Exposição gratuita apresenta obras têxteis sobre a Erva-mate

As etapas da planta, seus simbolismos e significados para a cultura Kaingang, o ritual do chimarrão que acontece cotidianamente na comunidade, são alguns dos pontos abordados no projeto que traz como objetivo evidenciar a erva-mate como cultura e memória regional.

Foto: Divulgação

Por Camila Almeida.

Está aberta para visitação gratuita até 29/06 na Universidade Federal Fronteira Sul, em Chapecó, a exposição têxtil “Tramas e Fios da Memória – a Erva-Mate”. Idealizada pela artesã Juliane Maria Fornari, o trabalho reúne doze obras que abordam os saberes ancestrais do artesanato e a história da erva-mate enquanto Patrimônio Cultural Imaterial do Mercosul.

A UFFS é a segunda parada do projeto que já passou pelo Programa Viver, no Bairro Quedas do Palmital e, na sequência, segue para o Hall do Supermercado Celeiro Sul, no Bairro Universitário. “Pensamos em uma exposição que chegue na comunidade, que vá além de espaços convencionais e seja inserida no cotidiano. Onde as pessoas estão, na sua rotina diária, humanizando espaços de circulação, difundindo e valorizando a pesquisa autoral do artesanato aqui em nossa região”, enfatiza Juliane.

O projeto, criado a partir do diálogo intercultural em diferentes áreas do conhecimento, como a antropologia, as artes visuais, o design e o artesanato, teve sua pesquisa e criação desenvolvidas ao longo do último ano por meio do Edital de Chamamento Público nº 031/2025 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura em Chapecó.

O trabalho criativo de três artesãs integra a concepção dos trabalhos. A base do processo criativo se desenvolve a partir do artesanato kaingang da artesã Maria Rosângela de Oliveira Carvalho, moradora da Terra Indígena Xapecó. O artesanato têxtil de Juliane Maria Fornari, junto aos pontos minuciosos da bordadeira Joçânia Maria Fornari, com o suporte e a orientação científica da antropóloga Dra. Adiles Savoldi, dão forma às várias etapas da vida da planta, da semente à floração, elementos e curiosidades da botânica, representações pictóricas e táteis que mapeiam as fases e os simbolismos da erva-mate.

Acessibilidade cultural

Um dos pontos importantes do compartilhamento do projeto com o público  é o desenho de sua política de acessibilidade cultural. A pesquisa nasce acessível, desde a sua proposta escrita, o planejamento, o desenvolvimento das ações, através de assessoria especializada. As telas totalmente táteis para pessoas cegas dispõem de legendas e textos de conceito inteiramente transcritos para o sistema Braille, além de criar um inédito glossário de texturas que funciona como um vocabulário tátil, para que o público cego ou de baixa visão compreenda detalhadamente de onde vem cada elemento utilizado na obra.

“Por, por exemplo: a pequena folha de erva-mate feita de trançado indígena, que veio dos miolos do cipó, que veio da planta guaimbé do alto das árvores, a variedade de fios, pontos e materiais aplicados, tudo isso integra um glossário de textura que objetiva tornar essa uma exposição também para pessoas cegas”, explica a idealizadora do Projeto.

A circulação contará com visitas mediadas em parceria com a Associação de Deficientes Visuais do Oeste de Santa Catarina (Adevosc) e ainda desenvolveu, em sua primeira etapa, junto à Associação de Surdos de Chapecó, visita mediada com interpretação em Libras.

Programe-se

15/06 a 29/06 – Exposição na UFFS

Local: Hall da Biblioteca

04/07 – sábado – Abertura Exposição  Supermercado Celeiro Sul com roda de mate

Local: Hall do Celeiro Sul – Bairro Palmital

Horário: 10h

Acompanhe outras informações pelas redes sociais da artista: @mariasateliechapeco .


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