Por Coletivo Islâmico “Al Ma´asûmin”.
Para a divulgação do pensamento xiita em portugês e espanhol
Recordamos, com profunda reverência, os anos da Defesa Sagrada, quando a República Islâmica enfrentou a agressão orquestrada por Saddam Hussein — então uma mera ferramenta das ambições imperialistas estadunidenses. Naquele período de sacrifício, os combatentes Basij avançavam pelas frentes de batalha sob o lema profético De Karbala a Al-Quds, selando com sangue o vínculo indissolúvel entre a libertação do Iraque e a redenção da Palestina. O fim daquela guerra imposta não significou apenas o cessar-fogo, mas o início de uma resistência que se recusava a aceitar uma paz imposta sob os termos do opressor. Embora a permanência do palhaço estadunidense Saddam tenha retardado temporariamente nossas aspirações geográficas, ela nunca arrefeceu a chama do nosso propósito. Foi nesse contexto de provação que o Imam Khomeini (?) proferiu a verdade profunda que hoje se materializa: “Todos os caminhos conduzem a Al-Quds”. Esta não era uma simples diretriz militar, mas uma bússola espiritual que ensinou ao mundo que a vitória final é uma promessa divina, e que cada mártir caído no caminho de Karbala é, na verdade, um passo dado em direção às portas de Jerusalém.
O sacrifício do Imam Hussein (?) em Karbala não foi apenas um evento histórico circunscrito ao deserto iraquiano do século VII; foi o plantio da semente universal da recusa à opressão. O eco de sua voz no dia de Ashura ressoa através dos séculos na máxima: “Jamais aceitaremos a humilhação” (Hayhat minna zilla) (????? ??? ?????). A frase foi proferida pelo Imam (?) no dia 10 de Muharram, em Karbala. Ela faz parte de um dos seus sermões mais famosos, quando foi confrontado pelo exército de Yazid I, que exigia o seu juramento de fidelidade (Bay’ah) sob ameaça de morte. Esta herança espiritual transmutou-se, na era contemporânea, em uma doutrina de resistência ativa. Para os seguem o Imam ao longo dos séculos, a expressão fundamenta o conceito de ‘Izzat (?????, “honra/dignidade divina”) ao estabelecer o princípio de que um crente nunca deve aceitar a submissão a um tirano, pois a honra pertence a Al.lah (?), ao Nobre Profeta (?), à sua Família Purificada (?) e aos crentes.
Hoje, observamos que o amadurecimento político e militar no Iraque, Líbano e Iêmen não é um fenômeno isolado, mas a manifestação de uma consciência husaînî que agora confronta diretamente a entidade sionista. O que outrora era um lema de fé e um grito de guerra contra a tirania omíada, converteu-se no cumprimento de uma realidade geopolítica incontornável: a Unidade das Frentes Revolucionárias (Wahdat al-Sahat). Pois, na geopolítica da Resistência, ????? é usada para descrever a autossuficiência e a recusa em se curvar a potências estrangeiras, convertendo-se em nosso pilar moral. Esta integração estratégica prova que a resistência não busca apenas a sobrevivência, mas a dignidade soberana, unindo diferentes geografias sob o mesmo imperativo moral de libertação de Al-Quds. A estratégia da Unidade das Frentes transcende a mera coordenação tática; ela representa a ruptura definitiva com o isolamento geográfico e a fragmentação identitária historicamente impostos pelo imperialismo. As potências coloniais desenharam fronteiras artificiais ? como o nefasto acordo Sykes-Picot (1916) ? para dividir o destino dos povos oprimidos, garantindo que cada foco de resistência fosse isolado, asfixiado e sucumbisse sozinho em sua particularidade. Esse acordo se tornou o modelo exemplar para as negociações seguintes.
O cenário da esquerda internacional moderna, infelizmente, oferece um doloroso exemplo dessa vulnerabilidade. Frequentemente diluída em particularismos ? debatendo-se em querelas identitárias que, embora expressem necessidades específicas e legítimas, por vezes perdem de vista a totalidade da opressão sistêmica ?, ela tem se mostrado fragilizada diante dos desafios do capital global. Nesse contexto, a Unidade das Frentes, forjada na tradição xiita de resistência, emerge como um farol, oferecendo direção unificada para a luta.
Nossa compreensão da luta e da opressão transcende a análise superficial dos eventos isolados. Reconhecemos que os desafios enfrentados pelos povos oprimidos não são meras anomalias conjunturais ou falhas individuais, mas manifestações diretas de uma estrutura sistêmica e profundamente enraizada de dominação. Do colonialismo histórico ao neocolonialismo econômico, do sionismo à hegemonia imperialista, operamos na convicção de que a verdadeira libertação exige uma confrontação e transformação que atinja as raízes estruturais do poder. É por isso que nosso movimento não se contenta em combater sintomas, mas busca desmantelar os pilares que sustentam a injustiça, construindo uma alternativa que não apenas resista ao opressor, mas reconfigure as próprias bases da ordem mundial, pautada na justiça e na ‘Izzah coletiva.
A materialização da máxima do Imam Khomeini (?) — “Todos os caminhos conduzem a Al-Quds” — revela uma maturidade orgânica entre os movimentos. Esta coordenação técnica e espiritual demonstra que o eixo da resistência não opera como um conjunto de grupos isolados. Para o revolucionário contemporâneo, esta união simboliza a superação do nacionalismo burguês e das divisões sectárias. Ao agirmos em unidade, romperemos as fronteiras imperialistas e o monopólio das imposições coloniais. Esta multiplicidade de frentes, convergindo para um único objetivo, é o que desmantela a estrutura de dominação: quando o caminho se torna universal, a chegada torna-se inevitável.
