A voz das vadias : a segunda edição da Marcha das Vagabundas em Florianópolis!

Por Lívia Monte.

Fotos: Priscila Lopes.

 Na cidade canadense Toronto , um policial ao palestrar  em uma universidade sobre segurança no campus afirmou que as universitárias deviam se vestir menos como “vadias” para evitar estupros.  Gostaria muito que esse oficial pudesse me explicar  o porquê que em alguns  países  islâmicos , os quais adotam a burca como vestimenta feminina , também ocorrem estupros.

De qualquer modo, a  tentativa no mínimo ridícula do policial de tentar responsabilizar as mulheres pelo assédio sexual cometidos contra as mesmas gerou uma verdadeira explosão de marchas das vagabundas por todo mundo e em Florianópolis hoje, dia 26 de maio ,ocorreu sua segunda edição.

Mais assertiva e organizada que no ano passado, com enfoque na violência tanto racial , de gênero e  de orientação sexual, a marcha se concentrou as 10 horas da  manhã nas escadarias da Catedral Metropolitana da cidade, e teve início com a queima de um boneco que representava o deputado homofóbico e machista Bolsonaro. Além do grito repetido ano passado: “Estupro RBS , a gente não esquece!” Tal grito é referente a um caso de estupro ocorrido em Florianópolis , onde uma garota de 13 anos foi violentada por 3 rapazes e pelo fato de um deles ser filho do dono do veículo de comunicação RBS o caso foi abafado pela grande mídia mas não se apagou da lembrança dos cidadãos.

Acredito que posso dizer que hoje as vagabundas tiveram voz, afinal “se ser livre é ser vadia todas nós somos” bradavam as mulheres da marcha! “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente com a roupa que eu escolhi e poder me orgulhar pois de burca ou de shortinho todos vão me respeitar.” “Merecemos respeito , mulher não é só bunda e peito!”Para a polícia o cartaz era acertivo: “Guardem o seus cacetetes nós não estamos interessadas neles.”  E nos corpos femininos frases de tinta ou batom resumiam o sentimento: “Quem manda aqui sou eu!”

Quando a marcha se aproximou da Igreja Universal localizada na Av. Mauro Ramos, questões como a liberdade e sexual e de reprodução e os dizeres para os religiosos se traduziram em : “Tirem o seus rosários dos nossos ovários!”E enquanto todos se concentravam na frente da igreja, surgiu uma figura de vestido com uma frase em um cartaz que nenhum cristão poderia discordar: “Jesus ama as vadias!” Maria Madalena que o diga.

A participação significativa dos homens na marcha foi um fator que me chamou muito a atenção e segundo o manifestante Vinicius da Rosa: “Se se é vadia por dar para um homem, então todos viemos de uma vadia, por isso é que precisamos respeitá-las.”

Então nada mais claro, querido leitor, que encarar o fato de que todos nós viemos de um útero e não de uma costela, por isso é  direito de toda mulher ser livre . A marcha  terminou na avenida Beira-mar norte, onde os organizadores reiteraram que o evento foi de organização independente não vinculada a partidos políticos ou instiuições.

É caro leitor,  a manifestação pode ter chegado ao fim , mas os brados das vagabundas  de hoje irão ecoar por muitos anos. Por isso a vadia aqui se despede com a seguinte frase:

A Buceta é minha e eu dou para quem eu quiser!

 

 

 

 

 

1 COMENTÁRIO

  1. Vamos reunir 1 milhão de mulheres na próxima Marcha das Vadias.
    O ano que vem vamos colocar um trio elétrico pra animar a multidão.
    Curti muito a marcha desse ano. Cantamos, tiramos a roupa, levantamos cartazes, enfim, pudemos expressar nossas ansiedades por um mundo mais justo e menos preconceituoso.

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