noção de uma arte asséptica, neutra, desligada de quaisquer outras preocupações é ofensiva para o próprio conceito de arte. A redefinição de limites, a proposição de problemáticas novas e a tomada de posição são constantes absolutamente elementares e presentes ao longo da história da arte em geral e da fotografia em particular. A decisão institucional de cancelamento e, na prática, censura do trabalho de Andrea Eichenberger se baseia nessa justificativa e, por isso mesmo, é um retrocesso a respeito do qual não se pode silenciar. A despeito das intenções em impedir a circulação da exposição, essa medida descabida acaba por testemunhar a relevância estética e política do trabalho”
Hernandez Vivan Eichenberger, professor do Instituto Federal Catarinense
“Lamentável a atitude da Aliança Francesa, que até bem pouco tempo representava uma cultura de referência na defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão. A memória dos anos de terror, recém vividos no Brasil, documentada na exposição “Pequena enciclopédia sociopolítica ilustrada do Brasil contemporâneo”, organizada por de Andrea Eichenberger, incomodou até os órgãos que se diziam democráticos. Infelizmente, a situação absurda de censura, escondida por uma sonsa declaração de “neutralidade”, só deixa à mostra mais um dos resquícios fascistas relacionados a um período histórico que ainda não terminou.”
Rita Lenira de Freitas Bittencourt, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
“Deplorável a falta de profissionalismo e o desrespeito à palavra (contrato) empenhada vindos de uma instituição como a Aliança Francesa; “Liberté, Égalité, Fraternité” torna-se expressão vazia, devido à falaciosa alegação de neutralidade e à censura a uma exibição que, em última instância, é uma defesa dos valores democráticos.
Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho, professora da Universidade Federal de Minas Gerais
“Tempos obscuros que estamos vivendo de censura política. Minha solidariedade contigo. Esse trabalho não deixa de evidenciar sua potência pelo que está encontrando de resistência”. Charles Monteiro, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
“Sendo um dos objetivos da arte o questionamento do mundo e a sua interpretação livre, esta decisão da Alliance Française é um posicionamento claro a favor dos déspotas, de um alinhamento, mais ou menos voluntário, com uma visão conservadora, retrógrada e violenta da sociedade. E não nos iludamos, é quando se deixa de fazer algo por medo que o fascismo ganha”.
Outras reações, enviadas por mensagens e via redes sociais
“Neutralidade é uma forma de alienação que jamais combina com arte”.
Rogério Reis, fotógrafo
“Chegamos, Rogério e eu, para a abertura da sua exposição. Como não havia nada exposto nem ninguém procuramos confirmar com uma atendente da Aliança Francesa se a data de abertura estava correta. A resposta foi: “a exposição foi cancelada.” Achamos que não ouvimos direito e perguntamos: “Foi adiada?” Em resposta, a confirmação: “A exposição foi cancelada”. Primeiro ficamos perplexos e depois de ler o seu post ficamos indignados. Neutralidade política existe? Ou neutralidade política = silenciamento?”
Mayra Rodrigues, artista visual
“Que absurdo. A palavra é CENSURA!!!”
Juliana Crispe, curadora
“A Constituição Federal de 1988 e leis infraconstitucionais garantem a livre manifestação do pensamento e proíbem a censura prévia de natureza política, ideológica e artística”.
Raquel Camargo, fotógrafa
“Como disse Gramsci, “tudo é político, inclusive o silêncio conivente fantasiado de neutralidade””. José Roberto Bassul, fotógrafo
“@aliancafrancesabrasil isso não tem nada de neutro. É censura pura. Lamentável, mas não surpreende diante de outras decisões. @eichenberger.andrea a potência desse trabalho só vai crescer diante dessa covardia”.
Janaína Corá, artista visual
“Tudo é político, não existe neutralidade na existência. Sinto muito por isso!”
Priscilla Buhr, artista visual
“Me recuso a aceitar tal iniciativa que leio como censura. Isso é muito grave. Privar o público do acesso à arte, neste momento sombrio que atravessamos, é muito grave também”.
Fabiana de Moraes, coordenadora de projetos de artes visuais da cidade de Amiens na França
“Neutralidade política é uma falácia….durante a guerra civil espanhola a França se declarou neutra e deu no pior fascismo assassino e uma ditadura de 40 anos”.
Fernando de Tacca, antropólogo e professor na UNICAMP
“A trajetória do artista nem sempre agrada a todos. Importante é o teu trabalho e a mensagem que ele traduz. Com o tempo todos mostram a sua cara. Tive a oportunidade de ver o trabalho no @festfotopoa em Porto Alegre e foi muito valorizado”.
