Greve em Florianópolis aumenta pressão em meio a agendas ocultas do prefeito

Por Amanda Miranda.

A greve dos servidores municipais de Florianópolis começou no dia 23 de abril e ultrapassa a sua primeira quinzena, expondo o autoritarismo do prefeito Topázio Neto, que há cerca de dois anos decidiu assumir o bolsonarismo sem qualquer pudor. Primeiro, reagiu com rispidez aos servidores em vídeo de rede social enquanto estava nos Estados Unidos em uma agenda muito mal documentada. Depois, vieram cortes de salário e demissões.

Essa tática para inibir movimentos reivindicatórios de trabalhadores é das mais grosseiras e revela pouca disposição para o diálogo. O Sintrasem, que é o sindicato que representa os servidores, tem uma atuação política forte e de tensionamento político com o prefeito, mas isso não ocorre à toa.

Topázio Neto representa a transformação da prefeitura em uma empresa, naquela tradição de “prefeitos empreendedores” que acabam trazendo um pacote bem conhecido de sucateamento de serviços. Não há experiências conhecidas e exitosas de gestão pública baseada em gestão empresarial porque são coisas completamente diferentes, com finalidades diferentes: empresas visam o lucro e o fazem a partir da exploração da mão de obra do trabalhador; a gestão pública só existe quando o trabalho é justo e voltado para o bem comum.

O prefeito da Capital, no entanto, parece não saber. Isso abre brechas até para que tome decisões e marque agendas pouco transparentes – algo completamente corriqueiro no meio empresarial, mas que beira à ilegalidade no serviço público. Conforme contei aqui duas semanas atrás, ele estava em agenda nos Estados Unidos quando a greve começou e até hoje não sabemos o que ele trouxe na bagagem.

Ao contrário, essa semana uma nova informação sobre a viagem deixou tudo ainda mais nebuloso: Topázio iria para um evento do Google, em Las Vegas, mas as datas do evento não bastavam para completar os oito dias de diárias pagas com dinheiro público. Na verdade, o prefeito também esteve em Miami, sem documentos que apresentem sua agenda e sem registros em suas redes sociais, tão usadas pelo “prefeito tik toker”.

A assessoria pessoal do prefeito informou que ele esteve em São Francisco e Las Vegas e ficou apenas uma noite em Miami para conexão de voo. Não há informações sobre o voo no portal da transparência, mas uma pesquisa no sistema de voos do Google revela que, no trajeto “Las Vegas-Florianópolis”, os voos com conexão em Miami são mais caros e mais longos. Ou seja, faz pouco sentido.

Em janeiro, foi divulgado que Topázio havia recebido um convite de uma organização do setor produtivo chamada Floripa Sustentável para estar em Miami em abril, mas nada disso pode ser confirmado com dados públicos. Isso revela que a viagem está sendo tratada com algum nível de sigilo e pouquíssimo respeito com a população. A assessoria parou de me responder quando questionei sobre uma conexão com diária extra.

Prefeito, nos conte: o que o senhor foi fazer em Miami pelo cidadão de Florianópolis?


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