Projeto de artista chapecoense é única iniciativa no país a reunir e disponibilizar informações detalhadas sobre bailarina que revolucionou a dança no século XVIII

Quarta temporada do Projeto Oriri resgata o legado de Françoise Prévost com lançamento de série de vídeos sobre a pioneira da dança clássica

Divulgação

Por Mirella Schuch.

Em diferentes contextos históricos e até em conquistas, o nome de homens ganham protagonismo – mesmo que não sejam eles os criadores de determinada ideia – e assim também ocorreu no universo da dança clássica. Nos livros de história, Jean Georges Noverre aparece como criador do balé narrativo e expressivo, o chamado Balé de Ação, mas décadas antes dele, Françoise Prévost já havia plantado as sementes para o surgimento dessa forma de dança.
Esta foi uma das inquietações que incentivaram a bailarina, produtora audiovisual e pesquisadora chapecoense apaixonada por história, Bruna Meoti, a dar origem ao Projeto Oriri, em 2023. Através do Oriri, ela e uma equipe de profissionais da comunicação dão voz a pessoas que tiveram seu legado apagado da narrativa oficial da história, especialmente mulheres.
O projeto é mantido através de leis de incentivo à cultura e, nesta quarta temporada foi contemplado no edital de chamamento público n.º 031/2025 – PNAB/Município de Chapecó – Multilinguagens. Desta vez, o foco do projeto é a bailarina, intérprete e professora do século XVIII que revolucionou a forma como se entende e se dança o ballet atualmente: Françoise Prévost. Sua história e legado são contados através de uma série de vídeos publicados no canal do Youtube do Oriri.
A idealizadora do Oriri afirma que, apesar das contribuições fundamentais de Prévost, a memória da artista foi apagada ao longo do tempo, muitas vezes sem sequer ter sido mencionada em livros de história da dança e em conteúdos nas redes sociais ou Youtube. “Ao pesquisar por Françoise Prévost no YouTube e no TikTok, verifiquei que os conteúdos sobre a bailarina são praticamente inexistentes, e quando existem, são pouco aprofundados. Considerando que atualmente as pessoas consomem a maior parte de seus conteúdos por meio de vídeos, principalmente em plataformas como redes sociais e YouTube, buscamos adaptar os conteúdos sobre Prévost em vídeos acessíveis, dinâmicos, legendados e com interpretação em Libras. Assim, ampliamos o acesso sobre a história da dança para um maior número de pessoas”, salienta Bruna.
E para expandir o acesso inclusive para aqueles que já atuam na área da dança, a pesquisadora realizou no dia 17 de abril uma oficina online intitulada ‘Quem Foi Françoise Prévost?’. A contrapartida social garantiu certificado às participantes. Dentre elas, se fez presente a professora de Ballet Clássico, Marcela Mairena Serretiello Bueno, de 45 anos. Licenciada em Dança pela UniEnsino Paraná, teve seu contato com a dança clássica ainda criança, e após períodos de pausa, retomou a dança na vida adulta. Seu gosto por estudar a história do balé e os balés de repertório despertaram seu interesse em participar da oficina sobre Françoise Prévost.

A professora Mairena conta que já conhecia algumas referências sobre Prévost, mas que o encontro online a permitiu compreender melhor sua trajetória, seu contexto histórico e a relevância de seu trabalho para a dança. “A oficina foi conduzida pela Bruna de forma muito clara, sensível e cuidadosa. Foi uma experiência enriquecedora, que ampliou meu conhecimento e fortaleceu ainda mais meu interesse pelo estudo histórico do balé. Tenho um carinho muito especial pelo trabalho com adultos iniciantes. É emocionante acompanhar pessoas que decidem começar a dançar, muitas vezes depois de anos acreditando que o balé não seria mais possível para elas. Ver esse interesse surgir, independentemente da idade, do tipo físico ou da experiência anterior, reforça em mim a ideia de que a dança pode ser um espaço de aprendizado, descoberta e reencontro consigo mesma”, expressa.
Juliana Paula Werlang, de 44 anos, também participou da oficina e lembra que, embora quisesse fazer aulas de balé desde criança, a prática só foi possível depois dos 40. No ano de 2023, começou a praticar uma vez por semana em uma escola de dança na cidade de Chapecó–SC, aumentou para duas, três vezes, e se houvesse mais dias e horários disponíveis, exercitaria mais. Ela afirma ter conhecido o legado de Françoise Prévost através da aula ministrada por Bruna. “Gosto de assuntos biográficos e sobre a história das pessoas e das coisas. O que mais me chamou a atenção na oficina foi a quantidade de professoras de balé adulto que estavam presentes, eu me senti acolhida, mesmo sendo online. Também gostei muito de entender as diferenças técnicas do balé de antigamente e o de hoje, como a altura da perna, por exemplo”, relembra.
Bruna Meoti frisa que fazer o Projeto Oriri é uma forma de lutar contra o Efeito Matilda – fenômeno social em que as contribuições, invenções e descobertas científicas das mulheres são ignoradas, minimizadas ou creditadas a colegas homens – e convida o público a acompanhar o Oriri através das mídias sociais. “O esquecimento é um processo muito triste, e resgatar essas histórias é lutar contra isso. Ver pessoas interessadas em conhecer mais sobre a Prévost é lindo, porque essa bailarina foi esquecida, e tem muito dela na forma que a gente dança balé atualmente. E o Oriri entra nisso, ao passo que resgata histórias de mulheres que inspiram e influenciam nossa realidade até hoje e muitas vezes nem sabíamos até entrar em contato com esses conhecimentos. Vamos continuar rememorando esses legados.
E para acompanhar as novidades, convido o público a se inscrever no canal do Youtube, seguir o projeto nos perfis do Instagram, Tik Tok, Facebook e acessar o site www.projetooriri.com.br para ler nossos e-books”, finaliza Bruna Meoti.
Mirella Schuch é jornalista e assessora de comunicação 

 


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