
Por Correspondente.
Nas Américas, porém, o deslocamento forçado continuou aumentando, passando de 20,3 milhões de pessoas em 2024 para 22,8 milhões em 2025 (de um total mundial de 117,8 milhões), e os venezuelanos permanecem entre as maiores populações deslocadas do mundo, destacou a Acnur.
No ano passado, as agências das Nações Unidas registraram que pelo menos 7,9 milhões de venezuelanos migraram nas últimas duas décadas, dos quais 6,9 milhões foram para países e territórios da América Latina e do Caribe.
As Américas agora ocupam a posição de principal região do mundo em números de deslocamento forçado, impulsionadas pelas crises no Haiti, Nicarágua, norte da América Central, Colômbia e Venezuela. Em seguida aparecem a África Oriental e Austral, e o Oriente Médio e Norte da África.
A Acnur destaca que “os retornos à Venezuela aumentaram nos últimos anos”, e uma pesquisa recente da agência realizada em seis países de acolhimento revelou que cerca de 9% dos venezuelanos deslocados pretendem retornar ao seu país dentro de um ano.
“Para refugiados demais, o deslocamento começa como uma tábua de salvação, mas dura a vida inteira”, afirmou Barham Salih.
Isso “evidencia a necessidade de apoiar tanto a inclusão nos países de acolhimento quanto as condições para um retorno seguro e sustentável”, ressalta a Acnur.
Ao mesmo tempo, a agência destaca que “a região se sobressai por sua liderança em solidariedade e pelos avanços em soluções, demonstrando que inclusão e responsabilidade compartilhada produzem resultados concretos”.
A Colômbia é o principal país de acolhimento do mundo, com 2,8 milhões de refugiados e outras pessoas que necessitam de proteção internacional, em sua maioria provenientes da Venezuela.
Os esforços de regularização em larga escala realizados pelo país permitiram que milhões de pessoas tivessem acesso ao emprego e a serviços, contribuindo significativamente para a economia e para as comunidades onde vivem, ressalta a Acnur.
A agência informa que, cada vez mais, os países da região estão passando de respostas emergenciais para políticas de inclusão, com soluções inovadoras em países como Brasil, Costa Rica e México, incluindo acesso à documentação, integração ao mercado de trabalho e parcerias com o setor privado.
Carlos Murillo, representante da Acnur para as Américas, declarou que na região “a solidariedade e a responsabilidade compartilhada não são conceitos abstratos: produzem resultados reais para as pessoas e para a sociedade”.
“Do Brasil ao México, do Peru ao Equador, do Canadá à Colômbia e além, os países da região estão demonstrando que, quando os refugiados são incluídos, eles contribuem, as economias crescem e as comunidades se fortalecem”, afirmou Murillo.
Além das Américas, o relatório da Acnur “Tendências Globais do Deslocamento Forçado 2025” apresenta dados encorajadores à primeira vista: 5,4 milhões de pessoas fugiram da violência e da perseguição no ano passado, um número que reflete uma leve melhora.
Além disso, quase 46 mil pessoas apátridas adquiriram cidadania em 24 países.
O dado mais impressionante é o dos retornos: 14,7 milhões de deslocados regressaram às suas regiões ou países de origem, incluindo 4,4 milhões de refugiados e 10,3 milhões de deslocados internos.
Afeganistão, Síria e Sudão concentraram os maiores movimentos de retorno. No entanto, o alerta é claro: muitos desses regressos ocorreram sob pressão e para locais onde as condições de vida permanecem precárias.
O lado mais duro da crise é o dos refugiados presos ao exílio durante anos.
O relatório revela que 70% dos refugiados vivem em situação de deslocamento prolongado, muitos deles abaixo da linha da pobreza, dependentes de ajuda humanitária que lhes permite sobreviver, mas não recuperar o controle sobre suas próprias vidas.
O alto comissário da ONU para os refugiados, Barham Salih, afirmou que “para refugiados demais, o deslocamento começa como uma tábua de salvação, mas dura a vida inteira”.
“A ajuda humanitária salva vidas, mas não é o ponto final e não permite que os refugiados se tornem agentes ativos do seu próprio futuro. Precisamos de uma mudança de paradigma que crie um novo sentimento de esperança e oportunidade para as pessoas que fogem da guerra e da perseguição”, concluiu Salih.
Este texto foi publicado inicialmente pela Inter Press Service (IPS)
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