Jorginho Mello, o coronel sem farda. Por René Ruschel.

Por René Ruschel.

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, PL, rasgou o discurso da nova política e confirmou o que já se sabia: é apenas mais um velho coronel travestido de gestor moderno.
Ao negociar e aceitar a candidatura de Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro, para o Senado por Santa Catarina, transformou o Estado em moeda de troca. Uma manobra vergonhosa, típica da política que o próprio ex-capitão, a quem ele apoiou, dizia combater em 2018.

Carluxo, o “02”, nada sabe sobre Santa Catarina. Não conhece a realidade do Estado, o peso da indústria, nem o cotidiano do trabalhador catarinense.
Nunca visitou as periferias da ilha para dialogar com um manezinho, muito menos caminhou por uma serventia, essas vias estreitas e esquecidas que revelam o outro lado da cidade onde o asfalto acaba e começa a vida real.
Sua candidatura é fruto de um acordo de bastidores, não de vínculo algum com o povo. É o retrato de uma política feita de troca de favores, não de convicções.
Seu único vínculo se resume, segundo a imprensa, às visitas a clubes de tiro em Florianópolis, o turismo da bala que agora tenta virar trampolim eleitoral.
O nome disso não é representatividade, mas oportunismo imposto de cima para baixo, sem um pingo de legitimidade.
Fiel ao script do poder, o governador age como vassalo de um projeto personalista e decadente. Faz o papel de intermediário de um clã que usa partidos como empresas familiares e o Estado como patrimônio privado.
Santa Catarina, com isso, fica rebaixada à condição de colônia eleitoral de um ex-presidente condenado pela Justiça. Essa candidatura é um golpe sórdido contra o eleitor catarinense.
Uma tentativa de manter o bolsonarismo respirando a custa do prestígio do Estado e da ingenuidade de parte do eleitorado.
Mas a população não pode aceitar esse abuso.
A votação expressiva que Bolsonaro teve em 2022 não dá direito a ninguém de transformar o Estado em abrigo político ou refúgio judicial.
Mello, que tenta se apresentar como líder, age como um serviçal que obedece e rasteja por migalhas de poder. Um coronel sem farda, autoritário, calculista e servil aos interesses da família Bolsonaro.
Santa Catarina precisa reagir. Não pode se ajoelhar diante de um arranjo indecente travestido de aliança. O coronelismo apenas trocou de roupa. Agora veste terno, fala em liberdade e posa de patriota, mas continua o mesmo.
Trata-se do velho poder disfarçado de novidade, que tenta submeter os catarinenses à vontade de uns poucos. Se o eleitor não desmontar essa farsa será devorado por ela.
O preço da submissão não é só político, é moral. Afinal, quando a dignidade se vende não há Estado que se sustente de pé.


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