Fernanda Chemale, fotógrafa
“O que seria um posicionamento “neutro” diante dos descalabros que acontece diariamente no país e no mundo???” Orlando Maneschy, artista, professor e curador
“Não existe neutralidade quando o assunto é democracia e interesse social. “Se dez pessoas estão sentadas à mesa e um nazista se junta a elas sem que ninguém se levante, então há onze nazistas””. Gabriela Biló, fotógrafa
“Triste e lamentável! Porém @eichenberger.andrea, situações como esta podem amplificar o “grito” do teu trabalho. Eu não conhecia o teu trabalho, mas graças a um post da @gabriela.bilo tomei conhecimento do fato, mas muito mais importante, da tua obra. Força!
Mario Figueroa, arquiteto
“Toda minha solidariedade…”
Élcio Miazaki, artista visual
“Piores censores são aqueles que ousam suprimir ideias e silenciar qualquer dissidência. Por natureza, toda censura é absurda: qualifica, especifica e multiplica o impulso revolucionário que eventualmente a fará colapsar”.
Glaucia Nogueira, presidente da associação Iandé
“Sinto muito por você, e por todos por nós!”
Ioana Melo, curadora
“Absurdo! Toda minha solidariedade nesse momento. Que venham outras possibilidades para mostrar seu belo e potente trabalho!”
Alessandra França, artista visual
“Fica minha solidariedade à você, artista cujo trabalho e pesquisa acompanho aqui (Instagram) e me tocam muito. Espero ver sua montagem de pé, viva e pulsante, em breve”.
Juliana Jacyntho, artista visual e pesquisadora
“Que absurdo, @eichenberger.andrea!! Mas essa reação também mostra a potência e importância de seu trabalho. Que venham oportunidades melhores…”
Viviane Kraieski de Assunção, antropóloga e professora na UNESC
“Fiquei muito decepcionada com a Aliança Francesa do Brasil ao cancelarem a exposição da artista Andrea Eichenberger. Uma obra fotográfica com certo humor, baseada em estudos sociológicos e fina ironia, longe de ser politicamente militante; não há razão de sofrer cancelamento. Foi uma ação equivocada e política (esta sim) e que não condiz com os valores franceses de democracia e cultura dos quais a instituição diz representar. Uma infelicidade! Meu apoio à artista, perdemos todos”. Carolina Arantes, fotógrafa
“Que lamentável amiga! Na minha visão a AF era um exemplo de instituição progressista. Ledo engano. Faço votos que seu projeto seja muito muito exibido”.
José Diniz, fotógrafo
“Muita falta de respeito e de profissionalismo. Esse tipo de “neutralidade” é na verdade uma tomada de posição disfarçada. O pior tipo de covardia”.
Laura Rebessi, videasta e viticultora
“Neutralidade é tomada de posição disfarçada. Sinto muito…”
Dunya Azevedo, pesquisadora e artista visual
“Lamento muito, @eichenberger.andrea! Acredito que esse episódio vai muito além! Muito infelizmente! Podemos testemunhar a situação de penúria das universidades francesas. Além disso, não se ouve alarde contra os conflitos e genocídios mundiais nos festivais de cinema na Europa, incluindo Cannes. O festival de cinema de mulheres de Créteil de longa data teve sua edição desse ano de 2026 postergada. Sei que
estou indo além da arbitrariedade do cancelamento da sua exposição, perdão! Aproveito o episódio para registrar queixas mais amplas”.
Fernanda Aguiar Carneiro Martins, pesquisadora e professora na UFRB
“O trabalho antropológico e artístico tem, por natureza, a função de nos fazer refletir sobre a nossa história e sobre o nosso tempo. O medo de retaliação e a falsa busca por neutralidade não podem justificar a censura, especialmente em espaços que deveriam promover o diálogo cultural. A sua pesquisa e a sua expressão artística são fundamentais, principalmente no cenário que vivemos hoje. Esse lamentável episódio apenas reforça a urgência e a potência do seu trabalho. Estou com você @eichenberger.andrea e repudio qualquer ato de censura ou cerceamento à liberdade de expressão. O seu olhar crítico é indispensável. Conte comigo para amplificar sua voz e divulgar seu trabalho onde houver espaço para a verdadeira arte”.
Rosângela Tenório, arquiteta e professora na University of Western Australia
“Censura por uma instituição que trabalha com cultura!!!!! Um absurdo. Falta de critério e organização. Infelizmente vivemos tempos difíceis”.
