Honduras – Florianópolis, 5 anos

Bandera Honduras 2

Por Raul Fitipaldi, para Desacato.info

Como em toda atividade da vida, no jornalismo também há fatos que nos marcam mais do que outros. O Golpe de Estado em Honduras, de 28 para 29 de junho de 2009, aproximou a Capital catarinense à irmã república de Francisco Morazán de forma impensada e histórica, para nós e para os hondurenhos. Esse vínculo, o mantemos e alimentamos até hoje. Irmãos numa linha de luta que nossos próceres traçaram e à qual não devemos trair: a Unidade da Nossa América, latina e caribenha.

Passaram-se 5 anos desde que, de uma caverna da história, o incesto do pai imperial e seus lacaios das oligarquias regionais produziu um Golpe de Estado, crivando de balas a casa do presidente constitucional, José Manuel Zelaya Rosales, e assassinando a frágil democracia catracha, perseguindo e matando sua gente e dezenas de jornalistas. A tortura, o saqueio, a mentira, a união viciosa do poder burguês com os meios monopólicos precisava ser quebrada, e aí, em decisão militante e jornalística, foi em Florianópolis, onde encontraram eco para abrir os rios da verdade em favor dos excluídos. Assim como nosso Portal Desacato, a Revista Pobres & Nojentas e o blog Honduras é logo ali, tiveram a dura e amorosa tarefa de estar na primeira linha dessa rotura do bloqueio classista dos lacaios do imperialismo.

Para Desacato.info o vínculo com Honduras se mantém vivo até hoje. Não só pela relação afetiva e jornalística que temos com aquele povo, com jornalistas tais como Ronnie Huete Salgado, Ronny Martínez, David Romero Ellner, com escritores de grande valor como Roberto Quesada e Ricardo Salgado Bonilla, mas também, com os espaços da Resistência ao Golpe, da qual nos sentimos parte indivisível. O que acontece em Honduras é prioridade editorial e humana para nós.

Coube-nos também viver a tensão impensada em tempos em que a internet já nos unia ao mundo com só clicar. Devo lembrar dias inteiros trancados em casa, com minha filha Allisson, que já não está entre nós e foi aquela que me mantinha acordado para poder seguir rompendo os muros. Sofremos, vibramos, choramos e escrevemos juntos sem pausa. Fizemos jornalismo e militância latino-americana com orgulho de defender os pobres da Pátria Grande. Falando por e para Rádio Globo Honduras via telefone, via Skype, mesmo quando a rádio se tornou clandestina e Rony e David precisaram fugir por uma sacada, se esconder e transmitir desde um pequeno quarto da periferia.

A sensibilidade humana e jornalística fez com que os colegas Celso Martins e Elaine Tavares, cada um na direção dos seus veículos alternativos, compartilharam conosco esta gesta de irmandade que além de inesquecível foi modelo pedagógico para novos jornalistas que se comoveram e interessaram por aqueles fatos. Nossa jovem companheira Larissa Cabral foi exemplo extraordinário de valor quando decidiu que o tema do seu trabalho de conclusão de curso de jornalismo seria o Golpe em Honduras. Jornalismo sob a Mira do Fuzil titulou o trabalho e lá foi, abrindo seus sonhos de jornalista comprometida que depois de descer no perigoso Toncontín se conduziu por 15 dias em intenso percurso pela pátria de brancos, negros, misquitos, lenkas, jovens e mulheres, homens camponeses, todos em luta pela liberdade.

Épica Honduras que não sai da memória. Gloriosa Pátria Grande que definiu nosso destino, nosso amor e nossa responsabilidade de colocar a comunicação a serviço dos invisíveis, sejam pessoas, animais, territórios ou países. Aqueles que merecem todo nosso sonho de paz, justiça e liberdade, quando buscamos Outro Mundo Possível e Urgente.

Te abraço Honduras, e com meu abraço o abraço eterno da minha filha. Obrigado pelo que nos ensinas em tua luta cotidiana, 5 anos depois do golpe cruel; há mais de 500 na luta abraçada da América Latina e Caribenha, em busca da definitiva independência.


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