Partido Trabalhista do Reino Unido vota em moção que chama Israel de Estado de apartheid

A moção compromete o Partido Trabalhista a implementar sanções, incluindo a paralização do comércio de armas entre o Reino Unido e Israel e o comércio com assentamentos israelenses ilegais.

(JUSTIN TALLIS / AFP)

A Conferência do Partido Trabalhista do Reino Unido votou hoje a favor de uma moção para identificar Israel como um Estado que pratica o crime de apartheid, tornando-o o primeiro grande partido político na Europa a adotar tal posição. A moção compromete o Partido Trabalhista a implementar sanções, incluindo a cessação do comércio de armas entre o Reino Unido e Israel e o comércio com assentamentos israelenses ilegais.

“A conferência condena a Nakba em curso na Palestina, a violência militarizada de Israel no ataque à mesquita de Al Aqsa, os deslocamentos forçados de Sheikh Jarrah e o ataque mortal a Gaza”, disse a moção.

A moção observou relatórios da Human Rights Watch e B’Tselem, que no início do ano chegaram a uma conclusão histórica de que Israel estava praticando o crime de apartheid, conforme definido pela ONU. Os dois relatórios destacaram como a opressão sistemática de Israel ao povo palestino equivalia ao crime de apartheid.

Suas conclusões ecoaram as descobertas da ONU e de especialistas proeminentes em direito internacional, bem como de dois ex-embaixadores israelenses.

Membros trabalhistas também saudaram a decisão do Tribunal Penal Internacional de realizar um inquérito sobre os abusos cometidos no Território Palestino ocupado desde 2014.

Pedindo um boicote a Israel, a moção dizia: “A Conferência resolve que a ação é necessária agora devido às contínuas ações ilegais de Israel e que o partido deve aderir a uma política ética em todo o comércio do Reino Unido com Israel, incluindo a interrupção de qualquer comércio de armas usadas para violar direitos humanos palestinos e comércio com assentamentos israelenses ilegais”.

“A Conferência resolve apoiar ‘medidas eficazes’, incluindo sanções, conforme solicitado pela sociedade civil palestina, contra ações do governo israelense que são ilegais de acordo com o direito internacional”; a moção continuou observando, em particular, a necessidade de “garantir que Israel não impeça a construção de assentamentos, reverta qualquer anexação, acabe com a ocupação da Cisjordânia e o bloqueio de Gaza, derrube o Muro e respeite o direito do povo palestino, consagrado no direito internacional, de retornar para suas casas”.

Exortou o Partido Trabalhista a “ficar do lado certo da história e cumprir essas resoluções em sua política, comunicação e estratégia política”.

Apesar da adoção da moção, não está claro como a liderança do Partido Trabalhista reagirá a uma chamada sem precedentes. O líder do partido, Keir Starmer, está em uma disputa acirrada com membros que apoiam a aplicação da lei internacional quando se trata dos direitos do povo palestino.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here


This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.