João Kulcsar, diretor dos festivais de fotografia de São Paulo e de Paranapiacaba
“Penso que sob a sombra da bandeira fantasiada de neutralidade a prática de uma censura prévia facista avança pelo mundo. Ao mesmo tempo mostra o poder de alcance que uma exposição crítica pode causar quando as pessoas debatem o que as incomodam”.
Laura Andrade, Socióloga
“Me solidarizo com você Andrea e a censura diz que o projeto tem muita força. Muita falta de profissionalismo da AF Rio cancelar a exposição no dia da abertura”.
Ricardo Tokugawa, fotógrafo
“Até onde podemos conviver com o cinismo? Como podemos acreditar em justificativas injustas? Todos aqueles que tentaram domesticar as artes fracassaram. A instituição fez um pacto pela mediocridade que cinicamente chama de “neutralidade”, e é assim que eles perdem essa oportunidade de engrandecerem seu repertório assim como se perdem nesse nefasto, tacanho e falido processo de censura”. Sandovan Vivan, Psicólogo e Servidor Público
“Não é possível!”
Lela Martorano, artista visual
“Lamento! Terão outras oportunidades”.
Juliette Malveau Amado, fotógrafa
“A fotografia de Andrea Eichenberger amplia a experiência humana trazendo luz ou sombra, mas sempre abrindo possibilidades e modalidades para se ler o Brasil e o mundo”
Atílio Avancini, professor na ECA-USP
“Deveria entrar para série ‘episódios de censura fotográfica no Rio de Janeiro’. Me lembra o caso da exposição da Nan Goldin, que sofreu censura semelhante em 2012. Tudo agendado, marcado, divulgado e, no último momento, o Centro Cultural da Oi futuro cancelou, a pretexto de ferir o Estatuto da Criança e do Adolescente. A exposição da Nan Goldin, na época, teve acolhimento pelo MAN-Rio, que, contrariando o pensamento fascista do patrocinador, expos o trabalho da artista. Esperamos que a exposição da Andrea tenha um futuro semelhante”.
Rosana Cacciatore, documentarista
“Lamentável e absurdo!”
Mateus Gomes, fotógrafo
“Considero um absurdo o cancelamento da exposição da Andrea Eichenberger. Nos tempos atuais é inadmissível que a Aliança Francesa do RJ impeça a autêntica expressão de uma artista que se compromete em denunciar a situação sociopolítica vivida pelo Brasil no governo Bolsonaro”. Mariangela Ávila
“@eichenberger.andrea vocês não estão sozinhos nessa! @aliancafrancesabrasil francamente que papelão em pleno 2026!”
Edgar Oliveira, fotógrafo
“Neutralidade é consentir!”
Lucas Cruz, Economia UFPR
“Absurdo dos absurdos! Lamentável, Andrea. Minha solidariedade à você”.
Sandra M. L. P. Gonçalves, Artista, docente e pesquisadora na UFRGS
“Uma falta de respeito absurda, no mínimo você deveria ser indenizada pela suspensão da exposição!” Inaê Coutinho, fotógrafa
“Com essa de neutralidade a @aliancafrancesabrasil mostra exatamente o lado em que está”. Marcelo Asth, performer e professor
“Estamos com você”.
Letícia Valverdes, fotógrafa
“Como contestar essa CENSURA!!! Só mesmo escrevendo uma carta publica p que muitossss saibam desse nível de arbitrariedade que não só censura como não se apresenta. Na minha opinião Boicote assinado p saberem que atuando dessa forma muitasss e outros muitossss não estarão com AF, nunca mais!!!! Guerrilha na ação !!!!”
Luciana Petrelli, fotógrafa
“Forte abraço, querida, força na resistência, alegria na luta!”
Maristela Colucci, fotógrafa
“Deixa eu ver se entendi, a @rioaliancafrancesa @aliancafrancesabrasil comprou o argumento da neutralidade? Entendi… a república de Vichy mandou um beijo pra vocês, viu! Ela tá orgulhosa. Petain aguarda vocês com uma taça de vinho aberta”.
