
A manifestação convocada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso, no domingo (1º), na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu cerca de 20,4 mil pessoas, segundo estimativa do Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a USP. A contagem, baseada em imagens aéreas analisadas por inteligência artificial, aponta uma margem entre aproximadamente 18 mil e 22,9 mil participantes. No Rio de Janeiro, um ato simultâneo em Copacabana teve público estimado em cerca de 4,7 mil pessoas, conforme a mesma metodologia.
Os números colocaram o evento no centro de uma disputa de interpretações entre diferentes campos políticos. Lideranças governistas classificaram a mobilização como um “fracasso” ou “abaixo do esperado”, enquanto representantes da direita afirmaram que a presença de milhares de apoiadores demonstra a capacidade de mobilização do grupo.
A avaliação do desempenho do ato baseia-se, em grande parte, na comparação com manifestações anteriores. Em setembro de 2025, um evento semelhante na Avenida Paulista reuniu cerca de 42 mil pessoas, segundo o Monitor da USP. A redução no número de participantes é vista por críticos como indicativo de perda de força nas ruas.
Aliados de Bolsonaro relativizam a comparação, destacando que a mobilização ocorre em um contexto político distinto e argumentando que manter uma base ativa capaz de reunir dezenas de milhares ainda representa relevância nacional.
Especialistas ouvidos em coberturas recentes ressaltam que a interpretação de atos públicos depende não só do número absoluto de participantes, mas também da frequência das mobilizações, do contexto político e das expectativas dos organizadores.
Além dos números, a disputa também ocorre na forma como o evento é nomeado. A oscilação entre “fracasso” e “sucesso” não descreve apenas o ato, mas reorganiza sua posição numa sequência de eventos: como sinal de retração, ao ser comparado a mobilizações anteriores maiores, ou como evidência de permanência, ao destacar a capacidade contínua de reunir apoiadores. Nesse deslocamento, o número deixa de ser apenas uma medida e passa a operar como argumento, menos sobre quantas pessoas estavam na rua e mais sobre o que esse contingente autoriza dizer sobre o momento político.
Apesar das divergências, há consenso em um ponto: o ato deste domingo foi menor que mobilizações anteriores do mesmo grupo na capital paulista, segundo as estimativas disponíveis, um recuo que contrasta com a imagem de força que seus organizadores buscam projetar.
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