Pátria Odiada: O Descompasso do Presidente e os limites do poço brasileiro

 

Foto: Pixabay

Por Elissandro Santana, para Desacato.info.

Este substantivo masculino, que em suas acepções mais empregadas socialmente, quer dizer – ausência de medida ou de regularidade, desordem, desproporção, falta de conveniência e de compostura, descomedimento e exagero, é o vocábulo que descreve, semanticamente (com precisão), as atitudes do Presidente da República em relação ao quadro de pandemia e às rotas pelas quais o Brasil é conduzido no campo social, sanitário e econômico.

Do substantivo descompasso, podemos partir para o adjetivo que melhor representa a autoridade máxima brasileira e seus sequazes (na maioria, machos, frutos do patriarcado, ou mulheres que são crias do machismo), no singular e no plural, descompassado, descompassados, que na semântica dicionarizada mais corrente sinaliza o ser que não tem medida, nem regularidade e que, portanto, não possui conveniência, comedimento, sendo assim, é desapoderado e, desta forma, sai do ritmo ou do caminho necessário.

Em meio ao quadro de Pandemia pela COVID-19, o descompasso deste Senhor (com S maiúsculo, pelo cargo que ocupa, somente) é um ingrediente mais nocivo ao povo e à Pátria Amada do que o próprio coronavírus. Este destempero Dele, ao fim e ao cabo, revela que o slogan de sua gestão, na verdade, é Pátria Odiada, já que quase todas as ações desse ser vão na contramão do desenvolvimento e do bem-estar sócio-sanitário-econômico da população brasileira, digo, dos grupos sociais que, historicamente, foram massacrados-pisados-explorados, o povo pobre, preto, LGBTQI+, indígena, mulher e tantas outras categorias sociais que sempre estiveram à margem do desenvolvimento nacional.

O pior de tudo é que as palavras e ações do Presidente desnudam o futuro desconcertante que nos espera, sem a possibilidade de arrancar dele nenhuma alegria ou esperança1, com um povo mais empobrecido e mergulhado na desesperança-desequilíbrio por conta da economia do desespero e da especulação que, como de costume, só beneficiará as elites coloniais hipócritas e gananciosas, aquelas que há mais de cinco séculos, à moda vampiresca, drenam o sangue e a alma da nação e, diante da crise que se instalou no país e se aprofundará nessa pandemia, enriquecerão ainda mais.

Como se não bastasse, estes sujeitos, filhotes de um processo de golpes e, consequentemente, de tentativas insanas de desconstrução da democracia que o país tentava consolidar, possuem apoio, abertamente, de grupos empresariais toscos, os verdadeiros construtores da opinião pública no país através da grande mídia (tradicional e conservadora) lambe-botas dos senhores do capital.

Enquanto o laboratório de horrores chamado Brasil fervilha, em cada lar, amedrontada pela COVID-19, a sociedade, às vezes, em meio a panelaços, em outras ocasiões, a hinos e aplausos para os profissionais da saúde, segue perplexa, nos rincões da fragilidade político-econômico-social-sanitário-ambiental.

A situação em baila é um dos retratos desse país que poderia estar no caminho do desenvolvimento, mas que foi freado pelos interesses tacanhos de uma elite que conseguiu ludibriar até mesmo os segmentos sociais que haviam se beneficiado, em alguma medida, do progresso, nos governos de Lula e, em menor grau, nos dois anos do primeiro mandato de Dilma, para o apoio a Bolsonaro, na última eleição presidencial.

Por fim, o descompasso de Bolsonaro e de toda a equipe que faz parte da gestão presidencial atual pode nos levar a outro nível de um poço que se revela ainda mais profundo!

 

1 Expressão que apresento a partir do Movimento Mais

 

Elissandro Santana é professor, membro do Grupo de Estudos da Teoria da Dependência – GETD, coordenado pela Professora Doutora Luisa Maria Nunes de Moura e Silva, revisor da Revista Latinoamérica, membro do Conselho Editorial da Revista Letrando, colunista da área socioambiental, latino-americanicista e tradutor do Portal Desacato. Doutorando em Projeto, linha de pesquisa em meio ambiente pela Universidade Internacional Iberoamericana – México.

A opinião do/a autor/a não necessariamente representa a opinião de Desacato.info.

Notícias dos povos originários em tempos de coronavírus

1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns mais uma vez por este excelente trabalho que você vem desenvolvendo junto a comida acadêmica, dando voz a todos e todas nós! Infelizmente, o Senhor Presidente tem sido muito noviço a todos nós e não só em tempos de covid-19. Agora, até a mídia internacional não acredita que ele é capaz de articular certas ideologias.

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