Postos de saúde: filas e falta de medicamentos de uso permanente. Por Raul Fitipaldi

Imagem: divulgação

Por Raul Fitipaldi, para Desacato.info

O Sistema Único de Saúde do Brasil, o SUS, como todos sabemos, é exemplo para o restante do planeta. No entanto, os governos estaduais e municipais, nos quais os servidores trabalham com grande esforço em tarefas heroicas, tal qual apreciamos na pandemia, nem sempre têm essa sensibilidade dos servidores, que é o fator fundamental do sistema e que inspira a grande luta dos profissionais da saúde. 

É humilhante que pessoas fragilizadas, doentes, vulneráveis, idosas, precisem fazer longas filas à intempérie para serem atendidas nos Postos de Saúde em lugar de marcar sua consulta via telefone ou através da internet. Ao menos em Florianópolis você precisa ir antes do amanhecer para fazer a dita fila e se tiver sorte ganha a consulta.

As pessoas também não têm acesso gratuito aos medicamentos de uso permanente. Será que o SUS não paga esses remédios? É necessário que haja respostas à altura do prestígio que tem o SUS e que não têm as prefeituras em matéria de saúde. Fica claro também, que se você não tem medicina privada você é um cidadão de segunda categoria, embora muitas vezes a medicina privada é muito ruim e que sem o SUS não haveria saúde no Brasil. 

Está visto que as terceirizações não dão o resultado que foi anunciado. Um posto de saúde bonito, funcional, com muitos administrativos não funciona apenas por paisagem ou burocracia. Precisa de mais médicos, mais pessoal de enfermagem e medicamentos. Pronta resposta para exames de urgência e protocolos menos rígidos para atender as pessoas de recursos mais limitados. 

Uma médica no posto de saúde do bairro Rio Vermelho trabalhava das 8 às 16 horas no dia que conversei com ela. É uma profissional competentíssima que desde o início da sua carreira optou por trabalhar no sistema do SUS. Não deveria ter essa carga horária. Nenhum trabalhador deveria trabalhar mais de 6 horas em nenhuma profissão. Menos quando é alguém que cuida da vida humana.  

O espírito sanitário que conduz a Prefeitura de Florianópolis, como vemos com os moradores em situação de rua, é higienização, devolução das pessoas excluídas aos seus locais de origem e a internação compulsória. Só conta com medicamentos de uso momentâneo, exames de baixo custo e depende completamente da imensa boa vontade dos profissionais da saúde.  

A capital catarinense já foi mais atenta à saúde coletiva. Falando nisso, na edição desta quinta-feira de A Manhã com Dignidade,  começou o programa que leva um nome semelhante, Saúde Coletiva e Trabalho, com o sanitarista Douglas Kovaleski. 

 

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