Manuel Augusto Salgado Pimenta, historiador e educador
“Isto não é neutralidade, é uma censura ativa. Vamos por a boca no mundo. Imprensa nacional!” Carla Linhares, artista visual
“Vergonha do que somos atualmente em muitas atitudes e decisões políticas por aqui”. Virginie Boutaud, artista
“Une censure de l’Alliance Française ? Décision locale ou centrale ? Il faut ébruiter ça !” Marc Lenot, historiador
“@alliance_francaise_paris, est-il normal que la @rioaliancafrancesa pratique ce type de censure ? J’ai étudié à l’Alliance Française de mes 12 à 26 ans, et ce ne sont pas les valeurs qui m’y ont été transmises… L’exposition de @eichenberger.andrea est nécessaire, justement dans ce moment névralgique de l’histoire du Brésil. La neutralité ne rime ni avec liberté, ni avec égalité, ni avec fraternité”. Tiago de Souza Martins, conservador e restaurador de pinturas
“Não vivemos numa democracia? Voltamos aos tempos sombrios com a utilização da censura para barrar a arte? Isso só prova a força e a importância do teu trabalho”.
Vanessa Menezes Pirot, educadora
“Que absurdo! Toda a minha solidariedade”.
Ana Carolina Fernandes, fotógrafa
“Toda solidariedade a @eichenberger.andrea. suspender no dia da abertura? não existe imagem neutra, toda fotografia é política. um projeto aprovado e produzido permaneceu de portas fechadas, censura? que venham muitas outras oportunidades”.
Mônica Maia, editora da revista Mulheres Luz
“Censura aqui, censura lá!!”
Sebastião Do Aragão
“Que absurdo!”
Viviane Vilela, pesquisadora e editora
“Isso é inaceitável!!!”
Melissa Flores, artista visual
“Que tristeza, Andrea! Realmente é uma situação mais que lamentável”.
Joana Mazza, pesquisadora e curadora
“Absurdo!!! Pela arte sem censura”.
Daniela Lucheta, artista visual
“Isso se qualifica como inaceitável censura e, pior, no dia da abertura. Isso não se faz com uma artista. Toda a minha solidariedade, @eichenberger.andrea”.
Denise Camargo, fotógrafa e professora
“Quanto retrocesso”.
Ana Branco, fotógrafa
“Lamentável! Um trabalho tão potente. Triste, mas logo ele será exposto”.
Manu Berbert da Gama, fotógrafa
“Triste et grave!”
Lydia Echeverria, historiadora da fotografia
“Toda solidariedade à Andrea e aos 50 pesquisadores envolvidos no projeto! Censura não!!!” Paula Cinquetti, fotógrafa
“Nossa, que bizarro”.
Ian Cheibub, fotógrafo
“Absurdo e lamentável! Uma anulação dessas não parece nada neutra. A direção da AF tomou um lado. Toda ação é política. Também foi um desrespeito com a artista”.
Gabriela Dreher, animadora
“Nós nos solidarizamos com a @eichenberger.andrea e toda a equipe e pessoas envolvidas na exposição, que estão passando por esse caso inadmissível de censura e anulação”.
André Penteado, fotógrafo
“É, no mínimo um enorme desrespeito à cultura e em especial à artista e seu trabalho”. Antonio Paulo D’Aquino Noronha, artista
“A censura é a forma mais agressiva e retrógrada de tolher o fazer artístico. Lamentável”. Georgia Quintas, antropóloga e pesquisadora da fotografia
“A imagem que tinha da Aliança Francesa é de uma instituição progressista que estimula a arte e a cultura, mais do que somente um curso de idioma. No auditório da unidade Botafogo tive a oportunidade de assistir algumas aulas do Cláudio Ulpiano no final da década de 1980 , onde ouvi pela primeira vez sobre Foucault e Deleuze, filósofos franceses conhecidos pelo posicionamento político nos textos e em suas vidas. Tive também aulas de francês nessas salas (nessa mesma unidade onde a exposição foi montada e desmontada), me lembro de professores passarem textos de literatura com questões políticas, estimulando o debate e o posicionamento dos alunos. Fiquei surpreso e decepcionado ao saber que essa mesma instituição cancelou uma exposição feita em sua sede em virtude dela querer se manter “neutra” em relação à política brasileira. Sim, ok a instituição se manter neutra, mas como se trata de uma exposição de uma artista com quem a Aliança fez uma parceria, condicionar a exposição, que já havia sido aprovada, a que ela se expresse com o que a direção definiu como “neutralidade” é, a meu ver, um abuso de poder. Da mesma forma, seria uma violência que a Instituição cancelasse a aula de um professor ou as reuniões do grupo de estudo do Cláudio Ulpiano por eles se posicionarem politicamente em suas falas. A liberdade de cátedra e de expressão artística são pilares das nossas sociedades, francesa e brasileira, e importantes prerrogativas que têm um papel fundamental contra a expansão do fascismo. Colocar-se “neutra” violando esse direito básico é, a meu ver, um modo de tomar partido”.
Leandro Pimentel, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro
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