Livro identifica quem teria delatado Anne Frank aos nazistas

Investigação de seis anos aponta que Arnold van den Bergh contou à Gestapo onde Anne Frank e sua família estavam escondidos em Amsterdã

Foto: picture alliance/dpa

Como os nazistas descobriram o esconderijo de Ana Frank e sua família? Um mistério que perdura por décadas e, segundo um livro publicado nesta semana com base numa investigação liderada por um ex-agente do FBI, acabou por ser desvendado, depois de seis anos de pesquisas detalhadas.

O grupo de 30 investigadores identificou um notário judeu como o principal suspeito no mistério de quem traiu Anne Frank, a adolescente alemã de origem judaica que acabou por se tornar uma das personalidades mais conhecidas da Segunda Guerra após a divulgação póstuma do Diário de Ana Frank. Eles encontraram informações que corroboram a tese numa carta anônima.

De acordo com a investigação detalhada no livro A Traição de Anne Frank, da autora canadense Rosemary Sullivan, o notário judeu Arnold van den Bergh pode ter revelado o esconderijo de Ana Frank em Amsterdã. Ele deu aos ocupantes alemães uma lista com os locais onde os judeus estavam escondidos para salvar sua própria família. Entre os endereços fornecidos estava o anexo secreto onde residia a família de Anne Frank.

A principal evidência é uma cópia de uma carta anônima que Otto Frank, pai da adolescente, recebeu em 1946. Nela era mencionado o nome do notário. Segundo a equipe de investigação, essa pista era conhecida, mas ainda não havia sido analisada de forma mais aprofundada.

O notário Van den Bergh era membro do Conselho Judaico (um órgão administrativo que os nazistas forçaram os judeus a estabelecer para organizar deportações), por isso tinha muitos contatos e foi inicialmente protegido da deportação. Mas em 1944 sua proteção foi removida. E por isso ele acabou por divulgar os esconderijos de várias famílias judias – um ato de desespero, na esperança de poder salvar sua esposa, suas três filhas e a si mesmo.

A solução de um mistério histórico

O ex-investigador do FBI Vince Pankoke desempenhou um papel fundamental na investigação. No entanto, ele é cauteloso e afirmou que 77 anos após o fim da Segunda Guerra não há certeza absoluta. “Mas nossa teoria tem uma probabilidade de mais de 85%”, disse Pankoke à emissora alemã de rádio Deutschlandfunk.

O museu da Casa de Anne Frank afirmou que os resultados da investigação são uma “hipótese fascinante”, mas precisam de mais análises. O diretor-executivo do museu, Ronald Leopold, disse que dúvidas permanecem, especialmente sobre a carta anônima.

“É preciso ter muito cuidado ao demarcar alguém na história como traidor de Anne Frank, caso não tenha 100% ou 200% de certeza disso”, disse Leopold.

O objetivo da investigação não era acusar ninguém, mas resolver o mistério histórico de quem entregou a família de Anne Frank à Gestapo. Em 4 de agosto de 1944, os nazistas detiveram a família, que então acabou por ser deportada ao campo de concentração de Auschwitz. Em 30 de outubro de 1944, ela e sua irmã Margot foram levadas de Auschwitz para Bergen-Belsen. Anne Frank morreu lá no início do ano seguinte.

Apenas o pai Otto Frank sobreviveu à perseguição nazista. E foi sua secretária Miep Gies que guardou o diário de Anne Frank e deu ao empresário alemão após o fim da guerra. Ele se dedicou ao legado de sua filha até sua morte, em 1980, e publicou a primeira edição do diário em holandês em 1946 sob o título Het Achterhuis – A Casa dos Fundos.

Uma primeira tradução para o alemão foi feita em 1950. Em 1960, o livro já havia alcançado uma circulação mundial de mais de 3,5 milhões de cópias. Ainda hoje é um dos livros mais lidos do mundo.

Quem foi Anne Frank?

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