
A Maratona Cultural de Florianópolis 2026 incluiu em sua programação a exposição sobre o bicentenário de Dom Pedro II, em cartaz no Museu Histórico de Santa Catarina, no Centro da capital. A mostra reúne porcelanas, cristais, medalhas, documentos e outros objetos ligados à realeza e à aristocracia do período imperial, compondo um panorama dos costumes e das dinâmicas sociais da época. A entrada é gratuita, e a visitação ocorre de terça a sábado, com horários variados.
Instalada no Palácio Cruz e Sousa, edifício histórico que chegou a funcionar como Paço Imperial durante a visita de Dom Pedro II a Desterro, em 1845, a exposição propõe uma imersão no Brasil do século XIX a partir de seu acervo material. As peças expostas evidenciam a influência da corte portuguesa e, posteriormente, da monarquia brasileira na transformação de hábitos cotidianos, especialmente entre as camadas mais abastadas da sociedade, como no uso de porcelanas finas e utensílios importados nas práticas de alimentação e sociabilidade.

A curadoria, assinada pelo pesquisador André Luiz Rigo, organiza os objetos de modo a destacar a presença da família imperial em Santa Catarina e a relevância simbólica da visita de Dom Pedro II à então Desterro, episódio que marcou a história política e cultural da província. O acervo também dialoga com a dispersão desses bens ao longo do tempo, especialmente após a Proclamação da República, quando parte significativa desse patrimônio foi perdida, saqueada ou incorporada a coleções privadas e museus no Brasil e no exterior.
Ao integrar a programação da Maratona Cultural, a exposição amplia o acesso do público a esse recorte histórico, inserindo-o em um circuito mais amplo de manifestações artísticas e culturais na cidade. Ao mesmo tempo, a mostra evidencia como a preservação da memória institucional tende a privilegiar determinados segmentos sociais, em especial as elites políticas e econômicas do período imperial, o que suscita reflexões sobre as narrativas históricas que são legitimadas nos espaços oficiais de cultura.

Nesse contexto, a visita à exposição não se limita à contemplação de objetos históricos, mas se configura também como uma oportunidade de problematizar os processos de construção da memória no Brasil. Ao apresentar vestígios materiais de um período marcado por profundas desigualdades, a mostra convida o público a refletir sobre os silêncios e ausências que atravessam a história oficial, especialmente no que diz respeito às populações marginalizadas durante o Império.
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