Retrospectiva: Florianópolis lidera a inflação entre capitais em 2025

    Foto: Luiza Soeiro

    Luiza Soeiro para Desacato.info

    Florianópolis encerrou 2025 sendo reconhecida como a capital com maior alta no custo de vida do país, o topo de um ranking nada honroso. O dado, divulgado pelo Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas da Udesc, revela um aumento acumulado de 5,17%, acima da média nacional. Em outras palavras, viver na ilha ficou ainda mais caro. 

    Enquanto a prefeitura insiste na narrativa do turismo atrelado à segurança, com um discurso moderno e focado em soluções futuristas, a realidade da população caminha na direção oposta. O que se vê é uma sequência de aumentos nos preços de alimentos básicos, aluguel, transporte e serviços essenciais. Café, tomate, batata e itens do cotidiano transformaram-se em artigos de luxo para parte significativa da população. Não por acaso, Florianópolis aparece sistematicamente entre as cidades mais caras do Brasil. O problema deixou de ser conjuntural, e se tornou estrutural.

    Em dezembro, mês em que tradicionalmente há desaceleração nos preços, a capital catarinense ainda registrou alta acima da média nacional. O dado desmonta qualquer tentativa de discurso otimista da gestão municipal. Não se trata apenas de inflação, mas da ausência de políticas públicas efetivas para conter a especulação imobiliária, regular o mercado de aluguéis e garantir acesso digno à cidade para trabalhadores, estudantes e moradores históricos.

    O projeto de cidade defendido pela atual prefeitura parece claro, Florianópolis como mercadoria, não como direito. Uma cidade pensada para investidores, turistas e grandes empreendimentos, enquanto quem constrói a cidade diariamente é empurrado para as periferias ou para municípios vizinhos. O resultado está claro nos números, custo de vida em disparada e qualidade de vida em queda livre.

    A liderança no ranking da carestia não é obra do acaso. É consequência direta de escolhas políticas. E, nesse cenário, a conta fica para os moradores, aqueles que estão aqui além da temporada de verão e que a prefeitura insiste em invisibilizar.


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