
Florianópolis, 26/06/2025 – Um ato de violência chocou a comunidade escolar da Escola de Educação Básica de Muquém, no bairro Rio Vermelho, na tarde de ontem (25). Um professor abertamente gay e crítico à militarização da unidade, foi agredido fisicamente por Manoel Abílio Pacífico, um dos líderes do movimento pró-modelo cívico-militar. O caso expõe a escalada de perseguição a professores e a contradição do discurso “pela segurança escolar”.
O ataque
Testemunhas relataram que Manoel golpeou o professor múltiplas vezes em frente à escola, diante de alunos e pais. Após a agressão, ameaçou: “Vou buscar uma arma para te matar”. O clima de terror levou os professores a suspenderem as aulas, e a vítima foi encaminhada ao IGP para exame de corpo de delito. O educador, especialista em artes e admirado pelos estudantes, decidiu se afastar temporariamente por recomendação médica.
Histórico de violência
Manoel Abílio já foi condenado por perseguir e difamar a orientadora educacional Juliana Andósio em 2023 — pagou multa de meio salário mínimo — e acumula passagens por LGBTfobia. Ele integra o grupo “Pais Conservadores Floripa” e mantém vínculos com vereadores da extrema-direita, que defendem a militarização.
“Ele acha que a vila Muquém é dele. Só pode dar aula quem ele aprova”, denunciou Juliana.
Conexão com a militarização
O ataque ocorre em meio a uma campanha agressiva pela implantação do modelo cívico-militar na escola. Manoel e seus aliados já ofereceram recompensas em dinheiro por vídeos de professores “doutrinadores” e atacaram militantes durante um abaixo-assinado contra a militarização.
“Quem defende a militarização como solução para a violência é o mesmo que agride professores”, destacou Juliana.
Falsa acusação e risco institucional
Além da agressão física, Manoel disseminou a falsa acusação de que o professor André cometeu abuso contra seu filho — crime sem qualquer prova, já que o educador nunca ficava sozinho com os alunos. A estratégia, comum em casos anteriores, visa destruir reputações e forçar demissões.
Mobilização da comunidade
Professores e alunos se organizam para pressionar a Secretaria de Educação por medidas protetivas. Uma campanha #ForçaAndré iniciou nas redes, com cartas de estudantes que descrevem o professor como “carinhoso” e “transformador”.
“Não vamos permitir que o medo expulse quem defende a educação pública”, afirmou o Sinte/SC, que promete ações judiciais.
Omissão do poder público
Apesar dos e-mails de alerta enviados por Juliana à Secretaria de Educação sobre as ameaças de Manoel, nenhuma medida foi tomada. A direção da escola orientou os professores a “seguirem as aulas normalmente” após o ataque.
Denúncias: Disque 100 (Direitos Humanos) ou 180 (Violência contra a Mulher).
Assista a entrevista completa feita com Juliana Andozio (Orientadora Educacional na escola EEB DE MUQUEM, CONSELHEIRA DO SINDICATO- SINTE-SC), que trouxe esses relatos ao Desacato.
Assista a entrevista completa no JTT onde Emi Pandolfo recebeu Juliana Andozio e Pedro Morais (Professor ACT da rede estadual de educação. Membro do Diretório Municipal da Unidade Popular Pelo Socialismo e Coordenador do Movimento Luta de Classes).
Emi Pandolfo é jornalista e apresentadora no Portal Desacato.
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