Por Moisés Mendes.
A mais vira-lata e mais cínica declaração dos irmãos Bolsonaro, depois do encontro na Casa Branca, foi escondida pelos jornalões. Folha, Globo e Estadão desprezaram o vídeo em que Eduardo diz que o PIX brasileiro pode ser negociado com os americanos pelo ‘pix’ deles, um tal de Zelle.
Eduardo disse: “Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao PIX, como por exemplo o Zelle. Então dá pra você ir pra uma mesa de negociação com os americanos”.
Apenas o Globo deu espaço para a notícia, com a reprodução do vídeo, mas num cantinho das páginas online. Folha e Estadão não deram nada sobre a proposta e o vídeo. O Estadão explica o que é o Zelle, mas sem ter destacado a notícia com a proposta do filho escondido nos Estados Unidos.
Uma pergunta que deve ser feita, a partir da declaração surpreendente de Eduardo, é esta: por que o filho de Bolsonaro acaba confessando, em meio à controvérsia sobre o PIX, que está conspirando nos Estados Unidos contra o sistema de pagamento brasileiro?
Por que, no mesmo dia em que o presidente Lula defendeu o PIX e denunciou que Trump pretende sabotar o sistema, Eduardo acaba admitindo que é isso mesmo, que os Estados Unidos desejam impor o Zelle (que não funciona direito) ao Brasil?
Essa é a resposta para quem persegue obviedades ululantes: Eduardo certamente assumiu com a Casa Branca e o lobby do Zelle que iria defender publicamente o sistema americano. E fez o que mandaram que fizesse, cometendo a maior barbeiragem da família desde a retomada do tariflávio contra o Brasil.
Eduardo deu munição para Lula e para as esquerdas. Aqui, para quem não viu ainda, o vídeo de quarta-feira à noite, que a grande imprensa escondeu.
Moises Mendes é jornalista em Porto Alegre. Foi colunista e editor especial de Zero Hora. Escreve também para os jornais Extra Classe, Jornalistas pela Democracia e Brasil 247. É autor do livro de crônicas ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim)
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