MST luta até hoje por justiça no caso de Fábio Santos

Foto: Reprodução/Internet.

Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia.

Há seis anos, o professor e camponês Fábio Santos, uma das principais lideranças do MST na Bahia,  foi brutalmente assassinado na frente de sua esposa e filha no município de Iguaí, no sudeste baiano, gerando um sentimento de repúdio e indignação popular.

Fábio Santos foi assassinado com 15 tiros durante uma emboscada. Foto: Arquivo MST.

Desde o ocorrido, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem estado em luto e em luta para que a justiça seja feita e os assassinos e mandantes sejam presos, para que não ameacem mais a vida dos trabalhadores e trabalhadoras do campo.

Conforme acompanhamento do Ministério Público e investigações do Grupo Especial de Mediação e Acompanhamento de Conflitos Agrários e Urbanos da Polícia Civil (GEMACAU), há uma “associação criminosa” composta por fazendeiros e pistoleiros que atuavam na região de Ibicuí, Iguaí e Nova Canaã. A atuação combativa de Fábio Santos em defesa da reforma agrária na região, segundo a denúncia, foi um dos motivos do crime.

As famílias Sem Terra, uma vez mais, manifesta sua confiança nas instituições jurídicas ao tempo que exige que a justiça seja feita na próxima audiência de instrução, que será presidida pela juíza Lázara A. de Oliveira Ferreira, no dia 26 de junho.

Histórico do caso

Fábio foi assassinado na frente de sua esposa e filha com 15 tiros, durante uma emboscada no dia 2 de abril de 2013, no Município de Iguaí, sudoeste da Bahia. Seu assassinato é marcado por seis anos de impunidade e reviravoltas jurídicas.

Durante esses anos, o processo parou nas mãos de diversos juízes(as) que se declaram suspeitos (as), ou seja, incapazes de julgar o processo com imparcialidade.

O juiz Reno Viana, da comarca de  Vitória da Conquista, decretou a prisão preventiva dos suspeitos. No entanto, assim como os demais juízes do caso, se declarou suspeito, fazendo com que o processo retornasse a ser físico na comarca de Iguaí.

Durante esses anos, várias foram as vezes que se tentou marcar audiências e fazer o processo andar, mas sem resultado favorável, e nessa luta o processo pulou de comarca em comarca e até hoje  ainda não foi julgado. O processo atualmente se encontra com diversos entraves devido o descaso do judiciário em assumir a responsabilidade do caso.

Por outro lado, a GEMACAU, sem medir esforços, deu seguimento nos processos investigativos até chegar na fase de executar uma operação de busca e apreensão e prender o fazendeiro Délcio Nunes Santos, o comerciante Márcio Fabiano Cunha Borges e os vaqueiros Arenaldo Novais da Silva e Neuton Muniz da Silva, além de outros suspeitos apontados pela polícia como executores do crime. Entretanto, a prisão dos acusados durou apenas 47 dias, e os mesmos ainda continuam soltos e impunes diante o crime cometido.

O Movimento Sem Terra exige que a justiça seja feita e que os acusados do assassinato de Fábio Santos sejam presos. “Não aceitaremos injustiças. Nesse momento de luta, pedimos a solidariedade da sociedade brasileira e de outros movimentos pois, infelizmente, a morte de Fábio afeta não só aos movimentos sociais, mas a todo povo brasileiro, que busca por uma sociedade mais justa e igualitária”. “Só se é permitido descansar quando a luta dos nossos mortos se realizar por inteira. Não pela metade. Por inteira!” afirmou o Coletivo de Comunicação do MST na Bahia.

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