10 anos da Gentalha do Pichel: Ativismo lingüístico e cultural na capital da Galiza

Publicado em: 31/01/2014 às 08:29
10 anos da Gentalha do Pichel: Ativismo lingüístico e cultural na capital da Galiza

b_480_322_16777215_00_archivos_Administradores_Maurício_2014-01_310114_macaA Gentalha do Pichel completa neste 2014 o seu 10º aniversário, convertido num referente fundamental do movimento reintegracionista de base, que trabalha pola plena normalizaçom lingüística e cultural da Galiza.

O Diário Liberdade considera de especial destaque o trabalho local que no dia a dia constrói a Naçom Galega sem mais apoios que os dos setores populares interessados em que a Galiza poda ter um futuro como povo. Daí que, também no caso da Gentalha do Pichel, no DL queiramos mostrar aos nossos leitores e leitoras um pouco da experiência e do balanço desta década de experiência do projeto ‘A Gentalha do Pichel’ em Compostela, a capital da Galiza.

Para tal, compartilhamos a entrevista realizada a Maca Igreja, integrante do Conselho da Gentalha do Pichel e ativa animadora da entidade nestes 10 anos.

Diário Liberdade – Neste tempo a Gentalha tivo que enfrentar a repressom e dificuldades de todo o tipo vindas dos diferentes governos municipais? Que liçons tirastes destas experiências?

Maca Igrejas – Desde o início tivemos claro que devíamos ser um projeto autogerido e independente organicamente de qualquer estrutura externa, política ou adminitrativa. Nom pedir licença para levar adiante o nosso trabalho. Mas nestes anos esta premisa viu-se mais que confirmada. Comprovamos como às instituiçons nom lhes interessam os centros sociais que fomentem umha cultura crítica, os diferentes governos municipais nom querem umha cultura popular nem galega. Também comprovamos o seu esforço por anular todas essas iniciativas, negar o uso de espaços públicos, debilitar-nos economicamente por meio de sançons, tentar fechar o local. A liçom é a confirmaçom da necessidade de criar espaços autogeridos e livres que criem um tecido social à margem das instituiçons oficiais, espaços culturais, sociais, vizinhais, de lazer alternativo, nos quais trabalhamos a partir da base.

Mas também tiramos outras liçons. Algumhas dessas alegrias som: criar um espaço onde aprendemos da história da cidade; conhecemos por meio dos roteiros a sua toponimia, as suas desfeitas ambientais e os seus valores naturais; pudemos aprender idiomas; aprendemos a dançar nas aulas e nas foliadas; a tocar os mais variados instrumentos de música; desfrutamos com o talento de artistas [email protected]; contamos com gente de outros povos que nos ensinou a cozinhar os pratos que constituem parte da sua cultura; integramo-nos no bairro, apoiamos a recuperaçom das festas tradicionais da Rua de Abaixo; redescobrimos o Apalpador, que agora visita cada solsticio centenas de crianças por todo o País; vimos com preocupaçom que as crianças abandonam a língua ao chegar à escola e pugemos-lhe remedio criando um ensino diferente, em galego, repeitoso com os ritmos e os interesses…

Partilhamos certezas e dúvidas, desejos e vontades, tempo e ideias.. E nisso andamos..

DL – A Gentalha do Pichel é um desses novos projetos associativos que surgírom nos últimos anos na Galiza, em muitos casos, como o vosso, relacionados com a criaçom de Centros Sociais. Quais som, do vosso ponto de vista, os prós e os contras desta nova jeira do associacionismo galego da base?

Maca – Os prós, a capacidade de construir umha cultura e umha redescoberta de nós próprias desde nós e para nós. Para a Gentalha, contar com um espaço físico é fundamental para desenvolver as atividades.

Os contras, no nosso caso, apesar de termos ido consolidando umha base social de gente e pessoas associadas que continua a crescer, continua a ser pouca a gente que se anima a participar ativamente nas comissons de trabalho. O projecto funciona e interessa, há muita gente nos cursos, público nas atividades próprias e as organizadas por outros colectivos no Pichel… mas falta gente que se envolva ativamente na organizaçom das mesmas. Temos a sensaçom, confirmada com outras companheiras de outros coletivos, de que a nova geraçom de ativistas tem um perfil muito particular. Do conjunto de militantes sempre destacava um núcleo muito sólido de gente com umha entrega generosa e sustentada no tempo. Verifíca-se que esse núcleo nom se está a renovar e isto intranquiliza-nos. Queremos dizer que é possível que os centros sociais da Galiza necesitem objetivos para além da criaçom do espaço físico. Ojetivos que impulsionem as novas ativistas a procurarem objetivos mais ambiciosos e motivadores.

DL – Um dos objetivos da criaçom de Centros Sociais, polo menos no caso dos surgidos no ámbito da esquerda soberanista, foi o de criar espaços para a normalizaçom lingüística. Achades que no vosso caso o resultado é positivo?

