Em carta aberta, Su Tonani encerra o caso de assédio de Zé Mayer

2017-05-05 10:33

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Texto publicado em março no blog #AgoraÉQueSãoElas foi a primeira acusação pública de assédio feita pela figurinista Su Tonani contra o ator José Mayer. Pouco mais de um mês depois, o mesmo blog é escolhido por ela para encerrar o caso.

A figurinista explica por todas as etapas que passou, expõe sua visão em relação de como a mídia lidou com o ocorrido e pede “Me deixem deixar de ser vítima: me deixem voltar a se eu”. Leia:

Por Su Tonani.

“Não, eu não fui amante de José Mayer.

Declaro que não fiz acordo com nenhuma parte envolvida e muito menos recebi algum dinheiro.

Não fui demitida da Rede Globo. O meu contrato, como o previsto, se encerrou com o final da novela.

Declaro que não retirei queixa contra José Mayer pelo simples fato de que nunca a fiz.

Eu fui vítima de assédio sexual. E agora estou sendo vítima novamente. Das especulações que colocam dúvidas sobre a minha dor. E me fazem revivê-la.

Em 31 março de 2017, depois de oito meses sendo assediada pelo ator José Mayer, depois de ter levado minha denúncia de assédio às instâncias de poder ao meu alcance e não ter encontrado justiça, depois de ver o medo dos colegas de testemunhar o que viram, sentindo que não tinha mais a quem recorrer, decidi. Sem nenhum outro recurso à minha disposição, optei por tornar pública minha denúncia no blog feminista #AgoraÉQueSãoElas. Um espaço que me acolheria.

Mas não pensem que foi uma decisão trivial. Ela foi recheada de medo.

Sabe por que dá tanto medo de delatar um abuso?

Porque nossa cultura machista culpa a mulher, a vítima, pela violência vivenciada. É isso que corre nas redes. É o que passa pelo boca a boca. É o que passeia por nossos aplicativos de relacionamento. É o que é impresso nos jornais. A história da mulher sedutora, agora passional e vingativa. Da mulher que mereceu. Da amante rejeitada.

Essa é a história que o mundo machista gosta de contar. E que nos acostumamos a aceitar como versão mais plausível. Saiba: essa prática nos desempodera. Nos revitimiza. E neste momento é como me sinto. Me sinto vítima novamente.

Vítima de quem, agora?” Continue lendo no #AgoraÉQueSãoElas

Fonte: Catraca Livre.

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