Por Rodrigo Rodrigues.
Mesmo com a orientação do comando nacional do partido e de Lula para não romperem com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), a direção estadual do PT fluminense anunciou nesta segunda-feira (27) a saída definitiva do partido do governo local.
Segundo o presidente do PT-RJ, Washington Quaquá, a legenda orientou todos os petistas com cargos comissionados no governo Cabral que peçam exoneração o mais rápido possível.
“Nós só estávamos no governo por orientação do PT nacional e do próprio governador, que pediu pra nós ficarmos até 31 de março. Mas no final de semana ele enviou um e-mail dizendo que vai exonerar todo mundo até 31 de janeiro, inclusive os dois secretários. Sendo assim, nós nos sentimos livres para orientar os petistas a deixarem o governo a partir de agora”, conta Quaquá.
No início da noite desta segunda-feira o diretório estadual do PT no Rio deve se reunir para emitir um comunicado oficial sobre a decisão.
Embora precipitada, o presidente do PT no Rio achou que a atitude do governador Sérgio Cabral foi a melhor decisão para os petistas, que só aguardavam a saída do governo para colocar a campanha do senador Lindbergh Farias na rua.
“Até aqui nós fizemos tudo que o governador tinha nos pedido, em respeito a ele e a amizade dele com o Lula. A partir de agora o PT está livre para criticar o governo e apontar as falhas que achar necessário, dentro da estratégia de campanha”, avisa Washington Quaquá.
A aliança entre PT e PMDB no Rio já durava sete anos e é fruto da amizade entre o ex-presidente Lula e Sérgio Cabral. O principal motivo da cisão entre os dois partidos é o lançamento da candidatura de Lindbergh, que, a contragosto de Lula e Dilma, resolveu movimentar o partido para lançar candidatura própria.
O governador Sérgio Cabral, que deve deixar o cargo a partir de março para concorrer ao cargo de senador pelo Estado, não gostou da atitude do PT. Para ele, os petistas deveriam apoiar o vice dele, Luis Fernando ‘Pezão’, que fica no cargo no lugar do atual mandatário fluminense.
“Não temos problema de a presidente Dilma aparecer em vários palanques. Nós só queremos usar o legado dela e do Lula na nossa campanha, já que os dois fizeram muito pelo Rio de Janeiro. Não iremos atacar o Cabral gratuitamente, nossa posição agora na Alerj (Assembleia do Rio) é de independência”, adverte o presidente estadual do PT.
Com a saída do PT do governo, Cabral e Pezão já costuram uma aliança com o PSDB, sinalizando para uma possível apoio do vice governador a Aécio Neves. Com a popularidade e as intenções de voto em baixa, contudo, o desafio dos peemedebistas é convencer Aécio a aceitar o apoio e não sair chamuscado da crise no Rio.
O lançamento da candidatura de Lindbergh Farias no Rio deve acontecer no próximo dia 22 de fevereiro, segundo decisão prévia do PT.
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