Milhares vão às ruas na Austrália em apoio à reforma dos direitos dos aborígenes

Sondagens recentes, no entanto, mostram que cerca de 60% dos eleitores se opõem à reforma, o que representa uma quase inversão da situação em relação ao ano passado.

 

Foto: Asanka Brendon Ratnayake – Agencia Anadolu.
Por Rádio França Internacional – RFI.

Milhares de pessoas foram às ruas neste domingo (17) em toda a Austrália para defender uma reforma histórica dos direitos indígenas, que será objeto de um referendo em 14 de outubro. As manifestações “Walk for Yes” (“Caminhe pelo Sim”, em tradução livre) aconteceram em diversas grandes cidades do país às vésperas desta votação que poderá conceder aos indígenas australianos o direito constitucional de serem consultados sobre as políticas que os afetam.

Mais de 200 anos após a colonização britânica, os povos indígenas – cujos antepassados ??viveram no continente durante cerca de 60 mil anos – têm expectativas de vida menores e níveis de escolaridade mais baixos do que outros australianos, além de serem significativamente mais propensos a morrer sob custódia.

“Acho que precisamos de uma voz no Parlamento, já era hora”, declarou Laurel Johnson, uma aposentada de 58 anos que trabalha em serviços comunitários indígenas e que se juntou às centenas de pessoas que participaram da manifestação em Sydney.

Cameron Lum, de 34 anos, afirmou que participava do evento para apoiar “mudanças há muito esperadas neste país”. “Acho que isso abre caminho para mudanças políticas massivas lideradas pelos povos das primeiras nações”, acrescentou ele.

Os apoiadores do “sim” também se reuniram em Melbourne, na capital Camberra, Perth, Brisbane, Darwin, Hobart e Alice Springs.

Reduzir desigualdades

Se adotado, este emblemático projeto de reforma do governo de centro-esquerda do primeiro-ministro Anthony Albanese poderia ajudar a reduzir estas desigualdades. Sondagens recentes, no entanto, mostram que cerca de 60% dos eleitores se opõem à reforma, o que representa uma quase inversão da situação em relação ao ano passado.

Os oponentes da proposta alegam que o projeto concederia privilégios especiais aos povos indígenas, ao mesmo tempo que acrescentaria uma camada desnecessária de burocracia. Eles deploram a falta de detalhes sobre a reforma, que seria desenvolvida pelo Parlamento se os votos “sim” prevalecerem.

Para ser adotada, a reforma deve obter o apoio da maioria em toda a Austrália no referendo, e também a maioria em pelo menos quatro dos seis estados. O voto é obrigatório e aqueles que se abstiverem sem motivo válido estarão sujeitos a uma multa de 20 dólares australianos.

(Com informações da AFP)

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