Seminário “Desmonte da Escola Pública” debate a educação pública em Florianópolis e SC

Nos dias 09 e 10 de outubro, a Udesc recebeu palestrantes para debater a situação do ensino público atual, com atenção para os impactos de interesses comerciais nas políticas educacionais. Promovido pelas duas universidades públicas em Florianópolis, UDESC e UFSC, o seminário Desmonte da Escola Pública: impactos da perspectiva de mercado nas políticas educacionais foi aberto ao público em geral, mas teve grande participação de professores da rede municipal e estadual, além de estudantes de pedagogia e licenciaturas.

No primeiro dia, um público de cerca de 110 pessoas encheu o Auditório Tito Sena, no Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed), para um debate mediado pelo vereador e professor da rede municipal Bruno Ziliotto (PT). Ali, discutiram o avanço empresarial na educação municipal, as avaliações em larga escala, como o Prova Floripa, e a educação integral. Sobre esse último tema, Regina Lima, uma das debatedoras, lembrou da importância da atenção pedagógica quando se cria a educação integral, diferente do imposto em Florianópolis, que, segundo ela, “foi apenas o aumento das horas, sem um plano de educação integral”, salientando que ninguém é contrário ao modo integral, mas a crítica se dá pela maneira como foi colocado.

A professora da UDESC Marileia da Silva e o professor da UFSC Alaim de Souza Neto analisaram as mudanças realizadas na educação municipal em Florianópolis. Para eles, os processos determinados pelo Secretário da Educação Thiago Peixoto, que é economista e ex-deputado, são pouco ligados à pedagogia e mais às diretrizes orçamentárias e aos interesses políticos. Para Marileia, “a avaliação em larga escala menospreza a formação cultural e intelectual [na escola]”.

Na sexta-feira, 10, o seminário teve uma mesa na qual participaram representantes da comunidade escolar de Florianópolis. Entre eles, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal, Sintrasem, Roberta Zimmer, que, tratando das pressões sobre os professores, afirmou que “o impacto da precarização é a sobrecarga nos trabalhadores da educação”. Na mesa também estava a representante do Comitê de Famílias pela Educação Pública de Florianópolis, grupo que debate a educação municipal, e um aluno do 7º ano da EBM Brigadeiro Eduardo Gomes, Murilo, que apresentou ao público o ponto de vista dos estudantes frente às tantas mudanças do último ano, especialmente a integralização forçada e as avaliações externas.

 A palestra que encerrou as atividades foi dada pelo professor da USP, Daniel Cara. O educador fez um recorte das mudanças de estrutura da educação pública no mundo e no Brasil nos últimos anos, tanto positivamente, quanto o lado negativo, que para ele são as muitas tensões em direção a uma “privatização da educação pública”. Cara apresentou as ligações entre grupos políticos, empresariais e organizações como o Todos Pela Educação, entre outros, que promovem mudanças na educação pública, segundo ele, mais ligadas a interesses econômicos do que propriamente pedagógicos.

Com um debate amplo e diversificado, participação do público e presenças que foram desde alunos do município até importantes nomes do debate educacional nacional, o Seminário foi um momento de troca de experiências e de debate teórico sobre as estruturas que condicionam a educação pública na atualidade, tensionando os diversos aspectos do processo educacional presente e futuro, em Florianópolis, no estado e no país.



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