Cia. de Achadouros encerra circulação de infantil inspirado em Manoel de Barros com sessão na Mostra de Teatro de Ilha Solteira

Por Eliane Verbena, Assessoria de imprensa – VERBENA Comunicação.

O espetáculo Os Lavadores de Histórias, da Cia. de Achadouros, chega a Ilha Solteira no dia 10 de setembro, sábado, às 17h, encerrando circulação por sete cidades paulistas margeadas pelo Rio Tietê. A sessão acontece na Casa de Cultura Rachel Dossi, integrando a programação da Mostra de Teatro de Ilha Solteira, com ingressos gratuitos.

Inspirada na poesia do cuiabano Manoel de Barros, a peça – dirigida por Tereza Gontijo com dramaturgia de Silvia Camossa – fala sobre memórias da infância que foram esquecidas, mas guardadas em objetos abandonados. A montagem foi indicada ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem nas categorias Direção Revelação e Trilha Musical Adaptada.

Os Lavadores de Histórias são Urucum, Tom Tom e Jatobá, interpretados pelos atores palhaços Emiliano FavachoMariá Guedes e Felipe Michelini, respectivamente. Durante a noite, visitam quintais para lavar objetos esquecidos ou abandonados, como brinquedos e roupas, e reviver momentos da infância. Eles carregam consigo o Rio da Memória. Nas águas desse rio vão lavando os objetos, revelando histórias, fantasias, personagens e brincadeiras. Eles ficam tocados, mas também se divertem muito com os segredos revelados. Por meio de cenas cômicas e circenses, teatro de sombras e objetos, o espetáculo faz uma sensível reflexão sobre a relação da criança com o mundo real e o da imaginação, lançado um olhar lúdico e poético sobre a infância.

A circulação, que já passou por Suzano, Salesópolis, Santana de Parnaíba, Pereira Barreto, Botucatu e Pirapora do Bom Jesus, contemplou sete cidades do interior paulista, banhadas pelo Rio Tietê, numa referência ao Rio da Memória presente no enredo da peça. O Rio Tietê, que nasce em Salesópolis (Serra do Mar), percorre grande parte do estado de São Paulo e deságua no Rio Paraná. A agenda seguiu o trajeto do rio em direção a Mato Grosso, onde nasceu Manoel de Barros.

Três ações acompanham o espetáculo: Varal de Memórias (instalação cenográfica interativa onde o público pendura suas histórias e lembranças da infância), Programa Lúdico (contém jogos e brincadeiras com temas relacionados à peça) e Mini Documentário (gravação de depoimentos e relatos do público sobre a relação com o rio da sua cidade, registros da circulação e bastidores, que será disponibilizado no YouTube).

Tendo como ponto de partida a potente e delicada poesia Manoel de Barros (1916-2014, Cuiabá/MT), Os Lavadores de Histórias valoriza as pequenas coisas, a beleza contida nas sutilezas, a graça do imaginar, as brincadeiras espontâneas e colaborativas e o contato com a natureza. Os atores fizeram uma imersão na obra do poeta e foram para as ruas do bairro São Mateus, em São Paulo, em busca de histórias reais da memória afetiva de moradores antigos e crianças. “Um dos poemas de Manoel de Barros que mais nos inspirou foi Desobjeto, que fala sobre usar a imaginação para dar novos sentidos e funções a um objeto, transformá-lo em outra coisa na hora de brincar”, comenta Felipe Michelini. Os protagonistas revelam que lembranças de suas próprias infâncias e de outras pessoas envolvidas na produção também estão no enredo.

Urucum, Tom Tom e Jatobá sabem que as coisas esquecidas nos quintais guardam muitas histórias de meninos e meninas que cresceram e não lembram mais das brincadeiras e dos sonhos. As histórias surgem à medida que objetos e brinquedos são lavados e revelados. Entre as cenas está O menino que queria voar: um lençol manchado revela o garoto que queria viajar pelo mundo. Às vezes, fazia xixi enquanto dormia e se escondia embaixo da cama, sonhando em voar e unir os quatro continentes. Tem também A menina triste que descobre o que a faz feliz: um lenço colorido traz a história da menina que vivia triste até conhecer um garoto mágico (inspirada em conversas com a sambista Tia Cida, moradora da região de São Mateus). Ela o encontra quando vai buscar lenha e o acompanha até o acampamento cigano, descobrindo ali o seu amor pela música. Em O menino que vai para a lua com o amigo imaginário, um sapato velho se transforma em interfone secreto para anunciar a missão da primeira criança a pisar na lua (história do ator Felipe). Em A menina que encantava os passarinhos, uma velha escova de cabelos traz para a cena a história de uma rádio de passarinhos (memória da atriz Mariá). Muitas aves participam da programação: a andorinha dá receita de bolinho de chuva (chuva mesmo!); o tico-tico, que voa alto, faz a previsão do tempo; no futebol, os jogadores são pássaros; e a radionovela dramatiza a história do menino que ficou chateado porque ia ganhar uma irmãzinha, não um “irmãozinho para brincar”, mas descobre a alegria dessa nova relação (história de Emiliano).

FICHA TÉCNICA  Dramaturgia: Silvia Camossa. Direção: Tereza Gontijo. Elenco: Emiliano B. Favacho (Urucum), Felipe Michelini (Jatobá) e Mariá Guedes (Tom Tom). Cenografia: Alício Silva e Bira Nogueira. Figurino: Cleuber Gonçalves. Iluminação: Giuliana Cerchiari. Adereços: Clau Carmo e Cia. de Achadouros. Pesquisa Musical: Emiliano B. Favacho e Tereza Gontijo. Músicas: Kevin Macleod. Edição de som: Emiliano B. Favacho e Rodrigo Régis. Voz em off: Evandro Favacho. Grafite/painel: Celso Albino. Operação de som: José Olegário Neto. Operação de luz: Francisco Renner. Preparação corporal: Ana Maíra Favacho e Erickson Almeida. Registro em vídeo, edição e fotografia: Cidcley Ulysses Dionísio. Design gráfico: Nathalia Ernesto. Produção: Leneus Produtora de Arte. Assessoria de imprensa: Eliane Verbena. Fotos/divulgação: Giuliana Cerchiari. Idealização: Cia. de Achadouros. Realização: Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Cultura e Economia Criativa – Edital ProAC Expresso – 08/2021 – Público Infanto-Juvenil / Circulação.

 

Mostra de Teatro de Ilha Solteira

Espetáculo: Os Lavadores de Histórias

Com: Cia. de Achadouros – @ciadeachadouros

10 de setembro. Sábado, às 17h

Casa da Cultura Rachel Dossi

Praça dos Paiaguás, s/n – Centro. Ilha Solteira/SP

Grátis. Duração: 50 min. Livre (recomendação: 4 anos).

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