Três mulheres mapuches lideram a luta contra megaprojetos de energia: novo livro conta suas histórias

Millaray Huichalaf, Clementina Lepio e Cristina Soto estão liderando a luta de suas comunidades contra projetos de eletricidade que buscam construir em áreas naturais sagradas para o povo Mapuche Huilliche no sul do Chile. Um novo livro jornalístico conta suas histórias.

El Desconcierto.- Rios, florestas e montanhas não são apenas valores naturais para o povo mapuche, mas também lugares sagrados, que eles lutaram para proteger desde os tempos pré-coloniais até os dias atuais.

Um novo livro jornalístico conta as histórias de três mulheres Mapuche Huilliche que se opõem a grandes projetos de eletricidade, que elas veem como uma ameaça a seus territórios.

Uma delas é a machi Millaray Huichalaf de Río Bueno, que coordenou uma forte oposição ao projeto hidrelétrico da empresa norueguesa Statkraft no rio Pilmaikén, onde a autoridade religiosa coleta ervas medicinais para exercer sua função curativa.

O livro também conta a história da trabalhadora Cristina Soto Guineo, que de Ancud se opõe, junto com sua comunidade, à linha de alta tensão que a empresa Transelec quer instalar, para levar energia eólica da grande ilha de Chiloé ao continente, atravessando o canal de Chacao.

O avanço dos megaprojetos eólicos e elétricos em Chiloé tem sido criticado por ameaçar as turfeiras, que são as principais fontes de água da ilha, que não conta com contribuições glaciais por não possuir cadeia de montanhas.

O outro conflito narrado no livro tem como líder a longko Clementina Lepio Melipuchún, que resiste à instalação de uma subestação elétrica da multinacional Saesa em Castro. As comunidades Mapuche Huilliche da região estão em conflito há mais de uma década e declararam que o projeto seria instalado em áreas utilizadas para cerimônias e onde brotam água e pequenos lagos.

O livro, Guardiões de Futawillimapu: Crônicas da luta contra a intervenção elétricafoi publicado pela editora LOM.

O trabalho jornalístico e fotográfico das jornalistas Camila Pérez Soto e Igna Solís Carrillo ilustra o papel desempenhado pelas mulheres indígenas na proteção da natureza no Chile e também demonstra como a transição para energias renováveis ??também está gerando conflitos socioambientais devido à sua instalação em territórios valorizados por sua natureza e significado cultural.

Tradução: TFG, para Desacato.info.

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