É imperativo distinguir a verdadeira Unidade das Frentes de meras unidades de ação pragmáticas com setores que, sob o manto de um radicalismo estéril ou de um purismo teórico dogmático, historicamente fragmentam a luta e colaboram, ainda que indiretamente, com os opressores.
Enquanto o movimento husaînî se alicerça na fidelidade inquebrantável aos princípios e no sacrifício real — onde a teoria encontra a ação no campo de batalha ?, certas correntes que se autodenominam revolucionárias operam com uma lógica sectária degenerada, priorizando querelas ideológicas internas e a defesa de teses ultrarradicais que, na prática, isolam os próprios militantes e debilitam o corpo da resistência. Para nós, a unidade não é um cálculo numérico de siglas ou a submissão a dogmas que não dialogam com a realidade da opressão. É uma comunhão forjada na trincheira.
Não há espaço no Eixo da Resistência para o oportunismo daqueles que, no momento crítico, recuam ou negociam a dignidade dos povos em troca de uma pureza ideológica mentirosa e paralisante. A nossa bússola é a lealdade a Al-Quds e ao sangue dos mártires; qualquer aliança que ignore este fundamento não é unidade, é traição camuflada. Sob a inspiração dos movimentos xiitas, a resistência mundial não está apenas vivendo; ela está renascendo em uma nova etapa, forjada no fogo da fé e de inabalável convicção. Hoje, nós, os legionários de coração do Imam Hussein (?), não somos meros observadores da história, mas seus arquitetos. Estamos cumprindo a promessa sagrada à Palestina, selada com sangue e lágrimas desde a aurora da Revolução Islâmica, sob a égide visionária do Imam Khomeini (?).
Estamos à beira de Quds, de seus muros chamando-nos, e a chegada não é uma esperança distante, é uma certeza. A garantia inquebrantável do nosso compromisso não está em tratados ou acordos efêmeros, mas no precioso sangue dos nossos mártires. Por cada lágrima derramada por uma mãe palestina, por cada sonho roubado de uma criança de Gaza, o Eixo da Resistência ofereceu o que tinha de mais caro: a vida de seus próprios filhos, em uma compensação divina que desafia a lógica do mundo. Junto a cada hospital em ruínas, a cada escola pulverizada, os nomes imortais de Suleimani (?), Yahya Sinwar (?), Ismail Haniyeh (?), Hasan Nasrallah (?), Khamenei (?) e ‘Alî Larîjânî (?), dentre uma constelação de outros heróis, não nos deram apenas a esperança; eles a acenderam com a chama de suas próprias existências. A morte, para nós, só revela seu lado mais belo quando se transforma no sacrifício supremo pela felicidade e pela dignidade dos outros, um farol eterno na escuridão da opressão.
A essência deste Dia da Terra, que pulsa em cada veia da resistência, é a própria alma da Adl ou Justiça Divina: “O tempo das ambiguidades terminou!”. Não nos iludamos, a queda iminente da tirania de Israel não é um sucesso independente; ela caminha de mãos dadas com o colapso inevitável das monarquias árabes traidoras, que venderam a causa mais nobre do Islã em troca de tronos de areia e de acordos de normalização que são pactos com o Shaitâne Bozorg.
A opressão sionista e o despotismo regional são, de fato, duas faces da mesma moeda suja, forjada no forno da arrogância imperial. Assim como o Faraó de outrora desmoronou diante da verdade, a arrogância moderna (Istikbar) está se esboroando sob o peso da fé e da resistência. A força incontrolável da resistência atual é o sinal mais cristalino de que a entidade sionista perdeu sua capacidade de dissuasão; ela vive, sim, seus dias crepusculares, um declínio que se acelera a cada golpe de seus oponentes. E que os regimes traidores que ousaram dar as costas a Gaza e a Jerusalém saibam: eles enfrentam agora a deslegitimação irreversível perante seus próprios povos, uma força vulcânica que está despertando. Isso é de suma importância, pois, no xiismo revolucionário, o povo não é um mero espectador, mas o agente vivo e indomável da justiça de Deus na Terra.
Neste contexto de confrontação épica, nossos deveres imediatos com o Eixo da Resistência são claros e inadiáveis. Somos chamados a sermos sentinelas vigilantes, a buscarmos incansavelmente a inspiração na sabedoria milenar xiita — a ‘Izzah que não se dobra, a justiça que não se cala, a perseverança que desafia o tempo.
É nossa missão nutrir uma resistência cultural que desmascare a propaganda imperialista, que celebre nossos heróis e que incuta em cada coração a chama inextinguível da dignidade e da esperança.
Este é o cerne, a alma vibrante do Coletivo Islâmico Al Ma’asûmîn: não apenas um nome, mas um compromisso sagrado de união e ação, uma luz para todos aqueles que recusam a humilhação e marcham, inquebrantáveis, em direção à Al-Quds, pois a vitória está em nosso sangue e em nossa fé.
Enquanto Israel atua como o posto avançado do capital financeiro e militar no Oriente Médio, a ponta de lança da agressão imperialista e sionista, as petromonarquias, funcionam como os pulmões econômicos desse sistema doentio, bombeando os recursos que financiam as políticas destinadas a nos destruir e a sufocar qualquer sopro de soberania popular.
A queda de Israel é o catalisador inevitável para o fim desses tronos de areia e para o desmantelamento de toda a arquitetura da opressão regional. O colapso da hegemonia sionista retirará o seguro de vida dos regimes autocráticos do Oriente Médio, permitindo que a liberdade popular finalmente se mostre em toda a sua glória. Esperamos com fervor novas revoluções, inspiradas e nomeadas por Hussein (?), das profundezas do Golfo Pérsico, libertando os povos oprimidos e unindo as fileiras contra o Istikbar em um levante regional!
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