Florianópolis volta a dizer presente! Foi para as ruas com diversas reivindicações, além do Sem Anistia

As lideranças dos movimentos presentes na manifestação foram duras contra o Congresso Nacional

Foto: Sofia Andrade

Texto: Raul Fitipaldi

Fotos: Sofia Andrade

Florianópolis, como a fé, “não costuma falhar”.  Sempre que convocada, teima em dizer em som alto e firme que, nem todo mundo na cidade do sul, capital de Santa Catarina, é de direita ou apoia o conservadorismo, por vezes fascista, que representam o governador do estado e o prefeito da capital. Na cabeceira da icônica ponte Hercílio Luz, primeiro cartão postal da cidade, que une a Ilha com o Continente, centenas de pessoas se reuniram para expressar seu descontentamento com as decisões do Congresso Nacional, a Assembleia Legislativa do estado e a Câmara de Vereadores Municipal.

Em um cenário muito conturbado por diversos atos trágicos e os avanços da direita fascista que ocupa os legislativos estadual e municipal, a população de antiga Meiembipe, apesar do intenso calor que tornou o asfalto em uma fornalha, não arredou pé e, convocada pelas entidades de luta, como Sindicatos, organizações estudantis e o movimento Vida Além do Trabalho, assim como por vereadores/as progressistas, se fez presente.

O recente assassinato da professora Catarina Kasten, mais um, num dos estados mais violentos como a mulher, já seria suficiente para somar à rejeição ao famigerado projeto de dosimetria que alivia as penas dos condenados pela tentativa golpista de janeiro de 2023 e de outros criminosos. No entanto, as aberrações tomaram conta do estado também na Assembleia Legislativa, que agiu inconstitucionalmente contra a Lei de Cotas que tem permitido a inclusão nas altas casas de estudo dos estudantes pretos e pretas, antes inibidos pela enorme desigualdade de oportunidades. A rejeição ao Marco Temporal que agride os povos originários também se fez sentir.

Não foi suficiente para o apetite e a sanha de ódio e ditatorial que representa a maioria da Assembleia Legislativa (ALESC); aprovaram também o uso de câmaras nas salas de aula para controlar os professores e professoras, dos quais a maioria dos legisladores catarinenses são algozes contumazes. Também invadiram o currículo escolar com a pretensão de proibir a educação sexual das crianças, enquanto nacionalmente, procura-se na nova lei de segurança, ter leis mais rigorosas frente à pandemia de feminicídios que acontece no Brasil e, em especial, em solo catarinense. A luta pelo fim da escala 6 x 1 também esteve presente e, na sua intervenção, a coordenadora em Santa Catarina, Vanessa Brasil, o catalogou como “o movimento que vai salvar os trabalhadores’.

As lideranças dos movimentos presentes na manifestação foram duras contra o Congresso Nacional e afirmaram, segundo as palavras da primeira vereadora indígena de Florianópolis, Ingrid Sateré Mawé, que nunca deixarão as ruas.

 


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