
Por Luiza Soeiro para Desacato.info.
Nesta segunda-feira, 19 de janeiro, trabalhadores, estudantes, lideranças sindicais e militantes ocuparam as ruas de Florianópolis para protestar contra o aumento da tarifa do transporte coletivo. A capital catarinense ostenta hoje a passagem mais cara do Brasil, fixada em R$ 7,70, valor que pesa diretamente no bolso de quem depende do ônibus todos os dias para estudar e trabalhar.
Um trabalhador que utiliza o transporte público de segunda a sexta-feira gasta, em média, R$ 4 mil por ano apenas com deslocamento. Um custo que revela uma contradição cruel: pagar para trabalhar, comprometendo parte significativa do salário em um serviço que deveria ser garantido como direito básico.
O ato reuniu representantes de diversas categorias, com forte presença de estudantes da UFSC, UDESC e secundaristas, além de dirigentes sindicais e movimentos populares. Ao final da manifestação, os participantes realizaram uma ocupação simbólica no TICEN, principal terminal de integração da cidade. A ação representou o gesto coletivo de tomar as rédeas do transporte público, denunciando a lógica mercantil que transforma a mobilidade em privilégio.
A mobilização reforça a defesa da tarifa zero, entendendo o transporte como um direito social fundamental. Em uma cidade cada vez mais cara, garantir o acesso à mobilidade é garantir também o acesso ao trabalho, à educação, à saúde e à vida na cidade.
A coordenadora-geral do DCE da UFSC, Isadora Miranda Dymow, destacou a importância histórica do movimento estudantil na luta pelo transporte público:
“Os estudantes de Florianópolis historicamente levantam a bandeira da luta pelo passe livre, pela tarifa zero, pelo direito de uso do transporte público. Fazer esse ato na rua e essa ocupação no terminal é muito significativo, porque existe essa crença de que o movimento estudantil ficou no passado. E a gente está aqui pra mostrar que é diferente, que a galera quer ir pra rua, quer lutar, quer construir.”
Isadora também ressaltou que a mobilização busca garantir condições dignas de estudo e trabalho:
“A gente quer ter o direito de estudar, de trabalhar, sem gastar grande parte do salário com transporte.”
Segundo ela, o ato ocorreu de forma tranquila, sem repressão, e contou com ampla participação da comunidade acadêmica:
“Teve bastante gente da UFSC, da UDESC, estudantes secundaristas também. Foi muito legal ver que a gente carrega a história daqueles estudantes que se manifestaram no começo dos anos 2000 e conquistaram o passe livre. A gente não vai abrir mão de lutar pelo que é nosso.”
A coordenadora reforçou que a mobilização não termina ali:
“Por mais que tenha sido um bom ato, o que a gente quer mesmo é que o aumento da tarifa seja revogado e que a gente conquiste o passe livre estudantil.”
A manifestação desta segunda-feira mostra que a luta por um transporte público acessível segue viva. Em uma cidade onde ir e vir custa caro demais, o recado ecoa: mobilidade não é mercadoria, é direito.
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