A rebelião dos ricos na Venezuela

Publicado em: 21/05/2017 às 12:10
A rebelião dos ricos na Venezuela

O jornalista Mark Weisbrot foi enviado a Caracas pelo jornal britânico “The Guardian” assim que começaram os primeiros surtos de protestos na Venezuela durante o ano 2014.

Tradução: Elissandro Santana, para Desacato.info.

Em um interessante artigo publicado na edição do jornal para o qual ele trabalha, Weisbrot foi se distanciando da percepção apresentada em seu país, modelada pelos “meios privados de comunicação”.

Depois de passar várias semanas na Venezuela e de haver passeado por ruas de Caracas em transporte público, depois de haver investigado pessoalmente, conversando com pessoas de distintos setores sociais, voltou a seu país com novas conclusões a respeito da situação venezuelana: aceita haver sido enganado pelas imagens midiáticas e manifesta ter se convencido de que as revoltas, em certos pontos das áreas mais ricas e principais cidades venezuelanas, são financiadas pelos ricos, pelos grandes empresários e incitadas pelos Estados Unidos.

 EFE/David Fernández

Mark Weisbrot disse: “Imagens forjam a realidade, a concessão de um poder da televisão e inclusive fotografias fixas podem interferir profundamente na percepção das pessoas sem que elas percebam. Pensei que eu estava imune às representações repetitivas sobre a Venezuela como “um Estado Falido” em meio a uma rebelião popular. Porém, eu não estava preparado para o que vi – pessoalmente – em Caracas durante esse mês: pouco da vida cotidiana parecia estar afetado pelos protestos, a normalidade se impôs na maior parte da cidade. Eu também havia sido enganado pelas imagens midiáticas”, assim narra o jornalista parte da matéria intitulada “A verdade sobre a Venezuela: uma revolta dos ricos, não uma campanha de terror”.

CAR119. CARACAS (VENEZUELA), 21/03/2013.- Seguidores chavistas y opositores marchan hoy, jueves 21 de marzo de 2013, en el centro de Caracas (Venezuela). Cuatro estudiantes opositores resultaron heridos tras ser agredidos presuntamente por jóvenes chavistas cuando trataban de llegar al Consejo Nacional Electoral (CNE) para exigir elecciones justas en Venezuela, según fuentes de la marcha opositora. EFE/David Fernández

A rebelião dos ricos na Venezuela

A matéria escrita para o jornal The Guardian segue: “Os principais meios de comunicação informaram que os pobres da Venezuela não se juntaram aos protestos da oposição de direita, porém isso é um eufemismo: não se trata somente dos pobres que estão em abstinência; em Caracas quase todo mundo segue a vida, com exceção de algumas áreas ricas como Altamira, em que pequenos grupos de manifestantes participam em brigas noturnas contra as forças de segurança, jogando pedras e bombas incendiárias e correndo de gás lacrimogênio”.

Weisbrot desembarcou em Caracas no mês de fevereiro de 2014, quando se iniciou o conflito chamado de crise pela imprensa mundial e ficou lá um par de semanas, percorrendo as ruas, entrando nos transportes públicos, observando in situ os movimentos do chavismo e da oposição de direita.

“A natureza de classe desta luta tem sido sempre crua e inescapável e, agora, mais do que nunca. A população, que se apresentou no dia 5 de março de 2014 nas cerimônias para comemorar o aniversário da morte de Chávez, era um mar de trabalhadores venezuelanos, dezenas de milhares deles. Não havia ali roupa cara ou sapatos de 300 dólares. Que contraste com as massas descontentes de Los Palos Grandes que usam jeeps Cherokee de 40.000 dólares com o lema do momento: S.O.S. VENEZUELA” relata o jornalista britânico.

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Em seguida, investiga o papel atribuído aos Estados Unidos no assunto. “A retórica “campanha de terror”, de Kerry, é igualmente separada da realidade; Aqui está a verdade sobre os cargos de Kerry: desde que começaram os protestos na Venezuela, parece que mais pessoas foram mortas por manifestantes que pelas forças de segurança. As mortes foram relatadas pelo CEPR no último mês, além das que morreram por tratar de eliminar as barricadas – incluindo um motociclista decapitado por um cabo que se estendia através da estada – e cinco agentes da Guarda Nacional que foram assassinados” informou Weisbrot.