Maca – Entre os objetivos da Gentalha está a difusom e às vezes mesmo recuperaçom da cultura galega, o conhecimento e a defesa do meio, a tomada de consciência do nosso patrimonio artístico, ambiental, a vontade de aprender, de difundir e recuperar os nossos costumes, a nossa história, a nossa música… mas todos estes objetivos tenhem a língua, com umha focagem reintegracionista, como eixo basilar. A normalizaçom da língua foi e está a ir ao encontro da socializaçom do reitegracionismo. Neste sentido, estamos satisfeitas, naturalizou-se umha opçom que se visibilizou na rua, nas aulas, na associaçom vicinal do bairro… Para além de termos feito um trabalho explícito de reflexom lingüística por meio da comissom de língua.

DL – E como observades a situaçom do associativismo em Compostela? Mudou em algo nestes dez anos? Qual é a vossa relaçom com o resto do tecido associativo?

Maca – Em Compostela houvo e hai um tecido associativo vivo e diverso, iniciativas sociais e culturais que trabalham em diferentes ámbitos, algumhas iniciativas tenhem mais permanencia no tempo e outras mudam. Quando nós começamos, estavam o exemplos de ITACA e da Casa encantada; este último já nom existe agora, mas surgírom outras iniciativas e mesmo acaba de abrir um outro Centro Social em Sar.

Penso que cada Centro Social tem as suas dinámicas e ámbitos de trabalho, mas muitas vezes esses trabalhos som complementares. De facto tenhem surdido iniciativas nestes anos nos quais trabalhamos conjuntamente como a celebraçom das festas populares em Compostela como alternativa as elitistas e alheias à nossa realidade como as da Ascensom do Concelho, temos participado na organizaçom de jornadas formativas e no Entruido com outros coletivos da cidade (Centros Sociais, cooperativas de consumo, coletivos ambientalistas, feministas…). No próprio local, há outros coletivos com os quais partilhamos espaço (Cineclube, Radio Kalimera, Novas da Galiza, AGAL, Favas Lobas, Navizas Ceibes…). O surgimento de iniciativas sociais, culturais é otimo e a cooperaçom entre eles necessária.

DL – Como gostaríades de que fosse a Gentalha do Pichel de aqui a outros 10 anos?

Maca – Bom, para que os projetos estejam vivos precisam-se iniciativas, apoios, gente. Estaria bem somarmos novas pessoas ativistas e podermos continuar o trabalho e mesmo alargá-lo.

Quando começamos, a média de idade das pessoas que nos envolvemos no projeto estava por volta dos vinte… Passárom-se dez anos e é ainda que os objetivos e as linhas de trabalho som as mesmas, as situaçons vitais fam com que os ámbitos de trabalho também se diversifiquem e haja novos reptos porque também há novas necessidades. Neste sentido um dos projetos mais ambiciosos e motivadores foi a criaçom da Semente, a escolinha de ensino galego.

Conhecemos a lei natural que di que, quando um organismo deixa de crescer, se dispom a morrer. O nascimento da Semente configura o nosso repto atual mais ambicioso; mas quando se lançou a Semente tivemos em debate opçons como a criaçom de umha “sucursal” com formato de bar na zona velha, o aluguer do último andar no prédio em que estamos… Dentro de 10 anos esperamos ser muitas mais e com muito mais impacto em Compostela, que seja muita a gente que se nos some no caminho, porque partilha a mesma visom do associativismo e quer desenvolver os seus projetos na Gentalha; ainda fica muito por fazer…

DL – Que atividades tedes programadas para celebrar o vosso 10º aniversário?

Maca – Esta é a programaçom prevista:

quinta 30 janeiro

21h00

Noite de Magia com o Mago Teto

Apresentaçom do Baralho Suevo

sexta 31 de janeiro

FOLIADA DÉZIMO ANIVERSÁRIO DA GENTALHA

Sexta feira 31 de xaneiro a partir das 21h30

No ano 2004 pugemos a andar um projeto cultural que, entre outras cousas, queria espalhar e pôr em valor a música tradicional. Queremos celebrá-lo lembrando estes 10 anos com a música de 10 grupos que nalgum momento da andaina estivérom connosco!!

Quarteto da Gentalha

Triroliro Regueifeiros

Os Fondãos do Pìfaro

Os Estalotes

Os de Abaixo

As Bouba

Carapaus

Ariel Ninas

A Requinta da Amaia

Verdegaios

e como sempre… contigo! Trai o teu instrumento e soma-te à festa!!!!

sábado 1 de fevereiro

13h00 sessom vermu com Mini e Mero

14h00 jantar de aniversário

10€ sócias/12€ nom sócias

(teremos opçom vegetariana)

22h00 concerto X aniversário

Liska

Os John Deeres

Bigote mix

(teremos ceia à venda)

Sábado 8 e sábado 15 de fevereiro.Às 21h00 O grupo de teatro do Pichel despide a obra Precárias.

Ficades convidadas a todas as actividades!

Fonte: Diário Liberdade.

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