Milhares de portugueses comemoram a Revolução de Abril

Comemorações populares do 25 de Abril, Lisboa. AbrilAbril
Comemorações populares do 25 de Abril, Lisboa. AbrilAbril

Está nas ruas a Revolução de Abril. De Norte a Sul do País, a véspera ou o dia de ontem (25) foram preenchidos com a evocação do 25 de Abril. São reafirmados os valores da liberdade e da democracia e lembrado que «fascismo nunca mais».

A grande manifestação que desceu ontem a Avenida da Liberdade, em Lisboa, é um exemplo maior de «Abril na rua». Várias organizações, associações e movimentos lembraram, através de palavras de ordem, faixas e cartazes, a conquista da liberdade no seu amplo sentido: evoca-se o direito ao trabalho com direitos, à educação, à habitação, à saúde, às reformas e pensões, ao associativismo, à paz, à igualdade.

Comemorações populares do da Revolução de Abril, Lisboa 25 de Abril de 2017. Créditos/ AbrilAbril
 

Os jovens, que não eram ainda nascidos no tempo da Revolução, são parte integrante das comemorações. Inês Martins tem apenas 15 anos e é estudante. Diz «que é bom estar aqui na luta» e destaca «a liberdade e a igualdades de direitos» como grandes conquistas. Aprendeu na escola e com a família o que foi o 25 de Abril e diz que a Revolução nos ensina «a não deixar de lutar pelos nossos direitos».

O esforço dos antepassados para libertar o País é evocado por Rúben Soeiro, de 17 anos, como uma das razões para continuar a comemorar este dia. Admite ainda que, mesmo não sendo ainda nascido aquando da Revolução, está aqui hoje para lutar pelos seus direitos e pelos valores que trouxe este momento histórico. Enquanto estudante lembra que o 25 de Abril também ensina «a lutar pela escola pública, gratuita e de qualidade» e a «não desistir».

Arlinda Henriques, funcionária pública e delegada sindical, tem 53 anos e emociona-se quando se lembra do processo revolucionário. Sublinha «a esperança de que tudo ia mudar», o aumento dos salários, as melhores condições de vida e o facto de as pessoas poderem comprar uma casa. Viveu tudo isto enquanto jovem, e recorda que um jovem hoje não consegue perspectivar futuro – mantêm-se em casa dos pais e estão sujeitos «a baixos salários e à precariedade».

A trabalhadora considera que os «valores de Abril» são para cumprir e que se impõe lutar por melhores condições, «pela reposição dos direitos da função pública» e por uma «vida digna para todos», lembrando que desde os 12 anos o pai a trazia às manifestações.

 

É também com a emoção na voz e no rosto que José Américo, de 71 anos, conta como viveu o período revolucionário. Diz mesmo ser-lhe difícil lembrar tudo o que sentiu quando a Revolução o apanhou fora de Lisboa, onde era trabalhador portuário. Sem conseguir regressar até ao dia estar avançado – «estava tudo bloqueado» –, foi pela rádio que acompanhou os acontecimentos desse dia histórico.

Dos meses que se seguiram ao 25 de Abril, diz que foi com a nacionalização da banca que percebeu o alcance do processo revolucionário, mas recorda também «a Reforma Agrária, as assembleias na rua e os movimentos plenos de participação».

No seu local de trabalho, José Américo lembra a participação dos seus colegas nas assembleias e no movimento sindical a partir do 25 de Abril e que se criou «o que nunca houve», dando exemplos: a garantia salarial e o «centro coordenador de trabalho», através do qual a distribuição do trabalho passou a ser «mais justa».

À distância de 43 anos, diz-se «triste com muitas coisas que aconteceram depois» e refere a adesão de Portugal à União Europeia (então CEE) e ao euro como «condicionantes». Mas é com felicidade que afirma: «É necessário continuar a luta para recuperar os direitos que se perderam e para conquistar novos.»

Fonte: Abril Abril.

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