
A partir de 1º de janeiro de 2026, pegar ônibus em Florianópolis vai pesar ainda mais no bolso de quem depende do transporte público para viver na cidade. A prefeitura confirmou um novo aumento nas tarifas, aprofundando uma lógica já conhecida pelos moradores: circular pela capital custa caro, e o custo recai sempre sobre os mesmos.
A passagem paga em dinheiro ou Pix passa a R$7,70. Mesmo quem utiliza cartão de transporte não escapa do reajuste. Florianópolis, que já liderava o ranking das passagens mais caras do país, segue tratando o deslocamento diário como mercadoria, não como direito.
O discurso oficial da prefeitura fala em contratos, custos e modernização. Mas, fora das notas da prefeitura, o que se vê é outra realidade: trabalhadores que gastam uma parte cada vez maior do salário para ir e voltar do trabalho, estudantes que reorganizam a rotina para caber no valor da passagem, moradores da periferia que passam horas em trajetos longos e pouco eficientes.
A decisão de acabar com o pagamento em dinheiro dentro dos ônibus, a partir de janeiro, reforça esse afastamento entre política pública e vida concreta. Em uma cidade marcada por desigualdades, exigir acesso a meios digitais como regra não é modernizar, é excluir.
Em seis anos, a tarifa acumulou aumentos que ultrapassam 80%. O dado não é apenas econômico, é político. Ele revela um projeto de cidade que escolhe encarecer o transporte coletivo em vez de fortalecê-lo como ferramenta de inclusão, bem-estar e garantia do direito à cidade.
Enquanto isso, quem mantém Florianópolis funcionando segue pagando a conta: não só no bolso, mas no tempo, no cansaço e na distância entre casa, trabalho e dignidade.
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