O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (22) uma ordem executiva que classifica o movimento Antifa como uma “organização terrorista doméstica”, informou a Casa Branca. A medida ocorre pouco após o assassinato de Charlie Kirk, em 10 de setembro, episódio que motivou o governo a anunciar ações contra grupos de esquerda, embora não haja evidências de que o crime tenha sido cometido por ativistas antifascistas.
O Antifa, movimento antifascista de origem italiana, surgiu entre as décadas de 1920 e 1930 em oposição ao fascismo de Benito Mussolini e ao nazismo na Alemanha. Hoje, grupos informais que seguem a mesma linha operam em vários países, com forte presença nos Estados Unidos.
No texto da ordem, o governo Trump justifica a medida afirmando que o grupo “defende a derrubada do governo dos Estados Unidos, das autoridades de segurança e do sistema de leis” e que utiliza “meios ilegais para organizar e executar uma campanha de violência e terrorismo” no território estadunidense.
“O Antifa recruta, treina e radicaliza jovens estadunidenses para participarem dessa violência e da supressão da atividade política, utilizando mecanismos elaborados para esconder a identidade de seus integrantes, ocultar suas fontes de financiamento e operações, numa tentativa de frustrar a atuação das autoridades”
Historicamente, grupos antifascistas têm se posicionado contra racismo, sexismo e outras formas de discriminação, adotando também discursos anticapitalistas. Analistas classificam o Antifa como um movimento de esquerda ou extrema-esquerda, embora os integrantes afirmem agir unicamente contra a ideologia de extrema-direita.
Ao contrário de partidos políticos, o Antifa não busca representação eleitoral nem influência no Congresso. A rede descentralizada organiza protestos, expõe membros de movimentos de ódio, promove boicotes e, em alguns casos, adota confrontos físicos e destruição de propriedades, táticas comparadas às de movimentos anarquistas.
Nos Estados Unidos, o grupo ganhou atenção nacional durante os protestos de 2020 contra a morte de George Floyd, quando Trump, já em seu primeiro mandato, ameaçou classificá-lo como terrorista.
Especialistas questionam se o presidente possui autoridade legal para tal designação, mas a atual ordem reforça uma postura de enfrentamento direto contra a esquerda radical no país.
Segundo levantamento da Reuters, os EUA enfrentam o período mais prolongado de violência política desde a década de 1970, com mais de 300 casos de atos violentos motivados politicamente desde o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
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