Santa Catarina aparece entre os estados com as maiores taxas de reprovação no ensino médio, ao lado do Distrito Federal e do Amazonas, segundo dados do Censo Escolar divulgados pelo Ministério da Educação (MEC). O resultado contrasta com a imagem de excelência educacional frequentemente associada ao estado e reacende o debate sobre a qualidade do ensino, a permanência dos estudantes e os efeitos das políticas educacionais adotadas nos últimos anos.
Embora o Brasil tenha registrado uma redução geral nas taxas de reprovação e abandono escolar, Santa Catarina segue entre as unidades da federação com os indicadores mais preocupantes no ensino médio. Especialistas lembram que a reprovação não pode ser analisada isoladamente: ela costuma refletir dificuldades de aprendizagem, desigualdades sociais, problemas de infraestrutura, escassez de apoio pedagógico e condições de trabalho dos professores.
A permanência dos estudantes na escola depende de fatores que vão além da sala de aula. A necessidade de trabalhar, o desgaste emocional, a defasagem acumulada ao longo da trajetória escolar e a insuficiência de políticas públicas de acompanhamento contribuem para o aumento da repetência. Quando esses problemas não são enfrentados, a reprovação tende a elevar também o risco de evasão escolar.
O cenário também alimenta discussões sobre as prioridades da gestão pública. Enquanto diferentes governos estaduais enfatizam reformas administrativas, expansão do ensino técnico e mudanças curriculares, pesquisadores da educação defendem que a melhoria dos indicadores exige investimentos contínuos na valorização docente, redução do número de estudantes por turma, reforço escolar, assistência estudantil e ampliação do tempo de aprendizagem.
Para educadores, o dado deve servir menos como instrumento de disputa política e mais como um alerta. A reprovação em massa representa um alto custo social: aumenta a distorção idade-série, reduz as perspectivas de continuidade dos estudos e dificulta a inserção qualificada dos jovens no mercado de trabalho.
Mais do que identificar um ranking, os números do Censo Escolar evidenciam a necessidade de políticas educacionais baseadas em evidências e de um compromisso permanente com a aprendizagem. O desafio para Santa Catarina é transformar um dos estados com melhores indicadores socioeconômicos do país em uma referência também na permanência e no sucesso escolar de seus estudantes.
Referências
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Apresentação dos resultados do Censo Escolar da Educação Básica 2025. Brasília, DF: INEP, 2026. Disponível em: Apresentação dos resultados (PDF).
Ministério da Educação. Censo Escolar: Brasil reduz índices de reprovação, abandono e atraso estudantil. Brasília, DF: Agência Brasil, 26 jun. 2026. Disponível em: Agência Brasil.
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