Pesquisa em SC é suspensa após relatório citar cidades do Maranhão

Uma decisão da Justiça Eleitoral de Santa Catarina lançou novas dúvidas sobre a credibilidade das pesquisas eleitorais que começam a moldar a disputa de 2026. O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa do Instituto Veritá para os cargos de governador e senador após identificar inconsistências no registro do levantamento apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O caso chamou a atenção porque o relatório original da pesquisa, registrada para medir as intenções de voto em Santa Catarina, listava municípios do Maranhão entre as localidades que compunham a amostra. Entre as cidades citadas estavam São Luís, Imperatriz, Barreirinhas, Chapadinha, Pinheiro e Santa Inês, todas localizadas em território maranhense e sem qualquer relação com o eleitorado catarinense.

A controvérsia aumentou quando o documento foi alterado após o prazo legal previsto pela legislação eleitoral. Segundo a decisão judicial, um novo relatório contendo apenas municípios catarinenses foi inserido no sistema do TSE dias depois do registro inicial e após a divulgação pública da pesquisa. Para o relator do caso, desembargador José Sérgio da Silva Cristóvam, a mudança posterior levanta indícios suficientes para justificar a suspensão cautelar do levantamento até que o mérito da ação seja analisado.

A ação foi apresentada pelo PSD de Santa Catarina, que questionou a regularidade do levantamento. O partido argumentou que a correção posterior não elimina as dúvidas sobre a integridade das informações registradas originalmente junto à Justiça Eleitoral. A liminar acolheu esse entendimento e determinou a retirada imediata da pesquisa dos meios de divulgação, além de proibir novas publicações até decisão posterior. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 10 mil.

O episódio ocorre em um momento em que as pesquisas eleitorais ganham peso crescente na definição das narrativas políticas e influenciam estratégias de campanha, cobertura da imprensa e percepção do eleitorado. Por isso, as regras para registro e divulgação desses levantamentos são rigorosas e exigem transparência total sobre metodologia, amostragem e áreas pesquisadas.

Em nota, o Instituto Veritá afirmou que houve apenas um “equívoco material” na apresentação da lista de municípios e sustentou que o problema não afetou a metodologia, a coleta dos dados nem os resultados finais da pesquisa. A empresa informou que recorrerá da decisão e defende que a inconsistência foi corrigida assim que identificada pelos seus mecanismos internos de controle.

Embora a decisão seja provisória, o episódio reacende um debate recorrente sobre a fiscalização das pesquisas eleitorais e a necessidade de mecanismos que garantam confiança pública nos levantamentos divulgados durante campanhas. Em um cenário político cada vez mais polarizado, qualquer falha nos registros ou na transparência metodológica tende a alimentar questionamentos sobre a confiabilidade dos números apresentados ao eleitorado.

A suspensão não significa que a pesquisa seja necessariamente inválida, mas indica que a Justiça Eleitoral considerou existir dúvida suficiente para interromper sua circulação até que todas as informações sejam devidamente esclarecidas. O desfecho do caso poderá servir de referência para futuras discussões sobre controle, auditoria e transparência das pesquisas eleitorais no Brasil.

Com informações da Folha de S.Paulo, Poder360 e decisão do TRE-SC


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