Tabagismo nos jovens

A racionalidade manda avisar que nós, os guerreiros do combate ao tabagismo, precisamos redirecionar nossas estratégias de ação

Ilustração: ISSUP

Por Sebastião Costa. 

A introdução de normas e leis respaldadas pelos muitos estudos científicos promoveram alguns obstáculos no sucesso desenfreado do tabagismo. Destaque-se a proibição das publicidades, as mensagens de alertas nos maços de cigarros, os programa públicos de cessação de tabagismo, as políticas de proteção ao não fumante e essencialmente o aumento do preço do cigarro( já anda defasado), com percussões importantes nas classes que habitam a base da pirâmide social(fumam mais).

Acrescente-se a tudo a isso o repúdio aos fumantes que a sociedade conscientizada adquiriu ao longo desses anos, justificando a redução importante de cidadãos dependentes dessa droga psicoativa, que atende pelo nome de nicotina.

Ocorre, que essa conscientização ficou praticamente restrita à população adulta, considerando que 90% nos novos fumantes estão no segmento etário de 12 a 18 anos.
E é também pelo corredor dessa falta de conscientização que o cigarro eletrônico passeia com muita desenvoltura por entre os adolescentes e com passagens recorrentes entre crianças.

Durante muito tempo a indústria do tabaco pragmática, o faro empresarial aguçado, com os muitos adultos já dependentes e enxergando a fragilidade dos jovens, no sentido de que é na adolescência que está sendo estruturada a personalidade, direcionava as publicidades a esses grupos etários na certeza que estavam repondo os que largavam o cigarro e os muitos viciados que se transferiam para o outro Plano.

E quanto mais adultos se desvencilhavam das garras poderosas da nicotina; e quanto mais ela e suas companheiras nocivas remetiam fumantes aos necrotérios do mundo, mais comprometiam as reservas cambiais dos promotores de doenças e mortes.
E mais uma vez, para repor seus prejuízos econômicos a indústria do tabaco saiu em busca dos jovens. E nada mais gratificante para sua avidez monetária do que o surgimento dos muitos sabores e do designer atrativo do cigarro eletrônico.

E foi nesse embalo que a galera começou a curtir o CE nos encontros informais, nos embalos das festinhas, na rotina de todos os dias. E foi assim que muitos garotos e garotas se tornaram atraídos pelas muitas substâncias tóxicas contidas naquele aerossol de aroma agradável.

E muitos garotos e garotas expostas à tosse e dispneia da bronquite e enfisema, da cefaleia da hipertensão arterial, da dor precordial do infarto do miocárdio, do escarro sanguinolento do câncer de pulmão e da insuficiência respiratória grave da EVALI.

A racionalidade manda avisar que nós, os guerreiros do combate ao tabagismo precisamos redirecionar nossas estratégias de ação, no sentido de priorizar com todo empenho a conscientização desses jovens e atraindo para colaborar nessa luta pais e professores, grandes formadores de opinião dessa galera, sem a mais remota preocupação com os impactos na qualidade de vida e na redução do tempo de convivência com seus entes queridos.

Sebastião Costa – Pneumologista
Presidente do Comitê Antitabagismo da AMPb
Membro da Comissão Tabagismo da AMB

Sebastião Costa é médico pneumologista, escritor e apresentador do programa Ar Puro no Portal Desacato

 


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