Projeto de lei que proíbe protestos sem autorização avança no Egito

Especialistas comparam medida com época em que país era governado por Hosni Mubarak

Os egípcios podem perder em breve seu direito de liberdade de expressão e organização. Uma nova lei, formulada por membros do governo e aprovada pelo gabinete interino do país, proíbe a realização de protestos sem autorização prévia e expande os poderes das autoridades em reprimir manifestações.

A medida ainda deve ser avaliada pelo presidente egípcio interino, Adly Mansour, que recebeu a proposta nesta quarta-feira (16/10) depois de um intenso debate entre os membros do gabinete sobre sua aprovação. Segundo reportou a mídia nacional, diversos ministros fizeram objeções ao texto, incluindo o vice-premiê Ziad Behaa el Din.

Presidente interino do Egito (à direita) fala com líder da Constituinte do país
 

Presidente interino do Egito (à direita) fala com líder da Constituinte do país

Com muitas semelhanças às leis da época ditatorial de Hosni Mubarak, o projeto garante ao Ministério do Interior o direito de cancelar, atrasar, mudar de local ou dispersar com a força as manifestações. Também impede a realização de protestos sem autorização do governo, que deve aprovar a rota e o horário proposto pelos organizadores.

Além disso, o projeto também recomenda a criação de “zonas livres de manifestações” para impedir protestos próximos de prédios governamentais, mesquitas e outros espaços. Manifestantes que violarem as normas poderão enfrentar duras penas, incluindo a prisão.

Organizações de direitos humanos e movimentos sociais criticaram a medida e compararam-na aos tempos de Mubarak. Para Gamal Eid, diretor-executivo da Rede Árabe de Direitos Humanos, “apelar para a segurança e soluções repressivas levará a uma piora do conflito político no Egito”. O movimento 6 de abril, importante força na revolução em 2011, definiu a lei como “uma das mais repressivas nos países de Terceiro Mundo e em ditaduras militares”.

Até o Tamarod, que depois de organizar os protestos contra o presidente deposto Mohamed Mursi, apoiou as Forças Armadas do Egito, criticou a medida. “Qualquer lei que limite o direito à manifestação pacífica, o que os egípcios conquistaram nas revoluções do dia 25 de Janeiro (2011, quando Mubarak caiu) e do dia 30 de Junho (2013, quando Mursi foi destituído), é uma lei injusta”, declarou um de seus fundadores, Mohamed Abdel-Aziz.

Desde junho deste ano, quando milhões de pessoas saíram às ruas para protestar contra Mursi, primeiro presidente eleito desde a queda de Mubarak, o Egito vive um período intenso de conflito político. Depois de uma intensa mobilização, as Forças Armadas do país destituíram o presidente da Irmandade Muçulmana e assumiram o poder em conjunto com outras forças políticas civis, que constituíram o gabinete interino.

Mursi e outros membros importantes da Irmandade Muçulmana foram presos, enquanto Mubarak foi solto da prisão onde estava. Além disso, os protestos contra a deposição do presidente foram duramente reprimidos pela polícia egípcia e dezenas de pessoas morreram. Para especialistas consultados em especial de Opera Mundi, os militares continuam sendo os mesmos que estavam por trás da ditadura de Mubarak.

Foto: Agência Efe

Fonte: Opera Mundi

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