A Casa Sul Global lança manifesto que defende a importância da filantropia de justiça socioambiental no fortalecimento de soluções locais à crise climática

Documento foi elaborado por uma coalizão de organizações e fundos de justiça socioambiental da América Latina, África e Sudeste Asiático

Imagem: Adobe Stock

Por Myllena Reis. 

A Casa Sul Global promoveu durante a COP30 o manifesto “Sul Global no Centro: por uma nova arquitetura de financiamento para Clima, Natureza e Pessoas”, um chamado urgente para transformar a maneira como os recursos internacionais são destinados às soluções climáticas e sociais. Elaborado por uma coalizão de organizações e fundos de justiça socioambiental da América Latina, África e Sudeste Asiático, o documento propõe uma reestruturação profunda da lógica de financiamento global, atualmente marcada por desigualdades e concentração de poder no Norte Global. A iniciativa reafirma a importância de colocar as vozes, saberes e experiências dos territórios no centro das decisões e fluxos financeiros. O documento completo está disponível no site d’A Casa.

O manifesto apresenta diretrizes para a construção de uma arquitetura de financiamento mais legítima, responsável, justa, diversa e solidária, baseada na escuta ativa, na confiança e na solidariedade entre povos e comunidades. Essa proposta parte do reconhecimento de que a resposta já existe, e está nas soluções criadas nas comunidades e territórios do Sul Global. “Nos unimos n’A Casa Sul Global para dar visibilidade à nossa filantropia de justiça socioambiental do e para o Sul Global. Somos um ecossistema diverso de financiamento do Sul Global geopolítico, presentes na Ásia, África e América Latina. Abrangemos múltiplos biomas, idiomas e culturas — e representamos nossos povos, comunidades e movimentos do campo, das cidades, das florestas e das águas”, destaca o Manifesto.

A legitimidade dessa estrutura se apoia na garantia de que as comunidades mais impactadas pelas mudanças climáticas sejam ouvidas e tenham poder efetivo nas instâncias decisórias. A responsabilidade compartilhada propõe mecanismos menos burocráticos, mais ágeis e perenes, capazes de garantir que os recursos cheguem a quem realmente precisa. A dimensão da justiça e da reparação busca enfrentar as marcas do legado colonial e combater o racismo e as desigualdades de gênero que ainda moldam a distribuição global de recursos.

A diversidade e a interseccionalidade são princípios centrais, assegurando a integração de fundos comunitários, indígenas, quilombolas, feministas, de juventude e de base, valorizando as múltiplas vozes e formas de atuação do Sul Global. A solidariedade, por fim, surge como eixo essencial dessa transformação, um compromisso concreto com as populações que estão na linha de frente da proteção do clima, da natureza e da vida, e que há décadas constroem soluções resilientes e inovadoras a partir de seus próprios territórios.

O papel dos fundos de justiça socioambiental

Os fundos filantrópicos para justiça socioambiental do Sul Global são apresentados no manifesto como mecanismos eficazes para democratizar o acesso aos recursos e potencializar soluções locais. Nascidos dos próprios territórios, eles atuam com transparência, inovação e proximidade, garantindo que o financiamento chegue diretamente a quem promove ações concretas de adaptação climática, regeneração ambiental e justiça social.

Esses fundos são capazes de mobilizar e distribuir recursos com agilidade e efetividade, reduzindo riscos e custos e fortalecendo a autonomia das comunidades. Suas práticas de governança são baseadas em confiança e responsabilidade compartilhada, alinhadas às necessidades reais dos territórios.

Uma aliança global pelo protagonismo do Sul

O manifesto é também um convite à ação conjunta entre filantropia, governos, setor privado e sociedade civil. A proposta é fomentar um ecossistema de financiamento global que reconheça a potência das soluções que emergem dos territórios e mova recursos de forma justa, transparente e descentralizada.

“Os fundos de justiça socioambiental do Sul Global apontam caminhos possíveis para uma nova arquitetura de financiamento baseada na escuta, na confiança e na solidariedade entre povos e comunidades. O manifesto é um chamado à ação coletiva para reconstruir essa estrutura com legitimidade, responsabilidade, justiça, diversidade e solidariedade”, conclui o documento.

 Sobre a Casa Sul Global

A Casa Sul Global é um espaço de articulação política, mobilização, produção de conhecimento e colaboração, a plataforma visa fortalecer o protagonismo dos atores do ecossistema filantrópico do Sul Global e sua missão de apoiar as comunidades nos territórios em prol da justiça socioambiental. A iniciativa é liderada pela Alianza Socioambiental Fondos del Sur e pela Rede Comuá, e em 2025 conta com a parceria do movimento #ShiftThePower e da Rede de Fundos Comunitários da Amazônia, reunindo dezenas de organizações da filantropia independente da América Latina, África e Sudeste Asiático. Os apoiadores financeiros d’A Casa Sul Global em sua edição COP30 são Baobá – Fundo pela Equidade Racial, Fundação Grupo Volkswagen, Fundo Brasil, Fundo Casa Socioambiental, Global Giving, Instituto Clima e Sociedade, Global Alliance for Green and Gender Action, Itaúsa, Próspera Social, Global Fund for Community Foundations, Bem-te-vi Diversidade, Instituto Ibirapitanga, Fundação Avina, Instituto ACP, Instituto Sociedade População e Natureza e The Samdhana Institute. A Casa Sul conta com o IIED como parceiro de conhecimento, e ClimaInfo e Proximate como parceiros de comunicação.


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