A turma do Cabidão: o novo ataque ao Estado brasileiro

No episódio mais recente de Luz Inesperada, a professora e sindicalista Elenira Vilela desmonta o discurso da chamada reforma administrativa e explica por que a proposta deveria ser chamada de PEC do Cabidão — um projeto que, segundo ela, “não reforma nada, destrói o Estado brasileiro que atende o povo”.

Com seu tom afiado e irônico, Elenira passa a semana política a limpo: da PEC da Bandidagem, que livrava parlamentares condenados, à nova ofensiva da elite política e econômica contra os direitos conquistados desde a Constituição de 1988.

Ela lembra que a Carta de 88 foi um pacto social mínimo depois da ditadura, mas desde então vem sendo sabotada por uma burguesia que “não suporta ver o povo com direitos, dignidade e voz”.

A professora detalha os bastidores da proposta conduzida pelo deputado Hugo Mota (Republicanos-PB) — apelidado de “Hugo Nem Se Importa” — e denuncia o “time do retrocesso” formado por ele, Pedro Paulo (PSD-RJ) e Zé Trovão (PL-SC): um trio que, nas palavras da apresentadora, “representa a velha elite, o nepotismo e a misoginia institucional”.

Segundo Elenira, a PEC destrói pilares do serviço público como a estabilidade, o concurso público e as políticas de Estado, abrindo caminho para o retorno do “cabidão de empregos” e da corrupção via terceirizações e contratos com ONGs e empresas privadas.
“Eles querem acabar com a estabilidade porque o servidor estável é o único que pode denunciar corrupção e defender o cidadão”, afirma.

Entre ironias e análises afiadas, Elenira também aponta o papel da pressão popular que barrou a PEC da Bandidagem no Senado, e convoca a sociedade a repetir o feito contra a PEC do Cabidão:

“Não é reforma, é destruição. E quem vai pagar a conta é você, cidadão, que vai ter serviço ruim e pagar duas vezes por ele — no imposto e no privado.”

O programa termina com um chamado direto à ação:
que a população cobre seus deputados nas redes, exija que não assinem o requerimento que ressuscita a PEC, e lembre nas urnas quem se aliou “aos bandidos e aos herdeiros das capitanias hereditárias”.


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