La Vaca Companhia de Artes Cênicas comemora uma década de existência com a estreia de “Ilusões”

Foto: Cristiano Prim.

La Vaca Companhia de Artes de Cênicas nasceu em 2008 com a montagem de Mi Muñequita, estreia brasileira do texto do dramaturgo uruguaio Gabriel Calderón. Nos anos seguintes, com o êxito dessa primeira montagem, a companhia seguiu um caminho de desenvolvimento de seu trabalho, fruto das parcerias estabelecidas com artistas da nova cena teatral latino-americana, especialmente criadores uruguaios. Seguiu-se a montagem de Kassandra, de Sergio Blanco e UZ, outro texto de Calderón. Além destes, a companhia desenvolveu projetos diversos, que vão desde experiências autorais em gêneros cômicos a intervenções urbanas, estabelecendo relações criativas e profissionais com artistas de outros coletivos.?

O projeto Ilusões – La Vaca 10 anos representa um ponto de virada em que os artistas da companhia, além de revisitarem sua jornada, se propõem a trilhar novos caminhos, ocupar novos espaços, conectar-se com novos parceiros, explorar novas linguagens e investigar novas formas de dialogar com as plateias e compartilhar a experiência construída até aqui. A ação de criação é uma nova montagem para a companhia, a partir do texto Ilusões, do autor russo Ivan Viripaev, sob direção de Fabio Salvatti.

A montagem de Ilusões representa uma mudança de rota em termos dramatúrgicos para a companhia. Ainda que o foco continue sendo a dramaturgia contemporânea, a companhia propõe a encenação de um jovem autor russo, expandindo seu interesse para além do universo teatral latino-americano. Da mesma forma, a nova parceria estabelecida com o diretor Fabio Salvatti, abre as perspectivas de exploração de novas formas de linguagem, que representem continuidades e rupturas com os modos de representação explorados até aqui. O próprio texto de Ilusões reflete de forma metafórica sobre as questões que levam a companhia a propor esse projeto, uma vez que a peça trata da memória, tempo, resistência e permanência.

?A pergunta que encerra a peça Ilusões sintetiza sua intenção poética: Tem de haver algum tipo de permanência neste universo cambiante?

?Ao narrar o relacionamento de dois velhos casais, Ivan Viripaev, autor do chamado Novo Drama Russo, compõe uma reflexão aberta sobre os mitos a respeito do amor, relacionamentos e permanência. Afinal, será que o amor é mais do que uma complexa rede de histórias que contamos a nós mesmos e aos outros? Assim como em outros textos do autor, em Ilusões a estrutura da narrativa é posta em questão, há uma fenda instaurada entre performer e texto, entre forma e conteúdo. Viripaev traz para a cena uma epicidade que não se confunde com o projeto político de Bertolt Brecht e nem com a oralidade dos contadores de histórias. Há uma desdramatização do material cênico, de forma que não há clareza de qual é a relação estabelecida entre os personagens e os atores que contam suas histórias. Isso abre caminhos plurais tanto para a encenação quanto para a atuação deste texto.

?O projeto pretende voltar à intimidade, numa espécie de reconexão entre intérprete e público. Por este motivo, decidiu-se promover a proximidade entre atores e espectadores. A encenação se define neste encontro humano, fundador do fenômeno teatral e tão caro aos dias sombrios em que vivemos, como potência artística. Os elementos cênicos que acompanham este encontro serão muito simples, minimais: poucos adereços, alguns objetos de cena. Menos efeito, mais afeto.

?Com Ilusões – La Vaca 10 anos a companhia pretende rever sua trajetória e colocar em perspectiva o trabalho realizado até aqui, ao mesmo tempo em que se desafia ao novo, investigando formas de continuidade e resistência de seu percurso.

?Além da montagem e temporada de estreia de Ilusões, o projeto conta com a edição de uma revista comemorativa, a ser lançada na estreia do espetáculo, e a apresentação gratuita de dois trabalhos do repertório da La Vaca ainda em 2018.

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SINOPSE:

Tem de haver algum tipo de permanência neste universo cambiante? Ilusões propõe uma reflexão aberta sobre os mitos do amor, da memória e da permanência ao contar a história de dois velhos casais. Será que o amor é mais do que uma complexa rede de histórias que contamos a nós mesmos e aos outros? Como saber o que é e o que não é uma ilusão? Discos voadores, linhas rosas no horizonte e pedras arredondadas são aqui testemunhas das respostas provisórias a estas perguntas.

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FICHA TÉCNICA

Ilusões, de Ivan Viripaev

Direção e tradução: Fabio Salvatti

Com: Anderson do Carmo, Drica Santos, Milena Moraes e Renato Turnes

Cenografia: Sandro Clemes

Figurino: Renato Turnes

Desenho de luz: Fabio Salvatti

Orientação vocal: Jefferson Bittencourt

Coreografia: Anderson do Carmo

Revisão de tradução: Vera Seregina

Arte gráfica: Renato Turnes

Produção: Milena Moraes e Renato Turnes

Realização: La Vaca Companhia de Artes Cênicas

Projeto realizado com o apoio do Estado de Santa Catarina, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Fundação Catarinense de Cultura, FUNCULTURAL e Edital Elisabete Anderle/2017.

Outros apoios: SESC -Serviço Social do Comércio em Santa Catarina, Gruta Acessórios

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SERVIÇO:

 Ilusões

Local: Teatro do SESC PrainhaTravessa Siryaco Atherino, 100 – Centro, Florianópolis

Data: 11,12,13 (sex a dom) e 24, 25, 26 e 27 (qui a dom) de maio.

Horário: 20h.

Duração: 90 min

Classificação Indicativa: Livre

Entrada gratuita. Ingressos distribuídos no local a partir das 19h.

Mais informações: www.cialavaca.com[email protected], 48 99138 2322

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