O jornalista também ampliou a visão sobre a realidade econômica na Venezuela: “Talvez, Kerry acredite que a economia venezuelana vá colapsar e que trará alguns problemas dos ricos venezuelanos às ruas contra o governo. Porém, a situação econômica se estabiliza, na realidade (…) o governo está introduzindo um novo tipo de mudança baseado no mercado”.

Finalmente, o jornalista do The Guardian lançou uma sentença após sua estadia em Caracas: “Sua estratégia insurrecional atual (a da oposição) não está ajudando à sua própria causa: parece haver dividido a própria oposição e unido os chavistas. O único lugar onde a oposição parece estar obtendo um amplo apoio é Washington”, termina a matéria.

Esta experiência do jornalista estrangeiro poderia se repetir como que “copia e cola” na vida de qualquer repórter que venha –com veia de investigador- a cobrir os protestos violentos da oposição que ocorreram durante mais de 40 dias – de abril a maio do ano de 2017- e que culminaram, na maioria, em atos terroristas com um lamentável saldo de 38 pessoas mortas e mais de 700 feridos até agora.

É uma recomendação que os repórteres de jornais escritos e outros comunicadores que venham ao país tratem de calcular o preço em dólares dos caríssimos equipamentos que a oposição venezuelana utiliza atualmente em suas marchas e concentrações: máscaras contra gás, óculos, capacetes, escudos, câmeras GoPro e até modernas armas longas desfilando como ferramentas de choque.

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“A rebelião dos ricos na Venezuela”

É evidente que a classe social que reúne os grandes empresários da Venezuela declarou guerra (econômica, política e de corpo a corpo) à classe social composta pelos trabalhadores que depende da renda que recebe em troca de seu trabalho.

Novamente, as zonas de “Hi” de Caracas, Maracaibo, Valência, San Cristóbal, Margarita e Barquisimeto presenciaram os focos terroristas da direita venezuelana nesta nova “cruzada” que muitos estão chamando de “a rebelião dos ricos” ou “a revolta a leste do leste”. A única diferença: maior carga de violência, de ódio, de fascismo, a presença de agentes paramilitares e/ou atiradores tentando estender e generalizar a birra dos meninos e meninas malcriados da Venezuela. Do contrário, o ocorrido em algunas zonas de “O Vale” se houvesse ampliado como pólvora a toda a capital.

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Uma solução urgente para ampliar o muro de contenção que deve frear esta situação de 2014 -repetida em 2017- é continuar protegendo a classe operária e trabalhadora, congelando os preços no país para blindar integralmente o salário dos venezuelanos, além dos aumentos de salário anunciados pelo Presidente Maduro.

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O antichavismo deve ser desnudado perante o mundo permanentemente como uma classe que detesta os pobres, os trabalhadores –sua ascensão e estabilidade social- e que busca oprimir a classe média transladando todo o produto de seu esforço aos bolsos dos grandes proprietários.

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A oposição venezuelana criada muito ao estilo “Hollywood” acredita que conta com super-heróis e promove um imaginário coletivo que os dissocia da realidade permanentemente.

Ademais, a oposição venezuelana possui um novo financiamento aprovado pelo governo estadunidense por um montante correspondente a 20 milhões de dólares que já está chegando por diferentes vias e mecanismos aos dirigentes antichavistas para seguir financiando os terroristas.

Basta revisar a origem dos sobrenomes das famílias dos dirigentes opositores e fazer uma grande árvore genealógica familiar para entender por que estas pessoas declararam guerra aos governos de Chávez e Maduro.

O departamento de Estado norte-americano não perde tempo coordenando um ataque global contra a Venezuela. Todas as forças reacionárias locais e externas se juntaram em uma ofensiva frontal econômica, financeira, psicológica, midiática, ideológica contra a Revolução Bolivariana e tudo o que ela significa.

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Direção opositora recebe em 2017 aproximadamente 20 milhões de dólares do governo dos Estados Unidos.

Quem dera mais Mark Weisbrot viessem caminhar pelas ruas das cidades em 2017 para redescobrirem o que tentam esconder através do imaginário criado e difundido -como mísseis de guerra- pelas grandes corporações de comunicação no mundo contra a Venezuela.

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Acima: dirigentes opositores

Foto de capa: Lilian Tintori, esposa do golpista Leopoldo López. Pronta com modernos equipamentos.

Fonte: Tercera Información.

 

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