Moderno Escipión, a trama do (in)substituível

O profetaPor Victor José Caglioni, para Desacato.info.

Faz algum tempo conheci um “personagem” que chamarei de Escipión, já entenderão por que. Escipión é um homem muito vivido, morou no exterior quando eu ainda não havia nem nascido. Alemanha, Inglaterra, França, conheceu Espanha e outras tantas sociedades (inclui-se México e Caribe).

Essa vivência fez com que sua visão de mundo fosse muito ampla, além claro de dominar o inglês e o espanhol de formas muito aprimoradas. Não faço ideia da formação dele, mas isso pouco importa, frente ao fato de que ele com sua visão pode conversar com as pessoas sobre a filosofia do libanês Khalil Gibran por exemplo, músicas e livros por vezes desconhecidos do grande público mas que transmitem a visão de um mundo possível, bem melhor que esse apresentado a nós.

Escipión possui uma criatividade artística que seguramente, faz sua(s) filhas (os) terem muito orgulho do trabalho gráfico que este é capaz de realizar com as ferramentas tecnológicas mais avançadas. Sim apesar de já não ser fisicamente a pessoa mais jovem em seu local de trabalho, é seguramente uma das mentes mais ativas.

Sua visão religiosa, baseada nos valores do Espiritismo, fazem dele uma pessoa de bons tratos, com um profundo respeitos aos valores do humanismo, independente de nossas visões sobre a questão da fé, ele norteado por essa proposta de crença demonstra ser uma pessoa que passa do superficialismo e materialismo tão presentes em nossa sociedade.

Recentemente, devido ao ego (e falta de maturidade) da filha de seu chefe, passou por situações de desgaste moral e físico que o fizeram reclamar (depois de muito tempo) sobre as coisas ditas e feitas pela mesma, argumentando caminhos mais práticos e dinâmicos para se atingir os mesmos objetivos. Moça que é, viu-se chateada (sem razão) e daí em diante Escipión, passou a enfrentar dias tensos, de expressões de preocupação e agitação, no entanto, como pessoa a frente de seu tempo que é, chamou para uma conversa com os responsáveis.

Infelizmente este teve como respaldo, a incrível e estúpida argumentação do “ninguém é insubstituível” e que se ele não estava mais bem em seu local de trabalho que busca-se outro. Pois é, as vezes este até que é um bom caminho, não fosse o fato de que ele nada fez de errado, pelo contrário, profissional dedicado e admirador daqueles a quem sempre pensou dever algo.

Obviamente que ele nada deve, mas assim pensa! Tentou a todo, fazer com que percebessem seu valor enquanto profissional, não deu! Da que alguém possa fazer um trabalho no lugar de outrem, bem verdade é que cada um é único e dessa forma, tem suas habilidades e qualidades insubstituíveis.

Escipión, habilidoso tornou-se voz em contra a opressão de César (sim o rei de Roma impõe) mas os argumentos do rei o afetaram. E assim aquele que podia ser o maior aliado, perde energia e motivação pela ingrata soberba de quem não entende que “nessa Terra” só se vai ao longe com o trabalho de Outros, quando numa forma mais romântica, com o trabalho coletivo.

Nosso personagem é uma homenagem a um ser real, com o nome de um homem vivido em tempos romanos que representa muitos trabalhadores dedicados que são pouco valorizados em seu dia a dia e aguardam pelo devido valor.

Victor José Caglioni é sociólogo. Florianópolis.

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