A Internet é o segundo lugar mais perigoso para as crianças

Elenira Vilela continua com o debate urgente sobre os perigos da exposição infantil nas redes sociais, especialistas alertam: a internet é o novo campo de exploração do trabalho infantil, mascarado pela ilusão do entretenimento e da fama. A discussão, capitaneada por vozes como a da juíza Vanessa Cavalieri, do Rio de Janeiro, evidencia que a prática do sharenting – compartilhamento de imagens de filhos por pais – viola o direito fundamental das crianças à própria imagem e as expõe a riscos irreversíveis, como pedofilia, bullying digital e sequestro de identidade. A exposição transforma a criança em produto, sujeita a julgamentos brutais e a uma lógica de consumo que ignora seu desenvolvimento saudável.

A problemática é agravada quando a criança se torna fonte de renda familiar, seja como “influenciador mirim”, modelo ou prodígio digital. Nesses casos, ela é submetida à pressão de corresponder a padrões inatingíveis, com sua autoestima e saúde mental ligadas a engajamentos e comentários muitas vezes tóxicos. A juíza Cavalieri adverte: “Se na rua você não permitiria um estranho fotografar seu filho de biquíni, por que o faz na internet?”.

A conclusão é clara: é necessária uma regulação rigorosa que proteja a infância no ambiente digital, além de uma conscientização massiva sobre os danos da superexposição. O Brasil ainda permite publicidade dirigida a crianças e negligencia a fiscalização desse universo, enquanto países como a Noruega avançam em leis que garantem ao indivíduo o direito sobre sua própria imagem desde a infância. A pergunta que fica é: até quando o lucro com a infância alheia?

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