Provocadora arte de Sérgio Adriano H., que questiona o preconceito racial, movimenta a Fundação Badesc

A dor de ser negro no Brasil

Depois de passar por Blumenau, Jaraguá do Sul e Joinville, o projeto do artista Sérgio Adriano H. chega em Florianópolis com a mostra Ruptura do invisível. A curadoria é de Fabiana Lopes. Na próxima quarta-feira e quinta, dias 21 e 22, ele realiza a exposição/ação na parte externa da Fundação Cultural Badesc e, na sexta, dia 23, oferece o workshop Fotoperformance: imagem filosófica do corpo

 (veja o serviço).

Os trabalhos da exposição decorrem de uma intervenção do artista nas obras da série O visível do invisível, um conjunto de 12 fotos nas quais mostra o seu rosto ora pintado de branco ora pintado de preto. Nessas imagens antigas, ele emprega sabão em pó e água sanitária, produto de limpeza que garante o branqueamento de tecidos. No gesto da distorção, a dor de ser negro no Brasil.

O preconceito racial permeia a poética desse artista que tem o corpo, a palavra, a fotografia e a história como ferramentas discursivas. Sérgio incorpora um vocabulário político dentro do seu processo estético. A política, entendida como espaço, encontro e processos de transformação, também está manifesta em seu modo nômade e disponível nas ruas, nas escolas, nas praças, nas galerias.

Com uma atuação transregional, o artista adota estratégias, referências e parcerias em favor da criação, da circulação dos trabalhos e da produção de conhecimento e reflexão. Uma de suas marcas é o permanente desejo de contato direto com o público, a céu aberto, onde pode dialogar sobre as questões da vida e da arte. Aprecia conversas com jovens e realiza projetos específicos voltados ao contexto escolar.

O objetivo é o deslocamento, a ambição de ultrapassar fronteiras na tentativa de alcançar em praças, calçadões, centros culturais e museus quem não costuma acompanhar o circuito de arte contemporânea, colocar artista-obra-público em diálogo com a cidade e estimular infinitas leituras e experimentações estéticas. “A arte possibilita nos mantermos vivos e lúcidos. Precisamos, no entanto, quebrar paradigmas sociais, analisar e questionar “como as regras (Verdades Apresentadas) são impostas e por quem”, diz o artista.

Luta contra a invisibilidade

Sérgio Adriano H. Foto: Div 5

Sérgio Adriano H. é uma referência na luta contra a invisibilidade da produção afro-brasileira no circuito de arte contemporânea. Os debates Diálogos ausentes realizados em São Paulo em 2016 deram consistência a outros projetos interessados no uso de conhecimento para denunciar obstáculos engendrados pelo racismo estrutural, na ampliação dos limites institucionais e no protagonismo dos negros na sociedade. Sérgio Adriano H. integra cada vez mais essas discussões a partir de autorretratos criados solitariamente em estúdio com o próprio rosto pintado de dois modos, ora todo de branco e com choro de lágrimas negras, ora em tom negro e lágrimas brancas.

Conquistas

O projeto Ruptura do invisível conquistou o Prêmio Edital Elisabete Anderle 2017 desenvolvido pelo governo do estado de Santa Catarina por meio da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte e Fundação Catarinense de Cultura. Sempre interessado nos fluxos de informações na sociedade contemporânea, naquilo que é apresentado como verdade, nesta série de trabalhos o artista discute a questão do racismo no Brasil. A curadoria é de Fabiana Lopes que reflete sobre esses embates. Com sabão em pó e água sanitária, Sergio Adriano H imprime interferências nas fotografias da série Branco de alma preta e Preto de alma branca com sabão em pó e água sanitária. A ação dos materiais resulta em uma nova imagem. 

Sobre o artista

Sérgio Adriano H., nascido em Joinville (SC) em 1975, é artista visual, performer, pesquisador e produtor cultural. Vive e produz entre as cidades de Joinville e São Paulo.  Formado em artes visuais, mestre em filosofia (Faculdade de São Bento/SP – 2016), integra o Grupo P.S. com a artista Priscila dos Anjos e tem obras em acervos públicos e particulares. Em 2014, foi selecionado como um dos 30 artistas mais influentes de Santa Catarina, tendo sua biografia incluída no livro Construtores das Artes Visuais: Cinco Séculos de Artes em Santa Catarina. Em 2014, em São Paulo, funda a Residência Artística Diva Base 44, com o propósito de acolhimento de artistas de diferentes nacionalidades com o qual quer resinificar o cotidiano e a urbe a partir da arte. Já integrou cerca de 90 exposições individuais, coletivas e salões. Nos três últimos anos se destacou na 8ª Bienal Argentina de Fotografia Documental, 2018, Tucumano; Somos Todos Iguais – Centro Cultural de Justiça Federal, Rio de Janeiro, 2018; Bienal das Artes – Sesc, Brasília; Antípodas – Diverso e Reverso, Bienal de Curitiba, 2017; Diálogo Ausentes, Itaú Cultural, São Paulo – SP, 2016/17 e Complexo da Maré, Rio de Janeiro – RJ, 2017. Conquistou, entre outras premiações, o 3° Salão das Artes, Mogi das Cruzes (SP-2016), Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2014 e 2017, 10° Salão Nacional Elke Hering (Blumenau SC-2012), 10° Salão Nacional de Arte (Itajaí SC-2005).

Serviço Florianópolis Exposição/Ação

O quê:  Exposição/ação Ruptura do invisível

Quando: 21 e 22.11.2018, 12h às 17h

Onde: Fundação Cultural Badesc, rua Visconde de Oro Preto, 216, centro, Florianópolis (SC), tel.: 3224-8846

Quanto: Gratuito

Serviço Florianópolis Workshop

O quê: Workshop Fotoperformance: imagem filosófica do corpo

Quando: 23.11.2018, 9h às 13h

Onde: Fundação Cultural Badesc, rua Visconde de Oro Preto, 216, centro, Florianópolis (SC), tel.: 3224-8846

Quanto: Gratuito

Saiba mais: https://www.facebook.com/sergioadrianoh e

Contatos

Ass. imprensa: NProduções Néri Pedroso (jorn.) [email protected] (48) 9-9911-9837 (Tim/Whats) 3248-4158 Facebook: Néri Pedroso

Sergio Adriano H: Tel.: (11) 9-4265-5179

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