A “mídia alternativa” precisa ser nossa mídia principal. Por Amauri Soares

Por Amauri Soares. 

Cinco minutos da sua atenção, pra falar de comunicação:

Fiz meu trabalho de Conclusão de Curso nas Ciências Sociais da UFSC sobre o posicionamento no “Jornal Nacional” da Rede Globo acerca das privatizações, desregulamentação do Estado, liberalização da economia, etc, no ano de 1996. É assustador quando se vai medir de forma sistemática as abordagens deles sobre os grandes temas nacionais.

Desde então me é claro o abismo em termos de comunicação que nos separa do nosso inimigo de classe. E a angústia nos acompanha porque acabamos não fazendo qualquer contraponto de forma organizada.

Os grupos que tentam fazer esse contraponto, na maior parte das vezes, morrem à míngua, pois é mais comum o próprio movimento sindical gastar vultosas somas em publicidade junto aos monopólios privados de comunicação, e ficar cheio de dedos quando aparece demanda da chamada “mídia alternativa”.

Escrevo isso depois de duas horas de papo com Raul e Rosângela, do Desacato.

Evidente que a “mídia alternativa” tem um alcance menor, pois não tem nenhum incentivo para fazer algo maior. Aliás, já fazem muito pelo quase nada que têm. Um grupo de mais de uma dezena de pessoas trabalha praticamente por amor à causa.

Claro que é preciso dinheiro pra ter “a outra informação”, pois todas as pessoas precisam sobreviver, mesmo que seja com um mínimo.

Mas, neste caso também, a sobrevivência das pessoas está relacionada com a sobrevivência política da nossa classe.

A questão é: até que ponto temos disposição política para construir instrumentos mais sólidos de comunicação?

Até que ponto temos a tal generosidade socialista para perceber que um veículo de comunicação da nossa classe não vai falar só daquilo que queremos que fale? Que não será só a linha política dos nossos partidos, organizações e entidades que vai aparecer nestes veículos se eles se propõem de fato ser da classe inteira!?!

Bom.

São múltiplos os debates que se podem fazer nesta pauta. E a cooperativa Desacato quer ter a oportunidade honesta de falar sobre isso nas entidades sindicais, inclusive indo nas reuniões de diretoria, em dia e hora que seja disponibilizado.

Neste momento, eles estão fazendo um filme/documentário sobre os 40 anos da Novembrada, o que precisa de apoio político, de divulgação, e também apoio econômico. Mas o fortalecimento da “mídia alternativa” é algo que precisa ser permanente.

Tão permanente que um dia deixe de ser “mídia alternativa” para ser a nossa mídia principal. Pois, olhemos, a chamamos de alternativa porque não é usual. O dia que a nossa mídia deixar de ser apenas uma alternativa esporádica, e se tornar usual, então nossa classe estará mais perto de ter vitórias substanciais.

Desculpem se passei de cinco minutos! A cooperativa Desacato pede meia hora da sua atenção, e eu assumi de lhe dizer isso.

Abraços!

Amauri.

 

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