
De roupa preta e dourada, com 18 mil cristais costurados, ao som de “Black Magic Woman”, do roqueiro mexicano Carlos Santana, Donovan Carrillo é atração à parte nos jogos olímpicos de inverno de Pequim.
Este mexicano de 23 anos, nascido em Jalisco, quebra barreiras nesta edição olímpica. É o primeiro latino-americano classificado no programa livre de patinação artística – é o primeiro mexicano a chegar numa final do esporte. Na fase classificatória, terminou em 19º lugar. A final é na quarta-feira.
Reportagem do jornal “As” da Espanha revelou também a personalidade por trás do primeiro mexicano em 30 anos a participar da patinação em Jgos Olímpicos. A roupa de Carrillo é desenhada pelo famoso estilista mexicano Edgard Lozano, autor dos vestidos da modelo Andrea Meza, vencedora do Miss Universo em 2020.
Debaixo de tantos cristais e do ineditismo de sua participação em Pequim, Carrillo enfrenta homofobia em seu país – muitas delas manifestadas em suas redes sociais – e responde sem pestanejar.
– Não me incomoda que me chamem de gay porque não sou. Mas o que me incomoda é que usem a palavra gay para ofender ou como insulto para mim e para meu trabalho. É muito importante que desde criança os pais fomentem que futebol e basquete podem ser praticados por meninas, pois muitas vezes esses esportes são muito estereotipados. Igual à patinação – comentou ao “As”.
– Por trás de tudo isso está o sonho de um menino que nunca se rendeu.
Carrilo começou a patinar aos oito anos e também praticou natação e ginástica até se apaixonar pela patinação artística. Recebeu, além do incentivo da família, muitas doações. Fez rifas para conseguir dinheiro e seguir a carreira. Ele treinava em rinques de patinação artística de shoppings no México.
– A mensagem que deixo para os mexicanos é que não importa as adversidades, trabalhem duro e nunca se rendam.
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