O Equador impede que Noboa instale bases dos EUA e mude a Constituição progressista de 2008 nas urnas

A população equatoriana rejeita todas as questões de uma consulta que buscava reinstalar bases estadunidenses no país e acabar com a Constituição de 2008, aprovada sob o governo de Correa.

El Salto.- Com a participação de 13,9 milhões de pessoas, o Equador recusou as reformas propostas pelo presidente ultraliberal Daniel Noboa. A reforma da Constituição de 2008, aprovada pela Revolução Cidadã de Rafael Correa e a ampla participação social, terão que esperar após os resultados do referendo em 16 de novembro. “Consultamos os equatorianos e eles falaram. Respeitamos a vontade do povo”, disse o presidente no X.

O ‘não’ venceu em todas as propostas. Com 60,6% dos votos, a população rejeitou a proposta de permitir novamente a instalação de bases militares estrangeiras no país, algo que está expressamente proibido na Constituição desde 2008. Com essa proposta, o presidente equatoriano buscava a reinstalação da base estadunidense em Manta, na costa equatoriana, entre outras, sob a desculpa da insegurança e da luta contra o tráfico de drogas. 58% da população rejeitou que o Estado parasse de financiar partidos políticos e 53,4% que o número de membros da assembleia deveria ser reduzido. Na quarta pergunta, 61,6% da população se opôs frontalmente à convocação de uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova constituição.

O resultado desse múltiplo referendo fecha a porta, pelo menos por enquanto, para uma reforma da Constituição e dificulta o avanço dos planos ultraliberais do governo Noboa, apenas meio ano após vencer as eleições gerais.

Entre a vitória de Noboa no segundo turno das eleições presidenciais, em abril, e o voto ‘não’ em 16 de novembro, o movimento indígena liderou uma mobilização massiva que paralisou o país por mais de um mês contra as políticas de austeridade do presidente equatoriano. A repressão brutal das mobilizações e o racismo das declarações foram expostos a toda a opinião pública por dezenas de reclamações da mídia e organizações de direitos humanos.


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