SAMUCA: “Semente do encontro do Tapajós com o Amazonas”

Hoje no programa Palavra Nua, Claudia Weinman conversa com o professor e jornalista, Samuel Pantoja Lima. Ele fala sobre sua vida, militância, o jornalismo e a música como ferramenta de transformação na vida das pessoas.

Edição: Julia Saggioratto.

Samuel, gostaríamos de começar essa prosa com as informações de onde você nasceu, estudou, de onde você é, quem é sua família.

Nasci em Santarém do Tapajós, oeste do Pará, em 13 de maio de 1960. Estudei, no ensino fundamental no Grupo Escolar Frei Ambrósio (público) e a educação básica (antigos 1º e 2º Graus) no Colégio Dom Amando (mantido pela Congregação dos Irmãos da Santa Cruz, privado, onde estudei como bolsista), entre 1973 a 1979. Estudei Física (Licenciatura e Bacharelado) pois dois anos, na Universidade Federal do Pará (UFPA), entre 1980/81, mas abandonei o curso para trabalhar no Banco do Brasil, no interior do Pará, no final de 1981.

Você também foi jogador de vôlei, é isso? Como foi esse período da tua vida?

Basicamente, isso está ligado aos meus tempos de Colégio Dom Amando (CDA) – entre os anos 1973/1979 – no qual havia um incentivo muito grande à prática desportiva, em geral. O CDA organizava, anualmente, as “Olimpíadas” que eram disputadas em duas categorias (1º Grau e 2º Grau, separadamente); além disso, havia uma tradição de jogos Intercolegiais (entre escolas públicas e privadas) e eu era do time da nossa Turma e da seleção do Colégio, atuando nas modalidades de vôlei, basquete e handebol. Em paralelo, joguei vôlei semi-profissional no time do S. Francisco (que tinha como força um time de futebol) e fomos tri-campões do citadino de vôlei; meu último envolvimento com o voleibol foi em Floripa, já como funcionário do Banco do Brasil, atuando pelo time da AABB Florianópolis – até abandonar as quadras, em 1997.

Sobre música. Você participou de um clipe. Fale sobre isso em sua vida.

Tem a ver com herança familiar – dois tios eram músicos profissionais: Tio Enéias era flautista e tio Oscar Pantoja, croner; ambos tocavam em bandas de animar bailões). Depois, minha irmã, Zuila Dutra, participou ativamente de programas de auditório (Rádio Rural de Santarém), em duo com uma amiga. Mais tarde, uma mestra dessas que marcam a vida (Profa. Gersonita Imbiriba, saudosa), no Dom Amando, criou um grupo de teatro e sarau (leitura de poemas e serenatas – com violão) e aí eu fui navegando nesse mundo maravilhoso. Já em Belém, no começo dos anos 1980, participava ativamente dos saraus na UFPA e na Casa do Estudante Universitário do Médio-Amazonas (CEUMA), onde eu morava e comecei a aprender violão. Por último, de mais relevante, é minha participação no Grupo Canto de Várzea, em Santarém, lançado em 1982, que tinha Beto Paixão como principal compositor e com quem escrevi algumas canções também. Em 1983, uma parceria minha com Beto e Antonio Álvaro Rocha, foi a vencedora do Festival da Canção do Baixo-Amazonas (“A gênese da Pérola”).

Conta pra gente um pouco sobre a sua paixão Samuca pela Pátria Grande e por Pablo Neruda.

Acho que a consciência política mais elementar vem dessa convivência cultural muito sólida no Colégio Dom Amando, os contatos com os trabalhos comunitário do Ir. Ronaldo Henn (que mantinha uma Casa de Formação num bairro bastante pobre da cidade) e depois, marcadamente, meus primeiros dois anos na UFPA – e aquela luta toda pelo fim da ditadura militar, no final de 1979 quando cheguei à Belém do Pará. Em 1982, já bancário do BB, fui fazer um curso pelo banco, em Brasília, e comprei alguns dos principais livros do genial Pablo Neruda, mas a ideia da Pátria Grande já havia chegado até mim pelas canções de Violeta Parra, Piero (no Uruguai), a nova trova cubana (Pablo Milanés e Silvio Rodríguez), trazidos por Chico Buarque e Milton Nascimento.

Conta para a gente a sua trajetória de militância. Como se iniciou na política e como professor, jornalista e pesquisador.

Minha primeira militância foi em torno do movimento cultural (artistas, compositores, intérpretes) em Santarém. Depois, já em Floripa, para onde vim no começo de 1984, determinado a estudar jornalismo na UFSC, comecei de fato a militância política. Lembro que conheci o ex-presidente Lula, num comício em Santarém, no final de 1981, e fiquei encantado com a proposta do PT. Em Floripa, atuei no movimento estudantil, entre 1985/86 (fui presidente do Centro Acadêmico Livre de Jornalismo da UFSC) e, em seguida, mergulhei de cabeça no movimento sindical – primeiro no Movimento de Oposição Bancária de Floripa e Região (MOB) e depois na diretoria do Sindicato dos Bancários de Fpolis e Região (SEEB), cujas eleições foram vencidas pelo MOB, em abril de 1987. No SEEB Floripa fiquei em dois mandatos não consecutivos: o primeiro entre 1987/90 e, por fim, entre 1993/96. Nesse ínterim, também me dediquei à construção da Central Única dos Trabalhadores, na região, no ramo de atividade e em fóruns nacionais. Em paralelo, atuei também no Partido dos Trabalhadores (no Diretório Municipal de Fpolis) e fui candidato a deputado estadual pelo PT, em 1990 (fizemos 3.266 votos, mas não deu pra ganhar uma vaga na ALESC). Minha militância toda foi marcada pela fraternidade no trato, a busca pelo diálogo, de forma incessante e a defesa dos princípios e bandeiras da classe trabalhadora. No geral, sempre usei muto a linguagem da poesia, da canção popular, da literatura, nas minhas intervenções em assembléias, reuniões, fóruns etc.

Finalmente, sua vocação pedagógica como professor, jornalista e pesquisador.

Este é um momento da minha vida que começa quando retorno ao Banco do Brasil, depois de atuar pela segunda vez na direção do SEEB Floripa, e começo o mestrado, na Engenharia de Produção (Linha de pesquisa: Mídia e Teoria do Conhecimento), na UFSC, em 1996, com a orientação do prof. Hélio Schuch.  Já estava muito insatisfeito, profissionalmente, e decidi abrir esse novo horizonte profissional (a docência) que se revelou existencial, na verdade, porque seria a opção mais generosa de retornar ao Jornalismo, minha área de formação fundamental. E assim o fiz. Terminei o mestrado em dezembro de 1999, e já em fevereiro de 2000, começava a dar aulas na UNISUL – Tubarão e na Associação Educacional Luterana Bom Jesus/IELUSC, curso de Jornalismo e Publicidade & Propaganda, em Joinville. No IELUSC, acabei fiacando até o começo de 2009, quando, já aprovado em concurso público para a Universidade de Brasília (Faculdade de Comunicação), deixei aquela instituição pela qual tenho um afeto muito especial. Depois, por circunstância da vida (minha filha foi acometida de Leucemia Mieloide Aguda, LMA, em março de 2010), acabei trabalhando na UFSC: primeiro, como colarador-docente (para dar assistência à minha filha), entre 2010 e 2013; depois, retornei à UnB e de lá, finalmente, consegui transferência, em defintivo, pra UFSC (Depto. de Jornalismo), no qual atuo desde março de 2016.

#Desacato13Anos #SemprePresente

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