
Por Flávio Carvalho.
“Esse silêncio todo me atordoa” (Cálice. Chico Buarque e Gilberto Gil).
Era o ano 1994 e Baruch Goldstein (foto de capa), judeu ortodoxo, líder do partido sionista Kach (declarado como organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Europeia), entrou na principal mesquita de Jerusalém durante a principal cerimônia do Ramadã, armado com uma metralhadora.
Fuzilou a multidão árabe, matou 29 pessoas e deixou mais de duzentos com ferimentos para o resto das suas vidas.
Na semana passada, em Gaza, o exército de Israel fez um churrasco, cantando canções de homenagem a Goldstein.
É disso que estamos falando.
O Ministério das Relações Exteriores do governo brasileiro anunciou para julho (julho!), daqui até mais de um mês, um encontro para tratar do Genocídio que veio se desenhando desde 1994.
Minto, está escrito nos livros de história, muito antes disso.
Luís Inácio Lula da Silva é o Chefe de Estado mais mencionado no encontro de diplomatas em Madri (capital do país onde eu moro), nesta semana, como o estadista do país ocidental com mais capacidade de influência sobre as negociações para evitar a continuidade do Genocídio e a temida Solução Final.
No mundo atual, influência vale mais que bomba.
Este, Solução Final, é o mesmo nome dado recentemente por Israel à destruição total de Gaza.
Não esqueceram, eles, que foi Hitler que assim o denominou para o extermínio de judeus nas câmaras de gás.
É disso que estamos falando.
Na semana passada, a Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro aprovou a criação de um acordo institucional de amizade entre o Brasil e Israel.
No mesmo momento em que diversos países estão aumentando a tensão, rompendo totalmente as relações diplomáticas com Israel e até mesmo pagando indenização para desfazer contratos comerciais com o Estado Sionista.
Enviei carta escrita ao Senado Federal, perguntando sobre a unanimidade na votação daquele desgraçado (ou, pelo menos, inconsequente) acordo.
Diversos meios de comunicação anunciaram que aquele acordo foi aprovado, no Senado, com votos de Senadores do PT, partido ao qual estou filiado desde o ano 1991.
Perguntei a quem devo. Ainda não recebi nenhuma resposta.
Perguntei o mesmo num grupo internacional de filiados do qual eu participo, faz muito tempo.
Iniciou-se um debate no grupo porque uma companheira disse que eu era Golpista, por “atacar a figura de Lula”.
Outra, filiada, defendendo-a (não a mim), tentou justificar: ela, a que me desrespeitou (comparando-me aos fascistas brasileiros), “é mais lulista que petista”.
Tentei não entender.
A esmagadora maioria, entre os mais de 150 (em vários países), nada disse.
Cada dia seguirei no grupo, perguntando, se Lula, presidente do meu país e do partido ao qual estou filiado, já rompeu relação institucional, comercial e diplomática (ou total) com Israel.
Se Lula já fez o que até Chico Buarque, a quem ele confessou que muito escuta, ontem pediu.
Até agora, nada.
“O teatro da diplomacia, que mesmo nos seus momentos mais farsescos costuma ainda ser um exercício útil que, por vias complexas e tortuosas, pode levar a que um conflito seja abreviado, atenuado ou, quem sabe, até mesmo evitado”. Embaixador Marcos Castrioto de Azambuja, Julho de 2014. Revista de Política Externa, n.º 23, MRE.
É disso que estamos falando.
#freepalestine
Aquele abraço.

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