Evento que retratou arte e cultura de povos refugiados na visão de estudantes das Escolas em Luta

Por Lilith Passos e Giovanni Honorato da E E Maria José.

Alunos que ocuparam a E.E. Maria José, na Bela Vista, São Paulo, estiveram na Conexão Cultural, evento realizado ontem, no aniversário da cidade e que teve como objetivo, integrar a população paulistana com a cultura de povos refugiados através da arte. Ao final do evento, eles escreveram para os Jornalistas Livres. Confira o relato.

HOJE É ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO E NADA PODE SER MAIS “DESCONSTRUTIVO” DO QUE LEMBRAR QUE A CIDADE É UM DOS LUGARES QUE MAIS RECEBE IMIGRANTES E APRESENTA-SE COMO ALTERNATIVA PARA MUITAS PESSOAS EM BUSCA DE REFÚGIO E MELHORES CONDIÇÕES DE VIDA.
photo645545546528958436
Cruzamos com essas pessoas diariamente, que saíram por inúmeras necessidades do lugar de onde nasceram e viveram por muitos anos e vieram para um lugar tendo que enfrentar dificuldades com o idíoma, costumes, diversos preconceitos, discriminação e claro, marginalização.

MAS A NECESSIDADE É UNICA: SOBREVIVER.

 No evento “Conexão Cultural” que aconteceu no Museu da Imagem e do Som, na capital,  nessa segunda de feriado, o objetivo era a conexão dessas culturas quase invisíveis com São Paulo, reunindo feira de gastronomia, música, artesanato e exposições compostas com artistas refugiados de países árabes (Síria e Palestina) e africanos (Congo, Haiti, Senegal).
Vimos que essa “conexão” foi prejudicada e se tornou uma mera apropriação cultural, pelo localização onde foi realizado o evento: um bairro nobre da cidade frequentado por pessoas da elite branca.
Vimos a senhora moradora do bairro que usara aquele único dia do ano para dizer que se importa com a refugiada do Congo, comprando seu turbante, pagando caro, mas sem saber o real valor daquele acessório, do trabalho manual, do tecido usado e o símbolo de resistência. A consciência da importância daquele simbolo não foi tomada, foi apenas a determinação da indústria capitalista de que aquele acessório era bonito e de consumo.
photo606908304201983975
Vivemos num mundo onde há séculos a cultura dominante é a europeia, branca, ocidental, e a maioria das pessoas que estavam no evento eram assim e demonstravam interesse nos objetos, como produtos comuns do capital que sentiam vontade de consumir, mas não sem qualquer reflexão consciente da importância daquele “produto”, e menos ainda, das necessidades dos refugiados e da história deles.
Conversamos com Dady Simon, um refugiado do Haiti, morando atualmente em Foz do Iguaçu. Ele pintava quadros que contavam a história do seu país e as belezas escondidas de uma maneira especial. Ele relatou fatos sobre sua chegada aqui e ressaltou que há uma relação com os estudantes secundaristas das escolas ocupadas e os militantes de luta por moradia nas ocupações espalhadas pela cidade:

photo606908304201983966“A princípio cheguei a pensar que não era correto o que eu estava fazendo, pois me chamaram de invasor muitas vezes. Eu só quero sobreviver.” Durante algumas apresentações musicais os povos refugiados sempre falavam com bravura ao microfone :”Obrigada São Paulo, cidade acolhedora!”

É importante a reflexão sobre os motivos pelos quais essas pessoas escolheram sair de seus países. Não cabe nos Direitos Humanos trata-los como seres invisíveis, tanto a sua história de vida, como pela história de seu país e os motivos que o levaram a sair de lá. É preciso se importar com os refugiados.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.