Ainda sobre a irrefreável pandemia da COVID-19 no Brasil. Por Douglas Kovaleski.

Abertura de shoppings em São Paulo. Foto: Roberto Parizotti

Por Douglas F. Kovaleski para Desacato. info.

A pandemia da covid-19 se prolonga no Brasil com números estarrecedores. Nesta terça-feira alcançamos a marca de 44.657 mortes e 904.734 casos da doença ainda numa ascendente da curva de casos e de mortes com leitos de enfermaria e de UTIs chegando ao seu limite em várias regiões do país. Os dados agora provêm de um consórcio de veículos midiáticos, pois não se tem a menor confiança nos números divulgados pelo Ministério da Saúde. Ministério agora dirigido por um milico, completo ignorante sobre saúde.

A saúde pública brasileira é referência internacional devido: à universalidade do acesso ao SUS (Sistema Único de Saúde), à integralidade da atenção, prevendo que todas as necessidades em saúde devem ser atendidas pelo SUS e à equidade, onde o SUS se coloca como uma ferramenta de redução de desigualdades sociais, dando mais a quem precisa mais segundo as necessidades de cada brasileiro ou estrangeiro que estiver passando pelo país. Esse último quesito ressalta o caráter humanístico que o SUS carrega, pois a constituição brasileira de 1988 considera a saúde um bem maior, algo que é sinônimo de vida e deve ser garantida acima de qualquer coisa, pois é um direito humano que se assegura por meio de um direito social, o SUS.

Apesar de todas essas características, que não se efetivaram em sua plenitude por uma histórica falta de recursos, o país conseguiu investir em formação de recursos humanos e em tecnologias no sentido de aprimorar esse sistema de saúde, que é também um desafio a ser alcançado. Dentre essas tecnologias desenvolvidas estão os sistemas de informações em saúde desenvolvidos pelo Brasil e alimentados cotidianamente pelos municípios estados e brasileiros.

Toda essa descrição é para reafirmar a importância do SUS e para alertar à sociedade brasileira e aos representantes dessa nação para o tamanho desmonte proposital que está em curso no país. Querem descredibilizar o nosso maior patrimônio público, o SUS. Ao passo que temos um sistema de saúde capaz de conter de maneira exemplar a pandemia da Covid-19, caso estivesse funcionando com uma boa gestão e com o financiamento adequado, temos o oposto acontecendo: subfinanciamento, uma gestão vergonhosa dos recursos, conformando e um verdadeiro descaso com a vida.

 

 

 

Douglas Francisco Kovaleski é professor da Universidade Federal de Santa Catarina na área de Saúde Coletiva e militante dos movimentos sociais.

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A opinião do/a autor/a não necessariamente representa a opinião de Desacato.info.

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