
Redação.- No domingo, 10 de agosto, Dia das Crianças no Chile, o frontispício do Museu de Belas Artes em Santiago se transformou em um espaço de denúncia e solidariedade. A intervenção artística “Carteiras quebradas sob o entulho” trouxe à tona uma realidade dolorosa: enquanto no Chile se celebrava a infância, em Gaza ela é sistematicamente destruída.
Sob os escombros de carteiras escolares quebradas, o cenário recriado evocava uma ausência ensurdecedora. Mas quem se aproximava e escutava com atenção podia ouvir, em sua mente, o som de crianças em sala de aula — risos, brincadeiras, aprendizado. Um som que hoje está silenciado em Gaza, onde quase todas as escolas foram bombardeadas.
Um grito contra o genocídio infantil
A ação, organizada por ativistas e artistas chilenos, foi um grito visual contra o genocídio e o apartheid que afetam a infância palestina. Com cartazes, instalações e dados verificados, o evento buscou alertar sobre a devastação de uma geração inteira.
“Enquanto o mundo se cala, eles resistem sob as bombas. Enquanto governos negociam, suas infâncias são roubadas”, dizia um dos manifestos expostos.
Os números que ferem
Segundo dados compilados entre outubro de 2023 e meados de 2025:
- Mais de 17 mil crianças foram mortas em Gaza. A UNICEF estima cerca de 28 mortes infantis por dia.
- Pelo menos 100 crianças morreram de desnutrição, e mais de 19 mil foram tratadas por desnutrição aguda.
- Cerca de 1 milhão de crianças foram deslocadas repetidamente.
- Mais de 34 mil crianças ficaram feridas, incluindo 4.700 amputações — um terço delas em menores.
- Entre 22.900 e 24.300 crianças perderam um ou ambos os pais.
- Aproximadamente 658 mil crianças perderam acesso à educação, com mais de 95% das escolas destruídas.
- Quase todos os 1,1 milhão de crianças em Gaza precisam de apoio psicológico.
- Nenhum dos 38 hospitais funciona plenamente, configurando uma catástrofe de saúde pública.
Um chamado à ação
A intervenção foi realizada das 10h às 18h e atraiu centenas de pessoas. Mais do que uma exposição, foi um ato de resistência e empatia. “Não é um conflito, é o apagamento de uma geração”, afirmaram os organizadores.
O evento terminou com palavras de ordem que ecoaram entre os presentes:
“Não ao infanticídio. Não ao silêncio cúmplice. Toda criança tem o direito de existir.”
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